AGU atua para remover fake news de que Janja viajou com dinheiro desviado do INSS
4 min readÓrgão ainda discute qual a melhor estratégia para combater desinformação sobre viagem da primeira-dama.
Não existem evidências de que Janja viajou com 200 malas para a Rússia.
Não é verdade que a primeira-dama, Janja da Silva, tenha sido barrada em um aeroporto na Rússia ou que tenha sido flagrada levando mais de 200 malas com dinheiro para o país.
Janja viajou para a Rússia a convite do governo russo. Ela chegou ao país dias antes do presidente Lula. Publicações nas redes sociais inventam situações para imputar suspeitas de crimes à primeira-dama.
A Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência disse que a primeira-dama viajou em avião da FAB (Força Aérea Brasileira) e que não foi registrado qualquer incidente com a bagagem. “Rejeitamos categoricamente a invenção absurda de que teria sido levada uma “elevada quantidade de malas”, bem como qualquer menção a incidentes com a bagagem — nada disso ocorreu, nem foi registrado por qualquer autoridade responsável”, afirma.
A Secretaria lamenta que, em vez de se pautarem pela verdade, determinados agentes escolham propagar conteúdos distorcidos para confundir e manipular a opinião pública.
Secom.
A primeira-dama foi à Rússia a convite do governo russo. Ela cumpriu agendas entre os dias 3 e 7 de maio, antes da chegada do presidente Lula (aqui). Janja participou de encontros com alunos e professores de língua portuguesa em universidades, visitou o Kremlin, o Teatro Bolshoi, o Museu Hermitage e assistiu o balé Lago dos Cisnes. Ela também se reuniu com reitores de universidades, esteve com a vice-governadora de São Petersburgo, Irina Potekhina, e com o governador, Alexander Beglov. Os compromissos constam na agenda pública da primeira-dama (aqui). Lula chegou à Rússia no dia 7 de maio.
Publicações nas redes sociais afirmam que Janja teria sido barrada em aeroporto da Rússia com mais de 200 malas de dinheiro. Uma das versões diz que um funcionário teria aberto a mala por acidente, revelando o conteúdo. Outras versões dizem ainda que teriam sido mais de 1.200 malas. Os posts imputam suspeitas sobre a primeira-dama a partir de boatos e relacionam com o escândalo de descontos não autorizados do INSS, dizendo que esta seria a origem do dinheiro, ou os Correios.
No Facebook, um post com o conteúdo desinformativo registrava mais de mil compartilhamentos.
Primeira-dama brasileira levanta preocupações sobre rede social durante encontro oficial.
Na manhã de segunda-feira (13), o deputado estadual Bruno Engler (PL-MG) compartilhou, em suas redes sociais, uma publicação que diz “O escândalo das 200 malas: Janja leva bagagem descomunal em viagem à Rússia”. O parlamentar mineiro ainda publicou: “200 malas, e a nossa Polícia Federal preocupada em prender a moça do batom”.
A publicação foi compartilhada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, não há qualquer indício ou evidência de que a primeira-dama tenha levado essa quantidade de bagagens em sua viagem ao país europeu ou que as malas tenham sido interceptado por autoridades de qualquer país.
A AGU ainda estuda qual a melhor forma de combater a desinformação, mas o órgão deve acionar plataformas como o X, onde a publicação originalmente foi feita, para tentar remover o conteúdo. No entanto, passadas quase 48 horas da postagem original, que já obteve mais de 400 mil visualizações, ainda não há perspectiva de o material ser removido.
AGU dá 24h para redes sociais removerem notícias falsas sobre Janja
A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou, na quarta-feira (14), as empresas Meta (Instagram, Facebook, Theads e Whatsaap) e TikTok para que removam de suas redes sociais, em até 24 horas, publicações contendo informações falsas sobre a viagem da comitiva do governo brasileiro à Rússia.
As notificações extrajudiciais atendem a um pedido da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República.
‘O objetivo da divulgação de informações falsas, defende a AGU, é atingir a legitimidade da própria missão diplomática do Estado brasileiro. Trata-se, segundo as notificações, de “conteúdo desinformativo com potencial de vulnerar a estabilidade institucional e de comprometer a integridade das políticas públicas tuteladas pela União”, em especial a de relações exteriores do Brasil com outras nações, de competência desse ente federativo, tal como previsto na Constituição Federal. Se não removerem os conteúdos desinformativos listados nas notificações extrajudiciais, as plataformas poderão incorrer em omissão culposa, ensejando sua responsabilização, adianta a AGU, pois “as mensagens têm o condão de confundir o público interno sobre tema relevante (relações diplomáticas) e sensível (missão oficial do Estado brasileiro)”.’
