Rio de Janeiro tem condenação inédita pelo Boa Noite Cinderela
4 min readMulher condenada por morte de colombiano em golpe Boa Noite Cinderela.
Tribunal aplica pena máxima por morte de colombiano.
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou Claudia Mayara Alves Soliva a 20 anos e 10 dias de prisão, em regime fechado, pelo latrocínio que marcou o turismo carioca no último ano. A decisão definitiva foi anunciada nesta semana, após meses de investigação sobre a morte do economista colombiano Manuel Felipe Martinez Mantilla, então com 33 anos, vítima do golpe conhecido como “Boa Noite, Cinderela”. O crime ocorreu em outubro de 2024, quando Claudia teria dopado o turista com Clonazepam durante um encontro na região central do Rio e, posteriormente, roubado seu cartão bancário, realizando diversas compras enquanto Martinez já estava inconsciente. Após o turista apresentar sinais de mal-estar e desmaio no carro de aplicativo solicitado pela acusada, ele foi levado ao Hospital Geral de Bonsucesso, onde veio a falecer menos de uma hora depois. Claudia, que estava presa preventivamente desde março, foi reconhecida pelo próprio motorista do aplicativo na delegacia e teve sua liderança em uma quadrilha especializada no golpe Boa Noite Cinderela detalhada durante o processo judicial. A juíza Camila Rocha Guerin afirmou que as provas produzidas foram robustas e cristalinas, confirmando o envolvimento direto da acusada.
Investigação revela detalhes de quadrilha especializada
Ao longo das apurações, a Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou Claudia Mayara Alves Soliva como chefe de uma das maiores organizações voltadas para crimes contra turistas estrangeiros. Segundo denúncias do Ministério Público, Claudia admitiu atuar como garota de programa e se aproximou do colombiano na icônica Pedra do Sal, convidando-o a continuar a noite em um bar do Parque União, localizado no Complexo da Maré. Lá, ela ministrou o medicamento na bebida do turista, que ficou vulnerável e teve seu cartão de crédito utilizado em pelo menos oito compras, incluindo a aquisição de um smartphone novo, que foi exibido em fotos publicadas pela acusada em redes sociais logo após o ocorrido. Testemunhas relataram que Claudia se negou a acompanhar Martinez ao hospital, justificando compromissos pessoais, e delegou a responsabilidade ao motorista do aplicativo. O perfil da quadrilha, altamente estruturado, revela estratégias marcadas pela falsificação de afinidade e pela inserção de substâncias depressoras no contexto de diversão noturna carioca, ampliando o alerta para segurança do turismo na cidade.
Punição rigorosa e impactos sobre o turismo fluminense
A condenação de Claudia repercute não apenas no âmbito jurídico, mas também levanta discussões sobre medidas preventivas e políticas públicas para garantir o bem-estar de estrangeiros no Rio de Janeiro. O latrocínio de Manuel Martinez evidenciou vulnerabilidades de turistas diante de práticas criminosas sofisticadas que têm se multiplicado em centros urbanos. Analistas do setor de segurança apontam que as sentenças rigorosas têm função de dissuadir possíveis reincidências e fortalecer ações integradas entre órgãos de justiça e forças policiais. Especialistas em direitos humanos também destacam os desafios para vítimas estrangeiras, enfatizando a importância de campanhas informativas e cooperação internacional. A ampla cobertura midiática mobilizou autoridades consulares colombianas e gerou um debate sobre o papel do Estado na proteção do patrimônio humano, além de projetar o turismo carioca como alvo de políticas de reforço.
Justiça, repercussão e perspectivas contra golpes em turistas
Com a sentença definitiva, a expectativa é de que novos desdobramentos jurídicos reforcem a repressão a crimes violentos ligados ao golpe Boa Noite Cinderela. A decisão da 36ª Vara Criminal estabelece precedente importante que pode orientar casos similares pelo país, aumentando o escrutínio sobre práticas ilícitas cometidas contra turistas, especialmente estrangeiros. A partir do processo, autoridades e entidades civis mobilizam-se para aprimorar sistemas de investigação e fortalecer campanhas de prevenção em áreas de grande circulação. Perspectivas futuras sugerem criação de protocolos mais exigentes para bares, aplicativos de transporte e redes de hospedagem, bem como ações bilaterais entre Brasil e Colômbia em defesa de seus cidadãos. A condenação, considerada historicamente dura para crimes do tipo, simboliza avanço da justiça no combate à impunidade e realça o compromisso com o fortalecimento da segurança pública na capital fluminense.
