The Economist: “Lula vê sua influência internacional diminuir e sua popularidade interna cair
6 min readLula enfrenta críticas internacionais e perde apoio interno.
Análise internacional destaca isolamento e queda de influência.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de críticas da influente revista britânica The Economist, que publicou no último domingo uma análise ampla sobre o posicionamento atual do chefe do Executivo brasileiro no cenário internacional e doméstico. A reportagem destacou que Lula, em seu terceiro mandato à frente do país, enfrenta uma visível queda de popularidade dentro do Brasil e vem perdendo espaço e influência no exterior, especialmente entre líderes ocidentais. A publicação ressalta decisões recentes do Itamaraty, como a condenação dos ataques norte-americanos ao Irã – movimento que, segundo a revista, colocou o Brasil em contramão das maiores democracias ocidentais e aumentou o isolamento diplomático do país. A matéria também observa que a aproximação do governo brasileiro com o regime iraniano, evidenciada durante a preparação para a cúpula anual do BRICS, reforça a imagem de distanciamento do Ocidente e alimenta questionamentos sobre a habilidade de Lula em exercer liderança global em um momento de tensão geopolítica crescente.
O texto do The Economist argumenta que a postura adotada pela diplomacia brasileira, sob a liderança de Lula, evidencia uma preferência por alianças estratégicas com países não alinhados ao eixo tradicional das democracias liberais, como China, Rússia e, mais recentemente, Irã. Este contexto foi acentuado pela entrada do Irã no BRICS em 2024, evento que, segundo a revista, fortalece o grupo como instrumento de política externa de potências como China e Rússia e aumenta os desafios para o Brasil manter uma postura de suposta neutralidade. Analistas ouvidos pela publicação consideram que, apesar de o BRICS ter oferecido ao Brasil uma plataforma para influência global no passado, as recentes escolhas diplomáticas tornam o país cada vez mais hostil aos olhos do Ocidente. Além disso, a falta de esforço para estreitar laços com os Estados Unidos desde a posse de Donald Trump em 2025 é apontada como outro fator responsável pelo isolamento do país. Internamente, a própria base de apoio do presidente Lula tem demonstrado sinais de desgaste, refletidos em pesquisas de opinião desfavoráveis e em uma crescente insatisfação com a condução da economia e da política internacional por parte de seu governo.
Os desdobramentos dessas escolhas e posturas se fazem sentir tanto fora quanto dentro do Brasil. No cenário internacional, a percepção de que o país se tornou menos relevante nos debates globais preocupa setores ligados ao comércio exterior e à cooperação multilateral, que temem prejuízos para a posição brasileira em fóruns estratégicos. Em paralelo, o artigo da revista destaca que, mesmo diante das dificuldades, a oposição liderada por Jair Bolsonaro mantém influência considerável, e o enfraquecimento da imagem de Lula no exterior alimenta movimentos internos contrários ao governo. A publicação sugere que, caso a direita consiga se unir em torno de um sucessor forte antes das eleições de 2026, o caminho para a retomada do poder pode ser pavimentado em meio ao atual quadro de desaprovação ao petista. Ainda segundo a análise, o distanciamento geopolítico do Brasil das grandes potências ocidentais limita sua eficácia em temas sensíveis como Ucrânia ou Oriente Médio, e a insistência de Lula em posicionar o país como mediador global é vista como inócua diante desses desafios.
Desafios e perspectivas para o governo Lula no cenário global
Diante do quadro traçado pela The Economist, o futuro político do presidente Lula apresenta desafios significativos tanto na arena internacional quanto na doméstica. A manutenção de uma diplomacia pautada pelo distanciamento em relação ao Ocidente e a aproximação de regimes contestados tende a agravar o isolamento do Brasil nos principais fóruns decisórios do mundo. Este cenário pode ter impactos diretos na economia, especialmente em áreas como exportações, investimentos externos e atração de tecnologia. Além disso, o desgaste contínuo de sua popularidade interna sugere a necessidade de mudanças estratégicas caso o governo deseje reverter a trajetória de queda antes das próximas eleições presidenciais. Por fim, especialistas apontam que o realinhamento de prioridades para focar em temas mais próximos do cotidiano brasileiro e a busca por maior pragmatismo nas relações internacionais podem ser caminhos viáveis para reconstruir credibilidade e influência, tanto junto à população quanto entre seus pares globais.
Governo brasileiro contesta críticas da ‘The Economist’ sobre Lula em carta; confira o texto completo
A revista The Economist publicou um artigo no domingo, 29, chamando o presidente Lula (PT) de “incoerente no exterior” e “impopular em casa”. Em resposta, o ministro Mauro Vieira enviou uma carta na terça-feira, 1, defendendo o governo. O artigo critica Lula por condenar ataques dos EUA e Israel ao Irã, considerados pelo Brasil uma violação do direito internacional, e por sua atuação nos Brics, que faria o país parecer “hostil ao Ocidente”. A revista também aponta falta de diálogo com Trump e de liderança na América Latina contra políticas do presidente americano.
Vieira rebate, afirmando que o Brasil segue o direito internacional e que Lula tem “autoridade moral indiscutível”. Ele destaca a proposta de taxação de bilionários, a liderança nos Brics por um mundo mais pacífico e a condenação coerente da invasão da Ucrânia. A carta enfatiza que Lula critica a corrida armamentista, priorizando o combate à fome e às mudanças climáticas.
Veja a carta na íntegra
“Em relação ao recente artigo publicado na sua página na internet em 29 de junho, gostaria de fazer as seguintes considerações.
Poucos líderes mundiais, como o Presidente Lula, podem dizer que sustentam com a mesma coerência os quatro pilares essenciais à humanidade e ao planeta: democracia, sustentabilidade, paz e multilateralismo. Como Presidente do G20, Lula construiu um difícil consenso entre os membros, no ano passado, e ao longo do processo logrou criar uma ampla aliança global contra a fome e a pobreza. Também apresentou uma ousada proposta de taxação de bilionários que terá incomodado muitos oligarcas.
O Brasil vê o BRICS como ator incontornável na luta por um mundo multipolar, menos assimétrico e mais pacífico. Nossa presidência trabalhará para fortalecer o perfil do grupo como espaço de concertação política em favor da reforma da governança global e como esfera de cooperação em prol do desenvolvimento e da sustentabilidade.Sob a liderança de Lula, o Brasil tornou-se um raro exemplo de solidez institucional e de defesa da democracia. Mostrou-se um parceiro confiável que respeita as regras multilaterais de comércio e oferece segurança a investidores. Como um país que não tem inimigos, o Brasil é também um coerente defensor do direito internacional e da resolução de disputas por meio da diplomacia. Não fazemos tratamento à la carte do direito internacional nem interpretações elásticas do direito de autodefesa. Lula é um eloquente defensor da Carta das Nações Unidas e das Convenções de Genebra.
A posição do Brasil quanto aos ataques ao Irã e, sobretudo, às instalações nucleares é coerente com esses princípios. Nossa condenação responde ao fato elementar de que essas ações constituem uma flagrante transgressão da Carta da ONU. Ferem, em particular, as normas da Agência Internacional de Energia Atômica, organização responsável por prevenir contaminação radioativa e desastres ambientais de larga escala.
Na gestão do Presidente Lula, o Brasil condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, ao mesmo tempo em que apontou a necessidade de abrir caminhos para uma resolução diplomática do conflito, ainda em 2023.Lula não é popular entre os negacionistas climáticos. Em face de uma nova corrida armamentista, ele está entre os líderes que denunciam a irracionalidade de investir na destruição, em detrimento da luta contra a fome e do aquecimento global.
Para humanistas de todo o mundo, incluindo políticos, líderes empresariais, acadêmicos e defensores dos direitos humanos, o respeito à autoridade moral do presidente Lula é indiscutível.”
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