PEC da Blindagem reacende disputa política entre Eduardo Bolsonaro e Tarcísio
5 min readPEC da Blindagem eleva embate público entre Eduardo Bolsonaro e Tarcísio.
Nova disputa política acirra cenário bolsonarista
A cena política brasileira ganhou novos contornos com o recente arquivamento da chamada PEC da Blindagem no Senado, fato que intensificou o confronto público entre o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em movimentação ocorrida na quarta-feira, 24 de setembro de 2025, ambos usaram os holofotes midiáticos para reforçar posições divergentes dentro do mesmo campo político. Tarcísio declarou à imprensa que o texto da PEC teria se distanciado de seu objetivo inicial e se tornado um símbolo de privilégios e impunidade, mobilizando manifestações de rua contrárias à proposta. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, rapidamente reagiu, classificando como “desconectados do povo” tanto os senadores quanto governadores contrários à medida. O episódio expôs um racha inédito entre lideranças bolsonaristas, ambos pretendentes à sucessão presidencial de 2026, e adicionou um novo capítulo à disputa pela influência sobre o eleitorado conservador e, principalmente, pela bênção política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para compreender o contexto do conflito, é preciso observar o conteúdo central da PEC da Blindagem. A proposta, aprovada na Câmara dos Deputados no dia 16 de setembro e rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado pouco mais de uma semana depois, previa que deputados e senadores só poderiam ser processados criminalmente ou presos mediante autorização do próprio Legislativo, por votação secreta. O texto também previa foro privilegiado no STF para presidentes de partidos políticos. A mobilização contra a PEC ganhou corpo com manifestações em diferentes cidades, no domingo anterior à votação final do Senado. Nelas, a população expressou insatisfação diante do que consideravam um avanço de impunidade parlamentar, ecoando o argumento de Tarcísio de Freitas, segundo o qual o Legislativo estaria se afastando das demandas populares em busca de benefícios próprios. O embate repercutiu fortemente entre aliados, já que figuras proeminentes do PL — partido de Eduardo — votaram contra a própria proposta na comissão, evidenciando divisões internas e desafios à construção de uma liderança única no bolsonarismo.
Os desdobramentos da rejeição à PEC da Blindagem criaram um ambiente de tensão crescente no cenário político nacional. Eduardo Bolsonaro intensificou o discurso nas redes sociais, acusando senadores e governadores de serem “serviçais complacentes dos tiranos” e promovendo a ideia de que o Legislativo refém da “burocracia não eleita” agiria por “medo politiqueiro”. Essas críticas ampliaram o ruído entre as bases bolsonaristas, forçando uma reavaliação das estratégias à medida que lideranças disputam protagonismo rumo a 2026. O episódio também expôs as dificuldades que a extrema direita enfrenta para manter coesão diante de temas estratégicos, enquanto Tarcísio buscou se aproximar de setores que rejeitam privilégios políticos, tentando alinhar sua imagem a uma visão de maior sensibilidade social. O impasse evidenciou as diferentes leituras sobre prerrogativas parlamentares e o peso da opinião pública no jogo de forças entre Executivo e Legislativo, especialmente diante da vigilância e do escrutínio popular cada vez mais elevados.
Desenlace da disputa política e rumos para o bolsonarismo
A rejeição da PEC da Blindagem representa não apenas uma decisão legislativa, mas um ponto de inflexão para o equilíbrio de forças dentro do campo político conservador. Com o arquivamento da proposta, Eduardo Bolsonaro fortalece sua postura crítica diante do que chama de “regime de exceção”, buscando galvanizar apoiadores mais radicais e se posicionando como defensor intransigente das garantias para parlamentares. Por outro lado, Tarcísio de Freitas emerge como uma alternativa pragmática, apta a dialogar com setores insatisfeitos com a política tradicional e com a crescente demanda por accountability. O desfecho do episódio pode alterar de maneira significativa o tabuleiro eleitoral de 2026, já que a rivalidade interna força os postulantes a definirem plataformas claras e a explorarem temas caros ao eleitorado conservador, como imunidades, privilégios e a relação entre os poderes. Com isso, o bolsonarismo entra em uma fase de reorganização, em que o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro tende a ser o diferencial decisivo na disputa por espaço e legitimidade na principal fatia da oposição. Novos capítulos dessa disputa devem se desenrolar nos próximos meses, já que o debate sobre prerrogativas parlamentares, transparência e respaldo popular seguirá no centro do embate político nacional.
Governadores e sociedade criticaram PEC da Blindagem após aprovação na Câmara
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Prerrogativas, apelidada de “PEC da Blindagem”, enfrentou forte oposição de governadores e movimentos populares após sua aprovação na Câmara dos Deputados. Governadores de diferentes estados, como Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Júnior (Paraná) e Romeu Zema (Minas Gerais), manifestaram-se contra a proposta, classificando-a como um retrocesso no combate à impunidade.
Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) foi contundente ao afirmar, em entrevista ao Estadão, que a PEC representava um “divórcio do Congresso Nacional com o povo brasileiro” e alertou para suas “consequências nefastas”. Em postagens nas redes sociais, ele criticou a medida, argumentando que ela abriria espaço para o crime organizado no Congresso, ao proteger políticos de investigações. “Espero que o Senado corrija o erro da Câmara e rejeite a proposta”, declarou.
Ratinho Júnior (PSD-PR), durante evento na Associação Comercial de São Paulo, classificou a PEC como “inapropriada” e criticou a falta de debate sobre o tema. “A sociedade lutou para acabar com o foro privilegiado, e essa medida inverte essa lógica. Quem comete um ato deve responder como qualquer cidadão”, afirmou. Ele também destacou que muitos deputados admitiram ter votado sem compreender plenamente o texto.
Romeu Zema (Novo-MG) reforçou as críticas, alinhando-se à posição de seu partido, que rejeitou a proposta. Em declaração ao Estadão, Zema condenou o voto secreto para proteger deputados pegos em flagrante, a concessão de foro privilegiado a dirigentes partidários e a obstrução de investigações contra políticos. “Sempre defendi a anistia e critiquei abusos do STF, mas a direita não pode cair na armadilha dessa PEC”, alertou.
A ausência de manifestação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chamou a atenção, já que ele não se pronunciou sobre o tema até então. Além dos governadores, deputados federais também expressaram arrependimento pela aprovação da PEC, reconhecendo falhas no processo.
No fim de semana anterior, milhares de pessoas protestaram em diversas cidades brasileiras contra a PEC da Blindagem e a proposta de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. As manifestações, que lembravam um showmício, expressaram a indignação popular contra medidas percebidas como entraves ao combate à corrupção e à impunidade, intensificando a pressão para que o Senado rejeitasse a proposta.
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