Racha na direita fluminense pode redesenhar eleição 2026
3 min readDisputa pelo controle da direita agita bastidores no Rio.
O cenário político do Rio de Janeiro ganhou novos contornos com o aprofundamento do racha entre o governador Cláudio Castro e o ex-presidente Jair Bolsonaro, ambos do PL, em torno das articulações para as eleições estaduais de 2026. Em reuniões recentes e declarações de bastidores, Castro posicionou-se de maneira enfática ao recusar a influência direta de Bolsonaro sobre a escolha do vice na chapa de Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa fluminense, escolhido para concorrer ao governo do estado como seu sucessor. A disputa ocorre justamente por conta do desejo do ex-presidente de indicar pessoalmente um aliado à vice, condição que Castro e parte das lideranças do PL consideram inviável diante da necessidade de ampliar alianças partidárias. O embate, que envolve ainda o senador Flávio Bolsonaro e o presidente estadual do PL, Altineu Côrtes, escancara as tensões internas da direita no estado, tornando evidentes as divergências estratégicas e colocando em xeque a unidade do grupo para o próximo pleito majoritário.
O contexto desse impasse se desenrola a partir da impossibilidade de reeleição de Cláudio Castro, que, sem buscar novo mandato, costurou o apoio a Rodrigo Bacellar como aposta de continuidade de seu grupo político no Palácio Guanabara. Bolsonaro, por sua vez, aceitou endossar a candidatura de Bacellar, mas condicionou o apoio à prerrogativa de indicar o vice, com o empresário Renato Araújo despontando como favorito do ex-presidente. A movimentação não agradou parte expressiva do PL e de outros setores da direita fluminense, que enxergam na concentração de cargos em figuras do PL, como o próprio Castro e Flávio Bolsonaro disputando vagas ao Senado, um possível obstáculo à ampliação das alianças necessárias para vencer o candidato do PSD, Eduardo Paes, visto como adversário forte na disputa pelo governo. Essa fragmentação interna reflete não apenas divergências sobre nomes, mas também diferentes visões sobre estratégias eleitorais e projetos de poder, evidenciando um momento de ebulição dentro da direita do Rio de Janeiro.
O racha exposto entre Cláudio Castro e Jair Bolsonaro ganha contornos ainda mais complexos à medida que outros líderes da base de direita, como o pastor Silas Malafaia, também manifestam abertamente suas discordâncias sobre a composição da chapa. Malafaia, por exemplo, já declarou que não apoiará Bacellar como candidato do grupo, defendendo nomes alternativos como o de Washington Reis, secretário estadual de Transporte, embora inelegível no momento. Enquanto isso, deputados federais alinhados ao ex-presidente afirmaram que não se engajarão na campanha de Bacellar se a costura atual for mantida, acendendo o alerta sobre a possibilidade de campanha esvaziada e falta de coesão na reta final da eleição. Para o grupo do governador, a saída para recompor o apoio amplo seria ceder a vice a partidos como PP ou MDB, sinalizando disposição para negociações e buscando uma frente mais robusta diante do cenário acirrado que se desenha para 2026.
Futuro da direita carioca será definido por alianças e estratégia
O desfecho desta disputa interna na direita fluminense caminha para ser um dos principais fatores a influenciar o resultado das urnas em 2026. A reação de Cláudio Castro ao impor limites à participação de Jair Bolsonaro nas decisões estratégicas desafia a liderança tradicional do ex-presidente no estado, mas também sinaliza uma nova configuração de forças dentro do campo conservador. Resta saber se haverá consenso em torno de Bacellar ou se o impasse levará à fragmentação real do bloco, facilitando o avanço de adversários como Eduardo Paes. O que se desenha, até aqui, é um cenário de disputa dura não apenas contra outras legendas, mas também no seio do próprio campo da direita. As negociações das próximas semanas e meses serão determinantes para definir se a unidade será restabelecida ou se o racha abrirá espaço para surpresas no tabuleiro eleitoral fluminense, influenciando não só a eleição estadual, mas todo o equilíbrio de forças políticas no Rio de Janeiro.
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