Lula defende regulação global da inteligência artificial
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Lula propõe avanço global na regulação da inteligência artificial.
Líderes do BRICS discutem futuro da inteligência artificial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu domingo, durante o Fórum dos BRICS realizado no Rio de Janeiro, a construção de uma governança multilateral para a administração da inteligência artificial em nível global. Ao lado de chefes de Estado dos demais países membros, Lula destacou a urgência de criar normas internacionais para garantir que a IA seja utilizada de forma ética, responsável e voltada ao desenvolvimento sustentável. O encontro resultou na assinatura da Declaração sobre Governança Global da Inteligência Artificial, documento que estabelece diretrizes para o uso seguro e inclusivo das tecnologias emergentes. A intenção é impulsionar a inovação, a produtividade e a sustentabilidade, ao mesmo tempo em que se combate possíveis riscos e desigualdades. Para Lula, o envolvimento dos países do Sul Global é fundamental para promover uma transformação digital equilibrada, assegurando que todos possam se beneficiar das novas oportunidades e enfrentar coletivamente os desafios impostos pela rápida evolução da IA.
O debate promovido pelo BRICS busca responder ao cenário de avanços acelerados em inteligência artificial que, sem um arcabouço regulatório internacional, pode potencializar disparidades entre países desenvolvidos e nações em desenvolvimento. A declaração dos líderes enfatiza a necessidade de um esforço global e coordenado, guiado por princípios definidos pela Organização das Nações Unidas, para mitigar riscos associados à privacidade, à soberania digital e à segurança, além de fomentar o desenvolvimento de políticas de inclusão. A proposta sugere a criação de fóruns de diálogo que agreguem diferentes perspectivas, respeitando a diversidade cultural e legal de cada país. O compromisso firmado inclui também proteção à propriedade intelectual e mecanismos para evitar o uso não autorizado da IA, reforçando a importância de garantir remuneração justa e respeito aos direitos autorais. O documento defende a participação efetiva de mercados emergentes nas decisões globais, prevenindo a exclusão de atores relevantes do processo de inovação tecnológica.
A ênfase de Lula no multilateralismo reflete a preocupação dos BRICS com a fragmentação das iniciativas de governança da IA, que podem ampliar desigualdades e comprometer a legitimidade das ações internacionais. A defesa de uma regulação integrada e baseada no consenso busca evitar a imposição de padrões unilaterais oriundos de grandes potências tecnológicas, promovendo a inclusão dos interesses do Sul Global. Questões como ética, transparência e responsabilidade foram apontadas como centrais para a construção de sistemas de IA realmente seguros e confiáveis, capazes de refletir a diversidade de línguas, culturas e realidades socioeconômicas. Nesse contexto, a agenda brasileira destaca ainda o potencial dos BRICS para liderar o debate sobre o futuro da inteligência artificial, favorecendo a cooperação em pesquisa, formação de talentos locais e desenvolvimento de soluções aplicáveis a problemas sociais, econômicos e ambientais. A busca por uma transição digital justa e plural é vista como peça-chave para o desenvolvimento sustentável na próxima década.
Governança global e desafios futuros da inteligência artificial
Os desdobramentos do posicionamento brasileiro e do BRICS apontam para um futuro em que a governança da inteligência artificial será tema recorrente das grandes cúpulas e instituições multilaterais. A presidência do Brasil no grupo pretende fomentar parcerias em áreas de inovação e tecnologia, sempre com foco no fortalecimento do papel dos países em desenvolvimento. O compromisso firmado no Rio de Janeiro estabelece um marco para o engajamento coletivo na formulação de políticas públicas e diretrizes internacionais voltadas à regulação da IA. Especialistas avaliam que, ao reforçar a centralidade da ONU no debate, os líderes dos BRICS sinalizam disposição para contribuir ativamente no estabelecimento de normas globais que considerem não apenas interesses econômicos, mas também sociais e éticos. O avanço desse diálogo será determinante para assegurar que o rápido progresso tecnológico ocorra sem ampliar desigualdades, garantindo benefícios e oportunidades amplamente distribuídos. A expectativa é de que essas iniciativas protagonizadas pelo Brasil e pelo BRICS consolidem uma agenda global mais inclusiva, plural e resiliente frente aos desafios e oportunidades trazidos pela inteligência artificial.
Declaração Final da XVII Cúpula do Brics no Rio de Janeiro
A XVII Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro de 6 a 7 de julho de 2025, sob o tema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”, divulgou sua declaração final no primeiro dia do evento. O grupo, inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, celebrou a adesão da Indonésia como membro pleno e de Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Nigéria, Malásia, Tailândia, Vietnã, Uganda e Uzbequistão como países parceiros, marcando uma expansão significativa do bloco.
Os líderes reafirmaram o compromisso com o multilateralismo, a reforma da governança global e a criação de um sistema internacional mais justo e representativo, com maior participação de países em desenvolvimento e mercados emergentes. A Declaração do Rio de Janeiro destacou iniciativas como a Declaração sobre Finanças Climáticas, a Declaração sobre Governança Global da Inteligência Artificial e a Parceria para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas. O bloco também expressou preocupação com conflitos globais, como na Ucrânia e no Oriente Médio, reiterando a necessidade de reformas em instituições como a ONU e as de Bretton Woods para refletir um mundo multipolar e garantir equidade para o Sul Global.Declaração do Rio de Janeiro: Fortalecendo a Cooperação do Sul Global
- Compromisso com o Brics: Os líderes reafirmaram o espírito do Brics, baseado em respeito mútuo, igualdade soberana, solidariedade, democracia, abertura, inclusão e consenso, fortalecendo a cooperação em três pilares: política e segurança, economia e finanças, e laços culturais e interpessoais, visando paz, desenvolvimento sustentável e crescimento inclusivo.
- Expansão do Bloco: A adesão da Indonésia e dos novos países parceiros foi celebrada, reforçando a representatividade do Brics.
- Reforma da Governança Global: O grupo defendeu um sistema multilateral mais justo, ágil e representativo, apoiando a reforma da ONU, incluindo o Conselho de Segurança, e das instituições de Bretton Woods, com maior voz para países em desenvolvimento, especialmente da África e América Latina. A necessidade de transparência na seleção de lideranças da ONU e maior participação de mulheres foi destacada.
- Iniciativas Conjuntas: A adoção de declarações sobre finanças climáticas e inteligência artificial, além da Parceria para Doenças Socialmente Determinadas, reflete esforços para soluções globais inclusivas e sustentáveis.
- Multilateralismo e Paz: O Brics reiterou o apoio à Carta da ONU, ao diálogo para resolução de conflitos e à cooperação para enfrentar crises humanitárias, condenando violações do direito internacional humanitário e medidas coercitivas unilaterais.
- Conflitos Globais: O grupo expressou preocupação com conflitos no Oriente Médio, Ucrânia e outras regiões, defendendo soluções pacíficas e apoio a iniciativas como a Iniciativa Africana de Paz. No contexto do Oriente Médio, condenou ataques contra o Irã e infraestruturas civis, apoiando a solução de dois estados para o conflito Israel-Palestina.
- Desenvolvimento Sustentável: O Brics reforçou o compromisso com a Agenda 2030, a segurança alimentar, a transição energética justa e o combate à mudança climática, apoiando a COP30 em Belém e rejeitando medidas protecionistas unilaterais disfarçadas de políticas ambientais.
- Cooperação Econômica: O bloco destacou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), a Estratégia para a Parceria Econômica do Brics 2030, e iniciativas como a Plataforma de Investimentos e o Arranjo Contingente de Reservas, promovendo comércio, infraestrutura e inovação.
- Saúde e Educação: A Parceria para Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas e a cooperação em saúde, como o Centro de P&D de Vacinas, foram celebradas. Na educação, a Carta da Aliança de Cooperação em Educação Profissional e Tecnológica foi adotada, fortalecendo a Universidade em Rede do Brics.
- Cultura e Esporte: O Brics comprometeu-se a promover intercâmbios culturais, esportes tradicionais e a devolução de patrimônios culturais, além de apoiar a cooperação em ciência, tecnologia e inovação.
- Segurança e Tecnologia: O grupo condenou o terrorismo, reforçou a cooperação contra crimes transnacionais e defendeu a governança responsável da inteligência artificial e a segurança no uso de tecnologias da informação.
- Juventude e Sociedade Civil: A Cúpula da Juventude do Brics e o fortalecimento do diálogo com a sociedade civil foram destacados, promovendo inclusão e políticas para jovens.
- Apoio à Presidência Brasileira: Os líderes agradeceram ao Brasil pela organização da cúpula e expressaram apoio à presidência da Índia em 2026.
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