IA pode impulsionar comércio global em até 40% até 2040, projeta OMC
5 min readInteligência artificial transformará comércio mundial até 2040.
Estudo da OMC revela novos rumos do comércio internacional.
A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou um relatório que sinaliza uma transformação significativa no comércio global até 2040, impulsionada pela inteligência artificial (IA). De acordo com as projeções da entidade, a IA pode elevar o valor do comércio de bens e serviços em até 40% nesse período, remodelando padrões de trocas internacionais e promovendo avanços econômicos consideráveis no mundo inteiro. Os ganhos seriam impulsionados, principalmente, pela redução de custos operacionais, aperfeiçoamento logístico, eficiência em processos regulatórios e, sobretudo, pela elevação da produtividade em toda a cadeia global de valor. A vice-diretora-geral da OMC, Johanna Hill, destacou que a IA tende a ser um ponto extremamente positivo no contexto de um ambiente comercial cada vez mais dinâmico e competitivo. O relatório enfatiza ainda que pequenas empresas e novos entrantes podem se beneficiar do potencial de expansão das tecnologias de IA, especialmente com ferramentas de tradução e automação, facilitando seu acesso a mercados estrangeiros. O documento prevê elevação de 12% a 13% no Produto Interno Bruto (PIB) mundial, mas alerta para obstáculos estruturais que precisam ser enfrentados para que os benefícios sejam amplamente distribuídos entre países de diferentes níveis de desenvolvimento.
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O avanço da inteligência artificial no cenário global ocorre em meio a desafios estruturais, sobretudo relacionados à desigualdade de acesso à tecnologia e à infraestrutura digital. O relatório da OMC ressalta que economias de baixa e média renda ainda experimentam barreiras significativas, como tarifas elevadas – que podem chegar até 45% em determinados mercados – e restrições quantitativas à importação de bens associados à IA, que saltaram de 130 em 2012 para quase 500 em 2024. Essas restrições tendem a limitar os benefícios em regiões menos desenvolvidas, aprofundando fossos já existentes no comércio internacional. O acesso digital desigual e a lacuna de qualificação profissional se apresentam como desafios centrais para a democratização do comércio movido por IA.
O relatório reforça a necessidade de políticas públicas robustas, integração internacional mais aberta e investimentos sistemáticos em infraestrutura digital para garantir que a revolução trazida pela inteligência artificial seja, de fato, acessível a todos os países. Além disso, a OMC defende uma aproximação colaborativa entre países ricos e em desenvolvimento para promover o compartilhamento de conhecimento, insumos essenciais – como semicondutores e componentes eletrônicos – e oportunidades de formação profissional. Tal contexto faz da IA uma ferramenta estratégica não apenas para elevação do comércio global, mas também como catalisadora de inclusão e crescimento econômico sustentável.
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Impactos, oportunidades e desafios no novo cenário comercial
As perspectivas para o comércio global são profundamente influenciadas pela velocidade de adoção da inteligência artificial e pela eficácia das políticas de inclusão implementadas no âmbito nacional e internacional. Caso medidas adequadas sejam adotadas para mitigar a desigualdade digital e ampliar o acesso universal às ferramentas de IA, países de baixa e média renda podem aumentar, em média, 14% a 15% seu ganho per capita até 2040. Por outro lado, uma inércia na superação das barreiras estruturais pode restringir esses avanços a patamares muito inferiores, em torno de 8%, aprofundando ainda mais a distância entre mercados desenvolvidos e emergentes.
O relatório da OMC também aponta que a IA viabiliza a criação de cadeias de suprimentos mais resilientes, aumenta a transparência em operações internacionais e pode promover maior inserção de pequenas e médias empresas em fluxos globais de valor, especialmente por meio da automação de comunicações, conformidade regulatória e tradução de documentos. No entanto, ressalta a necessidade de atuação governamental ativa na educação e capacitação de profissionais, dado que a disrupção dos mercados de trabalho é um desafio iminente. Para que os benefícios da IA sejam amplos e efetivos, é imprescindível um ambiente normativo que favoreça investimentos em inovação e infraestrutura, para ampliar a competitividade e a integração mundial de mercados.
Desse modo, a inteligência artificial não apenas representa uma inovação tecnológica, mas transforma-se em pilar essencial para a evolução do comércio global, ao mesmo tempo em que intensifica o debate sobre equidade e cooperação internacional no século XXI.
Futuro do comércio global motivado pela inteligência artificial
O relatório da OMC indica que, ao longo dos próximos anos, o sucesso do comércio internacional dependerá fundamentalmente do ritmo de adoção da inteligência artificial e do comprometimento de governos e setor privado em construir políticas de inclusão digital e capacitação profissional. Projeções apontam para um comércio e um PIB mundial substancialmente maiores até 2040, desde que se supere a desigualdade no acesso a tecnologias disruptivas. O desenvolvimento de cadeias produtivas integradas, investimentos em infraestrutura tecnológica e mecanismos de redução de tarifas sobre componentes essenciais serão determinantes para que o potencial da IA se traduza em ganhos concretos para todas as economias.
O relatório reforça que a inteligência artificial deve ser vista como vetor de inovação e prosperidade, mas seus avanços exigem atenção às diferenças estruturais entre países. A constituição de ambientes regulatórios flexíveis, o incentivo à formação de mão de obra qualificada e a promoção de políticas comerciais abertas são caminhos decisivos para garantir que a evolução tecnológica da IA contribua para um sistema internacional mais equilibrado e inclusivo. O papel da OMC, nesse contexto, se faz fundamental ao apoiar a expansão do comércio e fomentar o diálogo global sobre governança estratégica da nova economia internacional.
Com a inteligência artificial ocupando lugar central na agenda do comércio global, o futuro aponta para mercados mais dinâmicos, eficientes e, potencialmente, menos desiguais — desde que o avanço tecnológico esteja acompanhado de compromissos efetivos de cooperação internacional e sustentabilidade econômica.
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