Bolsonaro busca apoio de advogado de Trump após tarifaço e elogia presidente dos EUA
7 min readBolsonaro solicita orientação de advogado de Trump sobre tarifaço e elogia presidente dos EUA, segundo áudio revelado pela PF.
Relatório da PF revela articulação sobre tarifas contra produtos brasileiros.
Um relatório da Polícia Federal divulgado em agosto apontou que o ex-presidente Jair Bolsonaro procurou diretamente o advogado Martin De Luca, representante de interesses ligados a Donald Trump, para receber orientações sobre como responder publicamente ao anúncio do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A movimentação aconteceu logo após o governo americano, ainda sob comando de Trump, impor um aumento significativo de 50% nas tarifas para determinadas exportações brasileiras, impactando diversos setores da economia nacional. Segundo gravações recuperadas pela PF, Bolsonaro manifestou entusiasmo com a postura de Trump, demonstrando gratidão ao então presidente dos EUA em mensagens enviadas ao advogado. Os diálogos indicam que Bolsonaro buscou respaldo para redigir uma nota elogiosa a Trump, ressaltando que “a questão da liberdade está acima da questão econômica”, e pediu a De Luca que revisasse e aperfeiçoasse sua comunicação à população brasileira e à comunidade internacional sobre o episódio. As conversas ocorreram durante um contexto de tensão comercial e de questionamentos sobre o alinhamento político entre os dois ex-presidentes, trazendo à tona possíveis estratégias de cooperação e influência que extrapolam o âmbito estritamente diplomático.
O pedido de orientação feito por Bolsonaro ao advogado de Trump gerou reações distintas no meio político e reforçou a discussão sobre a relação próxima entre o ex-líder brasileiro e agentes ligados aos Estados Unidos. A PF mapeou conversas em aplicativos de mensagens e áudios nos quais o ex-presidente agradece diretamente a Trump pelo gesto, enquanto buscava apresentar aos públicos nacional e internacional uma narrativa de que estaria sendo perseguido por adversários internos. O impacto imediato do tarifaço foi sentido por produtores, exportadores e investidores, que passaram a buscar explicações e alternativas diante do aumento repentino das taxas sobre suas mercadorias. Nos bastidores, aliados de Bolsonaro reconheceram o desgaste gerado pela articulação, mas afirmaram que o ex-presidente via na aproximação com Trump uma forma de sinalizar força perante seus apoiadores e ampliar sua rede de apoio internacional neste período de investigações e pressões judiciais. Ao mesmo tempo, o relatório trouxe à tona o papel estratégico desempenhado pelo advogado Martin De Luca, que já atuava na ponte entre as organizações Rumble e Trump Media & Technology Group e setores alinhados ao bolsonarismo no Brasil.
Como desdobramento, as ações de Bolsonaro após o episódio do tarifaço são analisadas sob diferentes prismas. Investigadores e analistas apontam que o episódio não apenas escancarou um grau inédito de alinhamento entre Bolsonaro e Trump, mas também suscita dúvidas sobre a defesa de interesses nacionais diante de um cenário de sanções econômicas impostas por um parceiro tradicional. A atuação do advogado Martin De Luca firmou-se como elo entre os discursos de ambos os ex-presidentes, principalmente no contexto de elaboração de comunicações públicas voltadas para redes sociais e grupos de influência. Segundo a PF, Bolsonaro demonstrou dependência de orientações vindas do exterior, algo visto criticamente por setores do governo e por economistas, que alertam para possíveis riscos à soberania na condução da política externa e comercial brasileira. Para os aliados do ex-presidente, contudo, a busca por conselhos internacionais refletiria uma estratégia legítima de fortalecimento de sua imagem global e de criação de uma rede de solidariedade política, ainda que à custa de críticas internas relacionadas ao potencial prejuízo econômico imediado causado pelo tarifaço.
A apuração sobre a articulação de Bolsonaro para responder ao tarifaço imposto por Donald Trump segue em curso, com expectativas de novos fatos virem à tona em futuras etapas das investigações conduzidas pela Polícia Federal e acompanhadas de perto pela Procuradoria-Geral da República. O episódio reacende debates sobre as linhas que devem separar relações diplomáticas de interesses pessoais e políticos, especialmente diante de decisões com grande impacto econômico para o Brasil. No campo político, o desgaste junto a setores produtivos pode influenciar o debate eleitoral e as articulações de alianças, enquanto nos bastidores diplomáticos permanece o desafio de reconstruir pontes e negociações bilaterais no pós-tarifaço. A perspectiva de médio prazo aponta para a necessidade de respostas transparentes das autoridades envolvidas e um reequilíbrio das relações comerciais, tema que permanece no centro da agenda política e econômica. Novas manifestações do Ministério da Economia e do Itamaraty são aguardadas sobre as estratégias futuras para lidar com as consequências do tarifaço e os próximos passos da retomada do diálogo com os EUA.
Caminhos e repercussões da articulação internacional
A análise do impacto da articulação de Bolsonaro envolvendo o tarifaço imposto por Donald Trump se desdobra em diferentes esferas, oferecendo ao debate público múltiplos olhares sobre a condução de temas estratégicos para a política brasileira. O episódio ressaltou a relevância do alinhamento personalista entre lideranças nacionais e internacionais, expondo consequências diretas para exportadores e investidores do Brasil que dependem das condições comerciais impostas pelos Estados Unidos. O desdobramento judicial e político do caso pode definir parâmetros sobre a atuação de autoridades na defesa dos interesses nacionais, definindo diretrizes para eventuais futuras negociações e para o relacionamento com grandes potências econômicas. No cenário atual, a expectativa é que o episódio impulsione discussões mais transparentes sobre políticas de defesa comercial e influência política externa, demandando posicionamentos mais claros e estratégicos das lideranças brasileiras. A sociedade, por sua vez, aguarda respostas concretas que demonstrem o compromisso das autoridades com a defesa dos interesses coletivos e a capacidade de superar crises decorrentes de pressões externas, fortalecendo o papel do Brasil no cenário internacional.
Malafaia critica Bolsonaro por atacar Eduardo e apoiar Tarcísio: “Queimar seu garoto, isso não dá”
O pastor Silas Malafaia criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por afirmar em entrevista que seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), não seria “tão maduro”. A declaração ocorreu após a imposição de tarifas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, em meio a desentendimentos entre Eduardo e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em áudio obtido pela Polícia Federal (PF), Malafaia repreendeu Bolsonaro: “Presidente, me perdoe, mas defender Tarcísio, que você enviou à embaixada para falar com Gilmar, tudo bem. Agora, queimar seu garoto, isso não. Eu cobro Eduardo, mando mensagens criticando, mas isso é um erro estratégico grave. Não precisava atacar o rapaz, veja o trabalho que ele faz.” O áudio faz parte de um inquérito da PF que apura tentativas de Bolsonaro e Eduardo de interferir em um julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Ambos foram indiciados por coação no curso de processo e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, em relação à ação penal do golpe em andamento no STF. Malafaia, por sua vez, foi alvo de busca e apreensão e teve o passaporte retido pela PF em 20 de agosto de 2025.
Áudio interceptado pela PF revela Malafaia confirmando papel de Tarcísio como interlocutor no STF
Um áudio interceptado pela Polícia Federal (PF) revelou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi enviado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para atuar como interlocutor junto a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A gravação, parte de conversas entre Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia, confirmou informações divulgadas em junho sobre a estratégia de Tarcísio de evitar críticas diretas aos magistrados da Corte. No áudio, Malafaia menciona que Bolsonaro instruiu Tarcísio a dialogar com o ministro Gilmar Mendes e criticou o ex-presidente por chamar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) de “imaturo” após desentendimentos com Tarcísio.
Em junho, após críticas de Eduardo por sua “complacência” ao não atacar diretamente o ministro Alexandre de Moraes, Tarcísio confidenciou a interlocutores que preferia atuar como “ponte” com o STF, aproveitando sua relação com magistrados, em vez de confrontá-los. Na investigação sobre articulações para sanções dos EUA contra Moraes e o governo brasileiro, o áudio também destaca o papel de Eduardo junto a autoridades americanas. Malafaia reprovou Bolsonaro por criticar o filho: “Você não precisava bater no rapaz. Ele está trabalhando com assessores de Trump, conseguindo tudo isso que o Trump está fazendo. Você errou feio.”
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