março 7, 2026

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O Cadáver Iraniano no Centro da Sala: Por Que os Árabes Temem Mais a Vitória de Israel do que a Guerra e por que os EUA ainda não atacaram

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Os Estados Unidos, em coordenação estreita com Israel, estão montando o que parece ser uma campanha militar de longo prazo contra o Irã, partindo da premissa de que Teerã responderá atacando diretamente Israel e as instalações americanas espalhadas pelo Oriente Médio.Hoje, há pelo menos 19 grandes bases e centros de comando estratégicos dos EUA na região: Al Udeid no Qatar (sede do CENTCOM), a Quinta Frota no Bahrein, Camp Arifjan no Kuwait, além de instalações na Síria, Jordânia, Iraque e vários Estados do Golfo. O problema é que nem todas contam com defesa aérea permanente robusta; muitas dependem apenas de sistemas de curto alcance, ineficazes contra mísseis balísticos.A mobilização maciça de baterias THAAD e Patriot revela que Washington quer cobrir praticamente todas essas posições com uma rede antimísseis. O porta-aviões USS Abraham Lincoln deverá ser posicionado na costa de Omã, protegido por sistemas de defesa aérea já deslocados para os Emirados Árabes Unidos. Os F-15 na Jordânia e os F-35 britânicos em Chipre, por sua vez, estão configurados principalmente para defesa, sua missão central é interceptar munições vagantes iranianas como os drones Shahed-131/136.O ponto crucial é o tempo: integrar logisticamente uma rede tão complexa de sistemas avançados exige semanas, às vezes meses, e esse processo ainda está em curso.

Esse atraso não significa, como alguns comentaristas apressados sugerem, que Trump tenha recuado ou mudado de ideia. O quebra-cabeça simplesmente ainda está sendo montado.E aqui a situação ganha contornos mais profundos. Já virou quase um roteiro repetido na geopolítica do Oriente Médio: quando Washington decide agir decisivamente contra uma ditadura regional, segue-se uma espera tensa, uma corrida diplomática frenética e, quase sempre, a incapacidade do regime alvo de perceber a gravidade até ser tarde demais.Abbas Araghchi, atual chanceler iraniano, não será o primeiro a correr para tentar dissuadir os americanos. Tariq Aziz fez o mesmo em 1991, numa reunião inútil com James Baker. Saddam Hussein prometeu “inferno” aos dois Bush e acabou enforcado em 2006, depois de ver seu regime desmoronar.Os iranianos de hoje não mostram mais flexibilidade que os iraquianos de ontem. Enfrentam isolamento crescente, economia estrangulada e base interna em erosão acelerada. Sua última carta diplomática são os Estados sunitas “moderados”: Catar, Turquia, Egito e, sobretudo, Arábia Saudita , que alertam publicamente contra uma conflagração regional. .O medo real desses atores não é a escalada imediata: é o resultado estratégico de longo prazo de uma hegemonia israelense sem contrapesos significativos.Não é preciso comprar as narrativas hiperbólicas de Erdogan nem aderir a teorias conspiratórias para reconhecer o fato: desde o 7 de outubro de 2023, Israel emergiu com uma dominância militar e de inteligência sem precedentes. Desmantelou proxies iranianos, reconfigurou a segurança no Líbano e na Síria, e demonstrou capacidade de ataque profundo que ninguém na região replica. Até o reconhecimento de Somalilândia e a projeção no Mar Vermelho sinalizam ambições mais amplas.

Durante décadas, a ameaça iraniana funcionou como um contrapeso indireto sobre Israel, forçando Jerusalém a dividir recursos entre múltiplas frentes. Esse equilíbrio instável beneficiava, paradoxalmente, os Estados árabes sunitas: evitavam dependência excessiva de Israel enquanto mantinham acesso privilegiado a Washington. Com o colapso progressivo do eixo iraniano,Hezbollah degradado após 2024, perda de controle sírio, contenção dos houthis, esse contrapeso evapora.Para muitos atores árabes, a conveniência estratégica está exatamente nessa ambiguidade: um Irã enfraquecido, mas não eliminado, impede que Israel se torne o árbitro incontestável do equilíbrio regional. A normalização saudita-israelense, que parecia iminente antes de outubro de 2023, segue congelada não só por Gaza, mas porque um acordo nesses termos consolidaria uma assimetria de poder irreversível.China e Rússia observam de longe, cientes de que uma derrota definitiva dos aiatolás redesenharia rotas energéticas e equilíbrios globais. No fim, o dilema vai além de um eventual ataque americano: trata-se da transição para um Oriente Médio em que Israel deixa de ser apenas defensivo e passa a ditar, de fato, as regras do jogo regional.

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