Fed questiona promessa econômica de Trump
8 min readTrump intensifica críticas a Powell e exige corte de 2,5 pontos nas taxas de juros.
Promessa de prosperidade encontra desafios monetários.
Ao assumir a presidência em janeiro de 2025, Donald Trump declarou o início de uma “era de ouro” para a economia dos Estados Unidos, alimentando expectativas de crescimento acelerado, pleno emprego e redução consistente da inflação. Contudo, meses depois, autoridades do Federal Reserve projetam um cenário menos otimista, colocando dúvidas sobre a possibilidade de cumprir essa promessa grandiosa. O banco central dos EUA optou por adiar cortes planejados na taxa de juros, justificando uma necessidade de cautela diante de riscos de inflação persistente e impasses em torno de tarifas comerciais propostas pelo governo. Trump, por sua vez, intensificou críticas públicas ao Fed e ao seu presidente, Jerome Powell, exigindo medidas mais agressivas de estímulo, enquanto consumidores e compradores de imóveis aguardam alívio nos custos de financiamento. Esse embate central entre política fiscal expansionista e prudência monetária marca o atual momento da economia norte-americana e expõe as incertezas a respeito da sustentabilidade do chamado novo ciclo de prosperidade prometido pelo presidente.
O contexto dessa divergência se consolidou logo após o início do novo mandato, quando a economia dos Estados Unidos demonstrava sinais positivos, com pleno emprego, PIB em crescimento acima da tendência e inflação caminhando para a meta de 2% do Fed. Entretanto, a chegada de medidas protecionistas, como a intenção de impor tarifas elevadas sobre produtos de parceiros comerciais como Canadá, México e China, reacendeu temores quanto a possíveis impactos negativos sobre a cadeia produtiva e o mercado consumidor. Essas decisões políticas provocaram volatilidade nos mercados financeiros, pressionando a Bolsa de Valores, desvalorizando o dólar e impulsionando ativos de proteção, como ouro e Bitcoin, enquanto investidores buscavam segurança em meio à incerteza. O Federal Reserve, atento ao risco de que estímulos excessivos possam sobreaquecer a economia e elevar ainda mais os preços, preferiu interromper os cortes de juros, adotando uma postura mais conservadora diante do cenário internacional conturbado e do debate interno sem consenso.
Os desdobramentos desse contexto têm repercussões profundas tanto na dinâmica interna quanto externa. O mercado de trabalho, embora robusto, passa a registrar pressões inflacionárias mais intensas, principalmente em setores sensíveis ao crédito. As discussões em torno da adoção imediata de tarifas sobre importações aumentam a preocupação de analistas, já que tais medidas podem reduzir o crescimento econômico em até metade, segundo projeções de consultorias. Apesar de o FMI prever um crescimento do PIB de 2,6% em 2025 impulsionado pelo consumo e investimentos, há receios de que o aumento de custos de empréstimos e eventuais retaliações comerciais limitem o potencial de expansão. O Fed, firme em sua missão de controlar a inflação, opta por aguardar sinais mais claros antes de alterar a política de juros, mantendo-os em patamar considerado elevado para os padrões históricos recentes. Essa postura, no entanto, gera atrito com o governo, que cobra respostas rápidas para manter a narrativa de crescimento vigoroso e sustentável.
Diante desse cenário, o futuro da chamada “era de ouro” econômica de Trump permanece envolto em incertezas. A condução da política monetária pelo Federal Reserve, baseada em evidências e expectativas de inflação, mostra-se um contrapeso relevante às diretrizes políticas do governo, que aposta em estímulos fiscais, cortes de impostos e proteção comercial como motores do desenvolvimento. O desenrolar dos próximos meses será determinante para avaliar se a promessa de prosperidade irá de fato se materializar ou se os obstáculos práticos levantados pelo Fed e os mercados prevalecerão. Em meio a esse embate, consumidores, investidores e empresários permanecem atentos aos movimentos do banco central e às medidas do Executivo, aguardando com cautela sinais concretos de estabilidade e confiança duradoura na economia norte-americana.
Trump amplia ataques a Powell e cobra redução de 2,5 pontos percentuais nos juros
O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a atacar o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, na semana passada, chamando-o de “desgraça americana” e pedindo uma redução imediata de 2,5 pontos percentuais nas taxas de juros. Trump, que indicou Powell para o cargo em 2017, tem criticado repetidamente o Fed por manter os juros entre 4,25% e 4,5%, conforme decidido na quarta-feira (18), quando o banco central destacou a força da economia e incertezas sobre a inflação, influenciada pelas tarifas impostas por Trump a produtos importados.
“Jerome Powell está custando centenas de bilhões ao país”, escreveu Trump no Truth Social. “Ele é uma das pessoas mais idiotas e destrutivas do governo, e o Conselho do Fed é cúmplice.” Um corte de 2,5 pontos seria excepcional, já que o Fed ajusta as taxas geralmente em 0,25 ponto, com mudanças maiores, como os aumentos de 0,75 ponto em 2022 ou cortes agressivos na pandemia, sendo respostas a crises específicas.
Powell evitou responder às provocações, reiterando o foco do Fed em controlar a inflação e sustentar o emprego. “Queremos uma economia sólida, com mercado de trabalho forte e estabilidade de preços”, disse. Ele destacou a resiliência econômica dos EUA e a adequação da atual política monetária para lidar com novos desenvolvimentos. Questionado sobre a intenção de Trump de substituí-lo em 2026, Powell enfatizou sua concentração no presente.
O Fed projeta dois cortes de 0,25 ponto em 2025, reduzindo os juros para 3,75%-4%. Trump, porém, insiste em cortes maiores, alegando que a Europa teve “10 cortes” (na verdade, o Banco Central Europeu fez oito) e que os EUA têm “baixa inflação”. Powell alertou que a inflação pode subir devido às tarifas, cujos custos as empresas devem repassar aos consumidores. “Os efeitos das tarifas são incertos em magnitude, duração e tempo”, disse, defendendo a manutenção da postura atual até que haja mais clareza.
Powell reforça cautela sobre cortes nos juros enquanto Fed avalia impacto das tarifas de Trump
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou nesta terça-feira (24) que o banco central dos EUA precisa de mais tempo para avaliar se as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump aumentarão a inflação antes de decidir sobre cortes nas taxas de juros. Em depoimento preparado para o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, Powell destacou que as tarifas de 2025 podem elevar preços e frear a atividade econômica, mas seus efeitos na inflação podem ser temporários ou mais duradouros. “Estamos bem posicionados para esperar mais clareza sobre a trajetória da economia antes de ajustar a política monetária”, disse.
Projeções do Fed indicam dois cortes de 0,25 ponto até o fim do ano, com o mercado esperando o primeiro em setembro. No entanto, dois diretores indicados por Trump sugeriram cortes já em julho, enquanto presidentes de bancos regionais temem alta na inflação até o fim de 2025.
Trump, que nomeou Powell, mas planeja substituí-lo em 2026, tem exigido cortes agressivos nos juros. Em postagem nas redes sociais antes da audiência, ele pediu redução de “dois ou três pontos” e criticou Powell, chamando-o de “burro e cabeça dura”. Powell, que mantém forte apoio no Congresso, destacou a solidez da economia, com baixo desemprego e inflação controlada, mas alertou sobre a incerteza das políticas comerciais de Trump, especialmente com tarifas mais altas previstas para 9 de julho.
Powell reiterou que os efeitos das tarifas na economia ainda são incertos. Após seu depoimento, as apostas do mercado para um corte de juros em julho caíram de 23% para 16%, com expectativas mantidas para cortes em setembro e, possivelmente, outubro ou dezembro.
Trump e republicanos do Senado enfrentam desafios com prazo para lei de cortes de impostos
O presidente dos EUA, Donald Trump, e seus aliados republicanos no Senado enfrentam dificuldades para aprovar a legislação de gastos e cortes de impostos, que líderes do partido no Congresso buscam finalizar nos próximos dias, apesar da resistência interna. O líder da maioria no Senado, John Thune, o presidente da Câmara, Mike Johnson, e autoridades do governo pressionam pela aprovação antes do feriado de 4 de julho, Dia da Independência.
No entanto, republicanos conservadores intensificam a demanda por cortes adicionais nos gastos, após projeções indicarem que o projeto adicionará pelo menos US$ 2,8 trilhões à dívida nacional de US$ 36,2 trilhões. Outros parlamentares, preocupados com cortes em programas sociais como o Medicaid, também se opõem ao texto atual. Com uma maioria apertada (53-47 no Senado e 220-212 na Câmara), a oposição de um republicano em cada casa já complica o avanço.
Thune planeja iniciar a votação no Senado ainda esta semana, com conclusão até o fim de semana, para enviar o projeto à Câmara para aprovação final. Trump, que deve intensificar a pressão sobre os senadores, destacou a “grande unidade” no partido em postagem no domingo, pedindo a aprovação do “Ótimo, Grande e Belo Projeto de Lei”.
A legislação ainda depende de uma decisão no Senado sobre seu status privilegiado, que permitiria aprovação com apenas 51 votos, contornando os democratas. O líder democrata Chuck Schumer criticou o projeto, afirmando que ele aprofunda cortes na saúde, prejudica a energia limpa, eleva custos para famílias trabalhadoras e beneficia os mais ricos.
Alguns republicanos, como o senador Ron Johnson, rejeitam o cronograma de Thune, exigindo mais tempo para negociar cortes maiores. Johnson, aliado aos senadores Mike Lee e Rick Scott, busca reduzir gastos federais aos níveis pré-Covid, cortando créditos fiscais verdes e o Medicaid. “Estamos com déficits de US$ 2 trilhões”, alertou Scott, reforçando a insustentabilidade financeira do projeto atual.
Caminho incerto para o crescimento econômico dos EUA
O impasse entre as ambições da Casa Branca e a cautela do Federal Reserve sinaliza que o caminho para um crescimento econômico sustentável nos Estados Unidos ainda está longe de ser uma linha reta. Embora a retórica presidencial aponte para um salto de prosperidade, os desafios impostos por questões como inflação, tarifas e política monetária rígida tendem a persistir nos próximos meses. Investidores e consumidores acompanham atentos, esperando por definições mais claras que possam consolidar um ciclo positivo. A trajetória da “era de ouro” seguirá sujeita às respostas do Fed diante dos riscos inflacionários e à evolução das relações comerciais internacionais. O equilíbrio entre estímulos governamentais e prudência monetária será fundamental para determinar se o país conseguirá, de fato, sustentar a promessa de um novo período de avanço econômico consistente.
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