março 7, 2026

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Hugo Motta impede comissões da Câmara de homenagearem Bolsonaro

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Comissões do PL ignoram recesso e se articulam na Câmara em defesa de Jair Bolsonaro.

Comissões do PL se reúnem durante recesso para votar moções de apoio a Bolsonaro.

Em meio ao recesso parlamentar, duas comissões da Câmara dos Deputados presididas por deputados do Partido Liberal (PL) marcaram reuniões deliberativas para esta terça-feira, 22 de julho de 2025, com o objetivo central de discutir e votar moções de apoio político ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão de se reunir durante o chamado “recesso branco” — quando o Congresso tecnicamente não deveria funcionar, mas ainda há movimentação informal — contrariou diretamente a orientação do presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), que confirmou o recesso e vetou sessões deliberativas e reuniões de comissões permanentes até o início de agosto. As duas comissões — de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, presidida por Paulo Bilynskyj (PL-SP), e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, comandada por Filipe Barros (PL-PR) — marcaram suas sessões para 10h, com pautas dedicadas integralmente à defesa de Bolsonaro, que enfrenta medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Contexto, motivações e reação das lideranças da Câmara

O que levou as comissões ligadas ao PL, partido do ex-presidente, a quebrarem o recesso e realizarem encontros extraordinários foi a reação à decisão do STF de impor medidas cautelares a Bolsonaro, consideradas por eles como um recado político. O presidente Hugo Motta havia negado o pedido de parlamentares para adiar o recesso, argumentando que este era o momento para obras de manutenção e reformas na Casa, e reafirmou que as atividades legislativas permaneciam encerradas até 4 de agosto, data prevista para o retorno das sessões ordinárias. No entanto, deputados do PL decidiram ignorar a presidência e realizar as sessões de comissões, sinalizando disrupção política mesmo dentro do próprio governo. O ato foi interpretado como uma demonstração de força da bancada bolsonarista, disposta a pressionar o Judiciário e a Presidência da Câmara, enquanto se prepara para reagir às decisões do STF e às investigações da Polícia Federal contra o ex-presidente.

Desdobramentos, análise dos documentos e impactos parlamentares

Nos documentos em discussão, a Comissão de Segurança Pública propõe uma moção de solidariedade a Bolsonaro, atribuindo à atuação do Judiciário efeitos diretos sobre a ordem e a segurança pública do país, além de acusar perseguição política ao ex-presidente. Já a Comissão de Relações Exteriores, por sua vez, tem duas moções na pauta: uma manifesta repúdio às medidas cautelares impostas pelo STF, classificando-as como “coercitivas e arbitrárias”, e a outra propõe um voto de louvor ao ex-presidente, exaltando sua trajetória política. A iniciativa, além de demonstrar unidade da bancada em torno de Bolsonaro, também tensiona o relacionamento entre o PL e a presidência da Câmara, expondo cisões dentro da base governista sobre o tema da defesa do ex-presidente. Especialistas apontam que o movimento pode influenciar futuras negociações no Congresso, especialmente em temas vinculados à reforma do Judiciário, segurança pública e até mesmo na condução de votações prioritárias do governo.

Perspectivas, reações políticas e o fim do recesso

Apesar da pressão da oposição e da controvérsia em torno da movimentação, o presidente Hugo Motta manteve a decisão de não reabrir o plenário antes do prazo previsto, reafirmando a importância do recesso para manutenção da Casa. O movimento protagonizado pelo PL, porém, sinaliza uma disposição de agir de forma independente e mesmo conflituosa quando se trata de Bolsonaro, o que pode se repetir em futuras ocasiões de embate entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Paralelamente, o episódio reforça a fragmentação das forças políticas no Congresso, evidenciando diferentes graus de influência e organização dentro da base aliada. Com o fim do recesso previsto para 4 de agosto, a tendência é que o tema continue em pauta, especialmente se novas decisões judiciais relacionadas ao ex-presidente forem anunciadas. A cobertura das próximas semanas deverá acompanhar de perto o alinhamento entre partidos, a evolução das investigações e o impacto dessas decisões no cenário político nacional — tudo isso com possíveis reflexos no calendário legislativo, na composição do governo e na imagem pública da base parlamentar pró-Bolsonaro.

Hugo Motta impede homenagem a Bolsonaro em comissões da Câmara no recesso parlamentar

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), vetou a realização de uma sessão nas comissões de Segurança Pública e de Relações Exteriores, marcada para terça-feira, 22, que homenagearia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o recesso parlamentar. A decisão foi formalizada por um ato assinado por Motta, que proíbe reuniões de comissões entre 22 de julho e 1º de agosto. Até a tarde de segunda-feira, 21, a participação de Bolsonaro era considerada confirmada.

O ex-presidente recuou após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que sua defesa explicasse, em 24 horas, postagens em redes sociais e a exibição de uma tornozeleira eletrônica na Câmara na segunda-feira. Com a proibição, as moções de homenagem devem ser votadas apenas em agosto, com a retomada das atividades parlamentares.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), classificou a decisão de Motta como “ilegal” e “antirregimental”, argumentando que, com Motta e o primeiro-vice-presidente, Altineu Côrtes (PL-RJ), fora do país, a decisão caberia ao presidente em exercício, Elmar Nascimento (União-BA). “É subserviência submeter-se a uma decisão ilegal. Até quando?”, questionou Sóstenes.

Um parecer jurídico da Secretaria-Geral da Mesa rebateu: “O afastamento do presidente para compromissos institucionais no exterior não impede a assinatura remota de documentos administrativos urgentes”. Mais cedo, Motta entrou em contato com os presidentes das comissões, Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Filipe Barros (PL-PR), pedindo que cancelassem as sessões para evitar desgaste pessoal. A negociação foi repassada a Sóstenes, mas deputados do PL rejeitaram a proposta, alegando que Motta não cumpre promessas.

No fim, Motta decidiu proibir a sessão. A oposição cogitou realizá-la mesmo assim, mas recuou por temor de punições e alto custo político. Parlamentares bolsonaristas afirmam que as sessões já estavam agendadas desde sexta-feira, 18, e haviam sido discutidas com Motta, que, segundo eles, tentou cancelá-las de última hora.

“Queremos exercer nosso papel parlamentar”, declarou o líder da oposição, Zucco (PL-RS). Deputados bolsonaristas colocaram uma placa com o nome de Bolsonaro no plenário, mas o deputado General Pazuello (PL-RJ) alertou Zucco que o item poderia causar problemas se continuasse exposto. Embora a Câmara não esteja oficialmente em recesso, devido à não aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), adotaram um “recesso branco”, esvaziando a pauta legislativa por duas semanas. Nesse período, as comissões podem funcionar normalmente.

Deputados bolsonaristas viajaram a Brasília durante o recesso, iniciado na sexta-feira, para discutir com Bolsonaro reações às medidas restritivas impostas por Moraes. Inicialmente, planejavam retomar as atividades legislativas, mas o pleito foi frustrado por Motta e Alcolumbre, que mantiveram o recesso. Como alternativa, planejaram a sessão emergencial nas comissões e a criação de grupos para discutir estratégias de comunicação e manifestações.

Após o recesso, no Senado, a oposição pretende pautar o impeachment de Moraes; na Câmara, o foco é aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para acabar com o foro privilegiado e anistiar os presos do 8 de Janeiro.

Oposição critica STF por “ditadura da toga” e chama manifestações

Durante coletiva na Câmara, líder do PL denuncia “censura” a Bolsonaro e prioriza anistia aos presos do 8 de janeiro

O líder da oposição na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), declarou na segunda-feira (21/7) que o Brasil vive uma “democracia relativa” e acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de impor uma “ditadura da toga”. A afirmação foi feita em entrevista coletiva na Câmara, após reunião emergencial do Partido Liberal (PL) com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Sóstenes, Bolsonaro não participou da coletiva por recomendação de seus advogados, devido a restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, como uso de tornozeleira eletrônica, toque de recolher e proibição de falar com a imprensa. “Por mais uma ordem de censura de Moraes, seus advogados o orientaram a não falar com a imprensa. Essa é a democracia relativa que vivemos”, afirmou.

Sóstenes informou que mais de 54 deputados e dois senadores interromperam o recesso parlamentar para o encontro, que incluiu representantes do PL, Republicanos, Progressistas, União Brasil, Novo e PSB, motivados pela gravidade da crise política e institucional. “Eles deixaram suas famílias e bases eleitorais para estar em Brasília diante da situação que o país enfrenta”, disse. 

Comissões internas

A reunião definiu a criação de três comissões internas. A primeira, liderada por Gustavo Gayer (PL-GO), alinhará a comunicação dos parlamentares nas redes sociais e na imprensa. A segunda, coordenada por Cabo Gilberto (PL-PB), organizará ações de pressão e articulação com as mesas diretoras da Câmara e do Senado. A terceira será responsável por mobilizações externas, envolvendo a militância bolsonarista, com reuniões diárias das 17h às 19h para ajustar estratégias.

Sóstenes criticou a política externa do governo Lula, responsabilizando-o pela crise diplomática com os EUA e pelas sanções contra Bolsonaro. “O presidente eleito deveria resolver o tarifaço americano com diplomacia, mas o governo prefere atacar e provocar, encontrando presidentes de esquerda latino-americanos”, disse.

Durante a reunião, deputados exibiram uma bandeira do Brasil, presente de Bolsonaro, que a autografou. Sóstenes relatou que o ex-presidente se emocionou ao descrever a humilhação de usar tornozeleira eletrônica e a proibição de falar com seu filho. “Um homem honrado, um pai que não pode se comunicar com o filho. Isso nem na inquisição existia”, lamentou.

Anistia

Entre as prioridades para o segundo semestre, Sóstenes destacou a anistia aos presos do 8 de janeiro como meta principal da oposição. O grupo também cobrará a votação da PEC 333, que altera o foro privilegiado. “Não abriremos mão de pautar a anistia dos presos políticos do 8 de janeiro. Mais de 60 parlamentares respondem processos no STF. Isso não é democrático nem constitucional”, afirmou.

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