Ministro da Previdência revela que fraudes no INSS cresceram entre 2019 e 2022
5 min readWolney Queiroz afirma que brecha legal facilitou ação de empresas fraudulentas.
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz Maciel, fez uma forte declaração durante audiência no Senado na quinta-feira (15), ao afirmar que “entre 2019 e 2022 o ladrão entrou na casa”, referindo-se ao aumento significativo de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em sua explanação, o ministro explicou que uma brecha legal surgida nesse período permitiu que empresas fraudulentas se credenciassem junto ao INSS e realizassem cobranças indevidas a aposentados e pensionistas da autarquia. Segundo Queiroz, a situação foi agravada após a aprovação de uma Medida Provisória em 2022, posteriormente transformada em lei, que eliminou a necessidade de revalidação periódica das autorizações de desconto concedidas pelos beneficiários. Esta mudança normativa, de acordo com o ministro, abriu caminho para que organizações mal-intencionadas explorassem vulnerabilidades no sistema previdenciário brasileiro, resultando em prejuízos significativos tanto para os beneficiários quanto para os cofres públicos. Queiroz destacou que a decisão de acabar com a revalidação dos descontos foi adotada durante o governo anterior, sob a presidência de Jair Bolsonaro.
O problema identificado pelo ministro tem raízes em um processo legislativo iniciado em 2019, quando estava em discussão no Congresso Nacional a implementação de um sistema de revalidação periódica das autorizações de descontos em benefícios previdenciários. Esta medida visava garantir maior segurança aos aposentados e pensionistas, evitando cobranças não autorizadas. Entretanto, conforme explicou Wolney Queiroz, este mecanismo de proteção foi “sepultado” por meio de uma Medida Provisória emitida em 2022, que posteriormente foi convertida em lei. Durante sua exposição no Senado, o ministro fez questão de enfatizar que a Instrução Normativa 162, frequentemente mencionada em discussões sobre o tema, foi baseada na MP aprovada durante o governo do presidente Bolsonaro, deixando claro que “quem sepultou a revalidação foi o governo anterior”. A consequência direta desta mudança legislativa, segundo Queiroz, foi o credenciamento de aproximadamente 11 novas empresas e associações junto ao INSS nesse período, as quais, após investigações recentes, foram identificadas como “100% fraudulentas”. O ministro sublinhou que estas organizações se aproveitaram precisamente do intervalo temporal entre 2019 e 2022 para estabelecer suas operações irregulares, explorando a ausência do mecanismo de revalidação que havia sido proposto anteriormente.
As declarações do ministro ocorreram em um momento de intensa investigação sobre fraudes previdenciárias, que têm prejudicado milhares de beneficiários do INSS em todo o país. Durante a audiência, ocorreram momentos de tensão quando o tema foi abordado, inclusive um desentendimento entre o ministro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, atual senador, que também participava da sessão. O esquema fraudulento revelado pelas investigações demonstra um modus operandi sofisticado, onde empresas recentemente credenciadas junto ao INSS conseguiam realizar descontos não autorizados nos benefícios de aposentados e pensionistas, muitas vezes sob o pretexto de oferecer serviços de associações ou seguros. Com a eliminação da necessidade de revalidação periódica, estas organizações encontraram terreno fértil para ampliar suas atividades ilícitas, uma vez que não precisavam mais confirmar periodicamente a autorização dos beneficiários para a manutenção dos descontos. As investigações conduzidas pelas autoridades competentes têm revelado a magnitude dessas fraudes, que afetaram principalmente pessoas idosas e vulneráveis, muitas vezes com pouca familiaridade com procedimentos bancários e previdenciários. O ministro destacou que, após a descoberta dessas irregularidades, o atual governo tem tomado medidas para fortalecer os mecanismos de controle e fiscalização, buscando restabelecer a segurança no sistema previdenciário brasileiro.
As repercussões das declarações do ministro Wolney Queiroz foram imediatas nos círculos políticos e previdenciários, gerando debates sobre a necessidade de revisão dos procedimentos de credenciamento de entidades junto ao INSS. Especialistas em seguridade social têm apontado que o caso demonstra uma falha sistêmica na proteção aos beneficiários mais vulneráveis, especialmente os idosos, que frequentemente são alvos preferenciais de esquemas fraudulentos. A atual gestão do Ministério da Previdência Social anunciou que está implementando novos protocolos de segurança e revisando as autorizações concedidas durante o período mencionado pelo ministro, com o objetivo de identificar e cancelar descontos indevidos. Além disso, está sendo considerada a reintrodução da obrigatoriedade de revalidação periódica das autorizações de desconto, medida que havia sido proposta inicialmente em 2019 e posteriormente abandonada. Para os próximos meses, é esperado que o Ministério apresente um plano abrangente de combate a fraudes previdenciárias, incluindo maior transparência nas autorizações de desconto e campanhas de conscientização direcionadas aos beneficiários. O caso das fraudes no INSS durante o período de 2019 a 2022 evidencia a necessidade contínua de aprimoramento dos mecanismos de proteção aos direitos dos aposentados e pensionistas, garantindo que o sistema previdenciário cumpra efetivamente sua função social sem deixar brechas para a atuação de organizações fraudulentas.
Ministério prepara novas medidas de proteção aos beneficiários
O Ministério da Previdência Social deverá anunciar nas próximas semanas um conjunto de medidas para fortalecer a proteção aos beneficiários do INSS e evitar novas fraudes. Entre as ações previstas estão a revisão dos contratos firmados com empresas credenciadas entre 2019 e 2022, período identificado pelo ministro Wolney Queiroz como crítico para o aumento das fraudes, além da implementação de novos sistemas de verificação e confirmação de autorizações de desconto. A expectativa é que essas medidas possam restaurar a confiança no sistema previdenciário brasileiro e garantir maior segurança aos milhões de aposentados e pensionistas que dependem dos benefícios do INSS para sua subsistência. A declaração contundente do ministro sobre o período em que “o ladrão entrou na casa” marca um momento importante no enfrentamento às fraudes previdenciárias, sinalizando um compromisso com a transparência e com a proteção dos direitos dos beneficiários do sistema de seguridade social brasileiro.
