Governo considera recorrer à Justiça após Congresso revogar decreto do IOF
6 min readGoverno avalia judicialização após Congresso derrubar decreto do IOF.
Decisão do Congresso abre crise fiscal e acirra conflito com Executivo.
Em mais um capítulo do embate entre os Poderes, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou publicamente nesta quinta-feira, dia 26 de junho de 2025, que juristas do governo consideram “flagrantemente inconstitucional” a decisão do Congresso Nacional de derrubar o decreto presidencial que aumentou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Diante da robusta maioria na Câmara dos Deputados — 383 votos a favor e 98 contrários — a medida, que já havia sido vista como polêmica desde o anúncio em maio, foi derrubada de vez, gerando consequências imediatas para o equilíbrio das contas públicas. Segundo Haddad, o governo agora avalia levar a questão ao Supremo Tribunal Federal (STF), visto que acreditam haver abuso por parte do Legislativo ao se sobrepor à prerrogativa regulatória do Executivo em matéria tributária. O ministro frisou também que, enquanto não há posição definitiva da Advocacia-Geral da União (AGU) ou da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a decisão final caberá ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Tensão marca reação do Planalto após derrota histórica na Câmara
A derrubada do decreto do IOF, aprovada com larga vantagem na Câmara dos Deputados e posteriormente confirmada pelo Senado Federal, foi interpretada por analistas políticos e econômicos como uma das maiores derrotas do governo Lula no terceiro mandato. O próprio Haddad admitiu ter tido uma percepção equivocada do cenário político após intensas negociações com lideranças parlamentares, nas quais imaginou ter chegado a um acordo para viabilizar o aumento do imposto. O resultado das votações reflete a insatisfação tanto de parte da base aliada quanto de parlamentares da oposição, que, pressionados por setores empresariais e financeiros, recusaram qualquer elevação de tributo neste momento. O governo, por sua vez, vinha defendendo o aumento do IOF como fundamental para equilibrar o orçamento e evitar novos cortes de gastos, estimando uma perda de receita entre R$ 6 bilhões e R$ 10 bilhões caso o Congresso mantivesse a derrubada do decreto.
Desdobramentos e impactos diretos sobre economia e meta fiscal
A repercussão imediata da derrubada do IOF foi sentida nos mercados financeiros, com reações contrastantes: por um lado, setores diretamente afetados pelo imposto, como bancos e empresas de crédito, viram a medida como um alívio para as operações financeiras; por outro, agentes econômicos preocupados com a sustentabilidade fiscal do país demonstraram apreensão diante do risco de o governo não conseguir atingir as metas de arrecadação previstas para 2025 e 2026. Analistas apontam que, sem a compensação prometida pelo aumento do IOF, o Executivo terá que buscar outras fontes de receita, como tributação de dividendos ou mudanças na política do petróleo, ou então promover novos e amplos cortes orçamentários para manter o teto de gastos. O ministro da Fazenda sinalizou, ainda, que a decisão do Congresso pode abrir precedente perigoso para a governabilidade, já que qualquer medida provisória ou decreto poderia ser contestada e derrubada a qualquer momento, dificultando o planejamento econômico do país.
Conclusão e perspectivas futuras para o impasse entre Executivo e Legislativo
Diante do impasse, o governo sinaliza caminhos distintos para tentar contornar a crise fiscal: a judicialização da decisão do Congresso, com uma eventual ida ao STF para definir os limites de atuação de cada Poder, a busca de novas fontes de receita tributária ou a realização de cortes profundos de gastos. O ministro Haddad ressaltou que o objetivo central do Executivo segue sendo o equilíbrio orçamentário e o cumprimento das metas estabelecidas no arcabouço fiscal, mesmo diante das dificuldades impostas pela oposição e pela conjuntura política. O próximo passo será uma reunião decisiva do presidente Lula com sua equipe ministerial para traçar a estratégia a ser adotada. Enquanto isso, o mercado e a sociedade acompanham com atenção os desdobramentos de mais este capítulo do embate entre Executivo e Legislativo, cujo resultado terá impactos diretos nas contas públicas, nas expectativas de investidores e na segurança jurídica das medidas provisórias e decretos presidenciais no futuro próximo.
Governo avalia que a derrubada do decreto do IOF pelo Congresso é inconstitucional e pode recorrer ao STF, afirma Haddad em entrevista à Folha
Haddad considera inconstitucional derrubada do decreto do IOF e sinaliza possível ação no STF
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que juristas do governo veem como “flagrantemente inconstitucional” o projeto aprovado pelo Congresso que sustou o decreto presidencial de aumento das alíquotas do IOF. Em entrevista à Folha de S.Paulo publicada nesta quinta-feira, 26, ele indicou que o governo pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas a decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após consulta à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e à Advocacia-Geral da União (AGU).
Haddad destacou: “Na opinião dos juristas do governo, é flagrantemente inconstitucional. Vamos ver qual será a decisão do presidente sobre questionar a decisão do Congresso.” Segundo outra reportagem da Folha, Lula já teria dado aval para contestar a derrubada no STF, embora o Ministério da Fazenda ainda analise a medida. A AGU, por sua vez, esclareceu em nota que “não há decisão tomada” e que questões jurídicas serão tratadas tecnicamente, com comunicação apenas pelo advogado-geral no momento adequado.
Haddad mencionou alternativas para compensar a perda de receita com a derrubada do decreto: buscar novas fontes de arrecadação, como dividendos ou exploração de petróleo, ou realizar novos cortes de gastos, além dos R$ 30 bilhões já contingenciados e mais R$ 12 bilhões planejados. Ele alertou que cortes adicionais podem impactar áreas como saúde, educação e Minha Casa, Minha Vida, questionando se o Congresso deseja esse cenário. A judicialização é a terceira opção.
Conclusão
O impasse em torno do IOF reforça a complexidade da relação entre Executivo e Legislativo, especialmente em momentos de crise fiscal. A decisão de recorrer ao STF representa não apenas uma defesa das prerrogativas do Palácio do Planalto, mas também uma aposta na estabilidade jurídica como fundamento para a governabilidade econômica. As próximas semanas serão decisivas para vermos se o governo conseguirá encontrar saídas alternativas para garantir a sustentabilidade fiscal ou se o impasse se aprofundará, impactando ainda mais a confiança de investidores e agravando os desafios para o cumprimento das metas do arcabouço fiscal.
Motta reforça compromisso do Congresso em evitar aumento de impostos e manter sintonia com a população
Na manhã desta quinta-feira, 26, em postagem no X, o presidente da Câmara, Hugo Motta, celebrou a derrubada do aumento do IOF pelo Congresso, uma derrota para o governo Lula, e reafirmou que o parlamento seguirá “em sintonia com a população brasileira”, priorizando ações que beneficiem os que mais precisam, sem elevar impostos.
Motta destacou a votação de um projeto de decreto legislativo que, de forma suprapartidária e com ampla maioria, anulou o decreto governamental que aumentava o IOF, imposto sobre operações financeiras. Ele afirmou: “Tivemos um dia muito importante para o País. Câmara e Senado decidiram evitar o aumento de impostos.”
Além disso, Motta mencionou outras conquistas do dia, como a aprovação de uma MP que destina R$ 15 bilhões ao fundo social para habitação, fomentando emprego e renda na construção civil. Outra MP aprovada permite a venda de excedente de petróleo, com potencial de arrecadar até R$ 20 bilhões em 2025, sem aumento de impostos. Também foi aprovado um projeto de lei que isenta de Imposto de Renda quem ganha até dois salários mínimos, já em vigor, e uma MP que resolve questões do crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada.
Motta concluiu que a Câmara continuará trabalhando por pautas produtivas, em diálogo com o Brasil e focadas nas necessidades da população, mantendo-se sintonizada com os brasileiros.
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