Hugo Motta bate o pé por gasolina com 35% de etanol, mas o motorista diz: ‘Calma, Meu Carro Não Curte Essa Vibe!
3 min readGasolina E35: Hugo Motta Quer Mais Etanol, Mas o Motor do Seu Carro Ri por Último?
35% de Etanol na Gasolina? Hugo Motta, Presidente da Câmara, Tá Empolgado com a Ideia!
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), não está para brincadeira: na segunda-feira (20), durante a 25ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo, ele defendeu com unhas e dentes elevar o teor de etanol anidro na gasolina de 30% para 35%. O objetivo? “Fortalecer a produção de biocombustíveis no Brasil” e dar um chute na dependência de importações de combustíveis fósseis, que ainda representam cerca de 15% da gasolina consumida por aqui. A proposta se apoia na Lei do Combustível do Futuro (14.993/2024), aprovada no ano passado, que abre a porteira para até 35% de etanol – mas só se a viabilidade técnica for comprovada, claro. Nada de pular etapas: leis políticas são legais, mas as leis da física e da química? Essas não perdoam um motor mal calibrado.
Lembra do drama do E30? Quando subiu de 27% para 30% em 1º de agosto, após aprovação do CNPE em junho, os testes no Instituto Mauá de Tecnologia acenderam uma luzinha amarela: alguns modelos, especialmente motos, deram chilique na partida a frio – nada catastrófico, mas um sinal de alerta de que mais etanol poderia transformar o tanque em uma roleta-russa. Milhões de veículos sem tecnologia flex – motos, carros antigos e importados – podem virar vítimas: partida engasgada, maior risco de corrosão em mangueiras e bombas, e até “batida de pino” por mistura pobre. Quem tem grana para a gasolina premium (com só 25% de etanol) ri por último, mas e o povão? Fica contando os trocados para encher o tanque mais vezes, porque etanol tem menos punch energético que a gasolina pura – adeus, km/l extra, olá, bolso mais vazio.
Ah, e o governo jura que compensa com preço menor na bomba. No E30, prometeram queda de R$ 0,20 por litro, mas na real? Subiu de R$ 6,22 em julho para R$ 6,21 em outubro – uma “redução” que nem dá pra comprar um chiclete. Com E35, falam em R$ 0,11 de desconto, mas quem acredita em mágica fiscal? É como prometer dieta e entregar brigadeiro.
E como essa loucura vira lei?
O caminho é pavimentado, mas cheio de curvas técnicas. A decisão cabe à Comissão Nacional de Política Energética (CNPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME), com ministros, técnicos e experts – mas sem um pelotão de engenheiros in-house. O governo terceiriza o serviço para um órgão independente (tipo o Mauá no E30) fazer ensaios de durabilidade, emissões e performance em veículos representativos da frota. Se o laudo disser “verde”, o CNPE aprova por resolução no Diário Oficial – como rolou em junho para o E30, efetivado em agosto. Teremos um replay: estudos em março de 2026? Aprovação no CNPE? E voilà, E35 nas bombas. Mas se o Mauá der “amarelo” de novo, Motta pode brigar à toa.
Tecnicamente, é festa ou enterro pro motor?
Para os 76% de carros flex no Brasil, é moleza: a central eletrônica ajusta tudo sozinha, como um DJ mixando faixas. Mas pros carburados ou injeção antiga? Gambiarra mode on: troque o gicleur pra mais fluxo, regule o distribuidor e reze pela bomba de combustível. Importados e híbridos? Podem tossir com corrosão acelerada, detonação e vida útil encurtada de peças – sem falar em motos que viram “patinete a frio”. O CNPE ainda teima no padrão E22 de 1993 para calibração de motores – um anacronismo que deixa todo mundo “descalibrado” na prática, já que rodamos com E27, E30 ou mais. Os testes do Mauá não flagraram emissões extras de poluentes, aldeídos ou hidrocarbonetos no curto prazo, mas e detonação, velocidade de chama ou vaporização? Efeitos a longo prazo, tipo 160 mil km? Nem foram checados a fundo. É como aprovar uma dieta sem testar o baque no fígado: pode dar certo, mas e se der ruim?
No fim, E35 é um passo verde pro Brasil – menos CO₂, mais jobs na cana –, mas com pitadas de humor negro pro motorista comum. Motta luta pelo etanol; o mecânico, pelo seu carro. Quem vence? Aposte no lubrificante.
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