março 7, 2026

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Paciente recebe 5 órgãos do mesmo doador após 4 anos na fila

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Brasiliense supera longa espera e é selecionado para transplante raro de cinco órgãos.

Transplante multivisceral muda a vida de paciente após quatro anos na fila.

Luiz Perillo, arquiteto de Brasília de 35 anos, foi confirmado para um dos procedimentos mais complexos da medicina brasileira: o transplante multivisceral. Após quatro anos de angústia na lista de espera, ele finalmente recebeu a notícia tão aguardada de que um doador compatível tinha sido encontrado na manhã desta terça-feira (23) em São Paulo. O procedimento envolve a substituição de cinco órgãos vitais — estômago, pâncreas, fígado, intestino e rim — todos vindos de um único doador, reduzindo as chances de rejeição. Ao ser comunicado, Luiz se tornou um dos primeiros brasileiros a se beneficiar da incorporação do transplante multivisceral ao Sistema Único de Saúde (SUS), resultado de uma batalha liderada por médicos, associações e pacientes por mais acesso ao tratamento. Com a cirurgia marcada, Perillo comemora a oportunidade de recuperar a autonomia e perspectiva de vida, ressaltando o papel do apoio familiar e da equipe médica na travessia dessa jornada marcada por superação, esperança e resiliência.

O caso de Luiz Perillo é marcado por desafios que vão muito além do tempo de espera. Diagnosticado com trombofilia aos vinte anos, condição que favorece coagulação e formação de trombos, ele acompanhou a degradação progressiva dos órgãos ao longo de vários anos. A doença comprometeu em 2018 a veia porta do sistema digestivo, levando à falência gradativa de estômago, fígado, pâncreas, intestino e rim. Durante esse processo, Luiz enfrentou internações prolongadas, nutrição parenteral e hemodiálise constante, chegando a pesar apenas 34 kg em alguns momentos críticos. O transplante multivisceral surgia para ele como única esperança viável, mas até este ano não fazia parte do protocolo do SUS, tornando o acesso restrito e dificultando imensamente a chance de um procedimento deste porte. Com a mudança da política pública anunciada em fevereiro, novas portas foram abertas para pacientes em situações similares. A expectativa agora é que mais brasileiros possam acessar esse tipo de cirurgia, que até então era realidade para poucos centros de referência nacionais.

A incorporação do transplante multivisceral pelo SUS é considerada pela comunidade médica uma conquista histórica, ampliando a cobertura e o investimento nos procedimentos mais complexos. Até o momento, apenas seis centros autorizados realizam a cirurgia, a maioria localizada em São Paulo e Rio Grande do Sul, o que obriga pacientes como Luiz a mudarem de estado buscando tratamento. Especialistas apontam que o custo de um transplante multivisceral pode ser até dez vezes maior que o de transplantes convencionais, evidenciando a necessidade de recursos e estrutura especializada. Em 2024, somente dois transplantes deste tipo foram realizados entre os mais de 9,4 mil em todo o país, o que escancara o desafio da fila que ainda conta com outras seis pessoas aguardando essa chance. Para que o procedimento aconteça, não basta apenas o diagnóstico e a disponibilidade de centros: todos os órgãos precisam estar intactos e virem do mesmo doador, exigindo também preparo físico do paciente para enfrentar uma cirurgia de horas. O impacto dessa política é sentido não apenas por Luiz, mas por todos que vislumbram uma nova esperança de vida com avanços na saúde pública.

Luiz Perillo simboliza o resultado de uma luta coletiva por transformação no cenário de transplantes complexos no Brasil. Sua seleção para o transplante abre possibilidades para que outros aguardam na fila e fortalece campanhas pela doação de órgãos, fundamental para salvar vidas em situações críticas. Atualmente, a autorização da família ainda é indispensável para que a doação aconteça e existe a possibilidade de manifestar a vontade tanto na Carteira de Identidade quanto por Autorização Eletrônica. O futuro deste tipo de procedimento é promissor com a expansão de centros credenciados, tornando mais acessível o sonho de voltar a viver plenamente para centenas de pacientes. A história de Luiz, marcada pela espera e superação, agora ganha novos capítulos e mostra como avanços em políticas públicas podem transformar vidas e trazer esperança a quem enfrenta situações limite nas filas de transplantes.

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Novas perspectivas para transplantes complexos no Brasil

O caso do arquiteto Luiz Perillo evidencia o quanto a inclusão do transplante multivisceral no SUS pode modificar o panorama da saúde nacional. Ao se tornar um dos primeiros pacientes beneficiados pela novidade, ele inspira aqueles que continuam aguardando por um doador compatível e destaca a importância da doação de órgãos no país. As mudanças recentes apontam para uma ampliação do acesso, estimulando hospitais e profissionais a buscarem credenciamento para realizar o procedimento. Paralelamente, campanhas de conscientização seguem reforçando o papel da população na decisão solidária que transforma destinos e salva vidas. Com a expectativa de novos centros entrando em operação e maior incentivo governamental, o futuro para pacientes de alta complexidade desponta como promissor. As filas deverão ser impactadas positivamente, oferecendo condições mais humanas e eficazes para quem depende de ações integradas entre família, médicos e políticas públicas. Luiz, agora diante da chance de recomeçar, representa esperança renovada para milhares de brasileiros que ainda lutam por uma segunda oportunidade.

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