Brasil intensifica liderança por nova moeda no Brics e desafia hegemonia do dólar
5 min readBrasil reforça liderança por nova moeda no Brics e contesta domínio do dólar.
Campanha pela desdolarização ganha força entre países do Brics.
O Partido dos Trabalhadores aumentou sua atuação nas redes sociais nas últimas semanas ao reforçar o discurso de desdolarização entre os integrantes do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O movimento segue alinhado ao posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defende abertamente uma nova ordem financeira global, menos dependente do dólar americano. Durante a cúpula do Brics realizada no início de julho no Rio de Janeiro, Lula propôs alternativas reais ao uso da moeda norte-americana nas transações do bloco e questionou a legitimidade histórica do dólar como padrão internacional. Frases marcantes como “Desdolarizai-vos #OBrasiléSoberano” e imagens do vira-lata caramelo viralizaram, simbolizando o apelo popular da campanha. O PT afirma que o Brasil está pronto para liderar esse processo e sustenta que um novo tempo exige coragem para mudanças estruturais profundas no sistema econômico global. O protagonismo brasileiro, impulsionado por essas ações, tem provocado debates intensos sobre soberania e autonomia no cenário financeiro internacional, onde a dependência do dólar é vista como um entrave à modernização das relações comerciais.
O contexto da discussão sobre a desdolarização entre os países do Brics se fundamenta numa busca por maior independência financeira e proteção diante de eventuais sanções econômicas impostas por potências ocidentais. Um dos principais temas debatidos na 17ª Cúpula do Brics foi justamente a criação de um sistema de pagamentos alternativo ao Swift, principal rede global de transações bancárias controlada pelo Ocidente. A ideia central é viabilizar a interoperabilidade dos sistemas financeiros nacionais e tornar as transações entre os membros do bloco mais acessíveis, rápidas e seguras, afastando-se gradativamente da necessidade de intermediação pelo dólar. A articulação para a desdolarização inclui o fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), capitaneado por Dilma Rousseff, e a implementação de mecanismos multilaterais de garantia, infraestrutura de liquidação, custódia e resseguro regional, consolidando um ecossistema financeiro próprio. Países como China e Rússia, que tradicionalmente defendem a desdolarização, encontram agora maior engajamento brasileiro, especialmente com o Brasil na presidência rotativa do bloco em 2025. Assim, o tema ganha fôlego renovado e passa a integrar as prioridades estratégicas do grupo.
Os impactos da intensificação da campanha brasileira pela desdolarização já se refletem em tensões diplomáticas, sobretudo com os Estados Unidos, que historicamente defendem a supremacia do dólar no comércio internacional. Recentemente, o governo americano advertiu sobre possíveis consequências econômicas para quem desafiar a hegemonia do dólar, chegando a anunciar tarifas elevadas contra o Brasil em resposta ao movimento. Apesar do ambiente de pressão, dirigentes do PT e aliados consideram inevitável e irreversível o avanço de discussões sobre alternativas à moeda americana nos fóruns multilaterais. Lideranças nacionais e internacionais apontam que a virada para um sistema multipolar, com moedas locais valorizadas e maior integração regional, poderá beneficiar não apenas os países do Brics, mas todas as nações do Sul Global. A busca por ferramentas que garantam mais autonomia financeira e comercial é vista como indispensável para reduzir vulnerabilidades e democratizar a tomada de decisões no tabuleiro econômico mundial. O fortalecimento do NDB e de sistemas regionais próprios já começa a ser visto como pilar fundamental desse processo de transformações estruturais.
Perspectivas após avanço da desdolarização
O cenário futuro aponta para uma intensificação dos debates sobre a desdolarização não só no seio dos Brics, mas também em outros blocos e países que buscam alternativas à dependência do dólar. Com o Brasil assumindo papel central, as expectativas são de que novos acordos bilaterais e multilaterais passem a privilegiar moedas locais, ampliando a soberania econômico-financeira dos integrantes. Analistas consideram que, embora o processo seja gradativo e demande articulação política e técnica entre bancos centrais, ele já está em curso e tende a se consolidar nos próximos anos. A proposta de sistemas de pagamentos próprios, vinculados ao Novo Banco de Desenvolvimento, fortalece a posição dos países do Brics frente a possíveis crises e pressões externas. Dessa maneira, o Brasil se posiciona estrategicamente como articulador de uma nova ordem global, mais plural e democrática, em que as relações comerciais deixem de ser tuteladas por uma única potência. A liderança brasileira na agenda da desdolarização tende a colocar o país no centro do debate internacional, abrindo oportunidades para inovação, investimentos e crescimento econômico sustentável entre os integrantes do bloco e em toda a comunidade internacional.
PT investe até R$ 34 mil para impulsionar vídeo que retrata Bolsonaro como ventríloquo de Trump
O PT está destinando até R$ 34 mil para promover, no Facebook e no Instagram, um vídeo que apresenta o ex-presidente Jair Bolsonaro como um boneco de ventríloquo do presidente dos EUA, Donald Trump, visando alcançar mais de um milhão de pessoas. A estratégia busca desgastar a oposição e fortalecer a imagem do presidente Lula.
Os impulsionamentos, que ampliam o alcance de publicações nas plataformas, incluem gastos de R$ 20 mil a R$ 25 mil em uma postagem e de R$ 8 mil a R$ 9 mil em outra, conforme dados divulgados pela Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram.
Produzido com inteligência artificial, o vídeo mostra um boneco semelhante a Bolsonaro, apelidado de “Bolsoneco” pelo PT, usando um boné com o slogan “Make America Great Again”, associado a Trump. No vídeo, o boneco diz: “Isso mesmo, seu Trump! Tem que taxar mesmo”, em referência à sobretaxa de 50% anunciada por Trump na quarta-feira (9) para exportações brasileiras aos EUA. A medida foi mencionada em uma carta de Trump, que também criticou o julgamento da trama golpista no Brasil, chamando-o de “caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE” [em maiúsculas no original].
A sobretaxa também foi influenciada por ações do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que pressionou nos EUA por anistia ao pai e a investigados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. A menção de Trump a assuntos internos brasileiros foi vista pelo governo como um ataque à soberania nacional, sendo usada para reforçar a imagem de Lula como líder.
Após o anúncio de Trump, o ministro Sidônio Palmeira publicou: “Lula quer taxar os super-ricos, Bolsonaro quer taxar o Brasil”, conectando a resposta à sobretaxa com a proposta do governo de aumentar impostos para milionários, visando cumprir regras fiscais sem cortes em serviços públicos.
Apesar de geralmente perder espaço nas redes para bolsonaristas, o PT obteve maior engajamento nas últimas semanas, especialmente ao abordar a taxação de milionários. O partido também investiu de R$ 90 mil a R$ 100 mil em outro vídeo sobre o tema. A Folha de S.Paulo buscou comentário do PT sobre os impulsionamentos, mas não obteve resposta até a publicação.
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