Datafolha indica que maioria dos brasileiros sente vergonha do STF, do Congresso e de Lula
4 min readMaioria dos brasileiros expressa vergonha do Supremo Tribunal Federal.
Pesquisa revela desaprovação crescente entre a população.
‘Pesquisa Datafolha, divulgada em 28 de junho de 2025, revela que a maioria dos brasileiros sente vergonha de senadores (59%), deputados federais (58%), Supremo Tribunal Federal (58%) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (56%), com percentuais empatados dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. O levantamento, realizado com 2.004 pessoas em 136 municípios, aponta maior percepção negativa do STF entre apoiadores de Bolsonaro. Por outro lado, a maioria expressa orgulho de prefeitos (62%), Forças Armadas (55%) e governadores (52%). Além disso, 61% dos entrevistados afirmam sentir orgulho do “povo brasileiro”, indicando alta autoestima.’
Um levantamento realizado pelo Instituto Datafolha nos dias 10 e 11 de junho revelou que 58% dos brasileiros afirmam sentir vergonha dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado aponta para um cenário de insatisfação generalizada em relação à mais alta Corte do Judiciário brasileiro. Apenas 30% dos entrevistados disseram sentir orgulho do STF, enquanto os demais se dividiram entre indecisos ou não responderam. Essa avaliação negativa também se reflete em outras instituições públicas, mas o foco no Supremo ganha força devido ao papel central que a Corte desempenha em decisões de grande repercussão nacional. O crescimento desse sentimento de vergonha está ligado a fatores como decisões polêmicas, visibilidade mediática dos magistrados e a desconexão entre parte das ações da Corte e as expectativas da sociedade.
Os resultados reforçam uma tendência de polarização política, mostrando como a confiança no STF está fortemente atrelada à posição partidária dos entrevistados.
A pesquisa também detalhou como o sentimento de orgulho ou vergonha em relação ao STF varia de acordo com o posicionamento político dos brasileiros. Entre aqueles que se identificam como apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, a rejeição é ainda mais intensa: 82% afirmaram sentir vergonha dos ministros, enquanto apenas 12% demonstraram orgulho. Por outro lado, os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostraram uma divisão oposta: 52% disseram ter orgulho do Supremo, enquanto 36% relataram vergonha. O levantamento revelou ainda que, para quem se identifica com o Partido Liberal (PL), a taxa de desaprovação é ainda mais extrema, chegando a 91%. Já entre os simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT), 53% sentem vergonha e 33% demonstram orgulho. A percepção negativa sobre o STF é especialmente significativa quando comparada a outras instituições públicas, como a Câmara dos Deputados e o Senado, que também atingem índices elevados de desaprovação, mas com nuances específicas influenciadas por fatores regionais, econômicos e religiosos. Entre os evangélicos, 66% dizem sentir vergonha dos ministros, enquanto entre os católicos o índice é de 56%.
Os desdobramentos dessa percepção negativa sobre o Supremo Tribunal Federal reverberam em diferentes aspectos da vida pública e política nacional. Primeiramente, afetam a legitimidade e a autoridade institucional do tribunal, que depende de confiança pública para exercer seu papel constitucional de guardião das leis e da Constituição. O crescimento da desaprovação pode influenciar o debate sobre eventuais reformas do Judiciário e aumentar a pressão sobre ministros do STF, especialmente em decisões de grande impacto para o país. A análise de especialistas aponta que essa tendência de rejeição está associada ao aumento do protagonismo do Supremo, que frequentemente assume posições de destaque em temas sensíveis, gerando críticas de setores da sociedade que percebem interferência além dos limites tradicionais do Judiciário. Ao mesmo tempo, muitos observadores destacam que parte dessa desaprovação pode ser resultado de campanhas públicas e discursos de líderes políticos que questionam a atuação do tribunal, acirrando ainda mais a polarização em torno do STF. Por fim, o levantamento mostra que, apesar do alto índice de rejeição, uma parcela significativa da população mantém orgulho dos ministros, sinalizando que o debate em torno do Judiciário ainda permanece aberto e multifacetada.
Futuro do STF e desafios na reconquista da confiança
Diante do atual cenário, o Supremo Tribunal Federal enfrenta o desafio de reconstruir sua imagem e restabelecer a confiança da sociedade brasileira. O levantamento Datafolha traz à tona a necessidade de maior transparência, comunicação eficaz e aproximação entre os ministros e a população, para que decisões complexas e impopulares sejam melhor compreendidas no contexto do Estado Democrático de Direito. Especialistas apontam que o distanciamento entre o STF e grande parte do público pode se tornar um entrave para a estabilidade institucional, caso não sejam adotadas medidas que promovam o diálogo e a prestação de contas. A perspectiva futura indica que o Supremo deverá ser pressionado a atuar com ainda mais cautela, buscando equilibrar sua função constitucional com a necessidade de evitar desgastes desnecessários junto à opinião pública. O resultado da pesquisa serve de alerta para o Judiciário brasileiro sobre a importância da percepção popular, reforçando a centralidade do tribunal em debates nacionais e a urgência de políticas de aproximação institucional. À medida que novas pautas relevantes surgem no cenário político e social, a capacidade do STF de responder de modo transparente e responsável será determinante para reduzir desconfianças e reverter o quadro de desaprovação apontado pelo Datafolha.
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