Eletrobras conclui desinvestimento em térmicas e fortalece foco em energia limpa
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Eletrobras encerra ciclo de venda de térmicas ao Grupo J&F após acordo histórico.
Venda das térmicas marca nova fase estratégica da Eletrobras.
A Eletrobras confirmou a conclusão da venda do último ativo de seu portfólio termelétrico ao grupo J&F, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, consolidando um dos maiores processos de desinvestimento do setor elétrico brasileiro. O acordo finalizado envolveu a Usina Termelétrica Santa Cruz, localizada no Rio de Janeiro, além de outros doze empreendimentos já negociados em etapas anteriores, que juntos somaram R$ 3,6 bilhões em receitas para a companhia ao longo de 2024. A última transação representou um repasse de R$ 703,5 milhões e encerrou oficialmente a presença da Eletrobras no segmento de geração térmica, permitindo uma reestruturação completa do foco de operações. A decisão pelo desinvestimento, implementada ao longo dos últimos meses, foi impulsionada por uma estratégia de otimização de portfólio, realocação de capital e busca por maior retorno financeiro, em consonância com as metas de sustentabilidade e eficiência da empresa. O negócio contou com aval regulatório, destacando o compromisso das partes envolvidas com regras do setor e transparência na negociação, além de abrir margem para pagamentos adicionais previstos em contratos estabelecidos entre as empresas.
O processo de venda dos ativos termelétricos foi estruturado em etapas, tendo como protagonista a Âmbar Energia, subsidiária de energia do grupo J&F, que passou a deter controle operacional desses empreendimentos essenciais para a matriz energética do Norte e do Sudeste do país. Desde o anúncio inicial, a Eletrobras visava reduzir sua exposição a usinas alimentadas por combustíveis fósseis e migrar para um portfólio predominantemente renovável. O ciclo de desinvestimentos se desenvolveu de forma alinhada à tendência global que valoriza a transição energética e o compromisso com metas ambientais, como a neutralização das emissões de carbono já em 2030. O endosso da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a reestruturação de subsidiárias permitiram uma negociação transparente, cuja complexidade envolveu separação de ativos e garantias contratuais, além da manutenção, para a Eletrobras, do direito a valores extras vinculados aos resultados das usinas agora sob novo controle.
A saída definitiva do segmento térmico impulsiona a Eletrobras rumo a uma atuação focada em fontes de geração hidráulica, eólica e solar, consolidando seu novo perfil de empresa elétrica comprometida integralmente com a agenda ESG. O impacto da operação reflete diretamente na redução da emissão de gases de efeito estufa do Brasil, uma vez que as antigas usinas, apesar de essenciais para o fornecimento energético em regiões isoladas, eram mais intensivas em carbono. Com o fechamento do ciclo, a Eletrobras reforça sua condição de protagonista em energia limpa e renovável, ampliando sua competitividade e potencial de atração de investidores ESG. O grupo J&F, por sua vez, integra as operações das plantas térmicas, consolidando posição estratégica no setor elétrico norte e ampliando sua capacidade instalada, o que pode garantir sinergias com a Amazonas Energia, distribuidora também sob controle corporativo do conglomerado.
O desfecho da transação marca um ponto de inflexão para a Eletrobras e para o panorama nacional de geração de energia. Com portfólio 100% renovável e capital liberado após a operação, a empresa encontra espaço para acelerar novos projetos e disputar mercados emergentes marcados pela demanda crescente por fontes limpas. As perspectivas são de investimentos robustos em inovação tecnológica, modernização de processos e fortalecimento de parcerias estratégicas focadas em sustentabilidade e governança corporativa. Do lado do grupo J&F, a aquisição confere robustez à infraestrutura elétrica regional e potencializa oportunidades de verticalização, contribuindo, via Âmbar Energia, com a diversificação da matriz energética brasileira. O setor acompanha atento os próximos passos de ambas as empresas, em um cenário cada vez mais orientado para a transição verde e competitividade internacional.
Novo horizonte da Eletrobras reforça liderança em energia renovável
A conclusão do ciclo de vendas consolida a Eletrobras como referência absoluta em energia limpa no Brasil, alinhada às mais rígidas metas ambientais globais e ao compromisso nacional de descarbonização. O posicionamento estratégico renovado deverá impulsionar a companhia na busca por novos investimentos, parcerias e tecnologia, além de ampliar horizontes para negócios inovadores no setor elétrico. Tanto investidores quanto agentes do mercado olham com interesse para as possibilidades decorrentes desse reposicionamento, identificando na Eletrobras uma marca forte, cada vez mais voltada à sustentabilidade e eficiência operacional. O desfecho bem-sucedido da venda evidencia a capilaridade do setor elétrico nacional, fortalece os grupos privados atuantes e destaca o potencial de protagonismo brasileiro na transição energética global.
Grupo J&F pode impulsionar revisão do marco legal nuclear, aponta setor
A influência política do grupo J&F, controlador da JBS, pode acelerar a abertura do mercado nuclear brasileiro ao setor privado, segundo a Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan). A aquisição da Eletronuclear pelo Grupo Âmbar Energia, pertencente à J&F, é vista como um catalisador para mudanças no marco legal do setor, conforme afirmou o presidente da Abdan, Celso Cunha, em entrevista ao Poder360.
“O Grupo Âmbar tem expertise em ajustar regulações para viabilizar negócios. Ganhamos um aliado para avançar no marco legal”, destacou Cunha. A J&F, que já atua no setor energético com usinas termelétricas e no mercado livre de energia, agora mira o segmento nuclear, essencial para a matriz energética brasileira. A Eletronuclear, responsável pelas usinas Angra 1 e 2 e pela construção paralisada de Angra 3, é o foco dessa estratégia. Segundo Cunha, a entrada do grupo animou o setor, que vê potencial para retomar obras e expandir investimentos.
Revisão do marco legal
O marco legal nuclear brasileiro, baseado no artigo 21 da Constituição e em leis como a de 1962, reserva à União o controle sobre a geração de energia, operação de usinas e manejo do combustível nuclear. Essa estrutura limita a participação privada, dificultando investimentos e o crescimento do setor. Com a crescente demanda global por fontes de energia limpas, como a nuclear, essas restrições são vistas como entraves.
Cunha destacou a capacidade de articulação política do grupo J&F como um diferencial para revisar o marco legal. “Quem já negociou com Trump demonstra habilidade política. Eles saberão abrir portas para o setor nuclear”, afirmou. Para permitir a entrada do setor privado, seria necessária uma emenda constitucional e a atualização de leis infraconstitucionais, garantindo regulação e supervisão estatal.
Embora a Lei 14.514 de 2022 tenha permitido a mineração de urânio com participação privada, etapas estratégicas como geração de energia e licenciamento de reatores ainda estão restritas à União. A revisão dessas normas é considerada essencial para atrair investimentos e impulsionar o setor nuclear no Brasil.
