março 7, 2026

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Zambelli inicia greve de fome para pressionar ministro italiano a rejeitar sua extradição

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Em carta, deputada afirma ser vítima de ‘perseguição política’.

Zambelli inicia greve de fome e apela a ministro italiano contra extradição: ‘Só o senhor pode acabar’.

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou, em carta manuscrita enviada ao Ministério da Justiça da Itália, o início de uma greve de fome após a Justiça italiana negar, na quarta-feira (8), um recurso de sua defesa. Na carta, Zambelli critica a posição do ministro da Justiça italiano e afirma que só encerrará a greve se ele negar sua extradição, garantindo sua liberdade. “Tenho certeza de que o senhor não tomou a melhor decisão. Começo hoje uma greve de fome que só o senhor pode acabar, negando minha extradição, o que é o correto”, escreveu.

A parlamentar, que teve a prisão mantida pela Corte italiana enquanto aguarda o processo de extradição para o Brasil, alega ser vítima de perseguição política. Segundo Zambelli, a decisão judicial sofreu pressão do governo brasileiro, citando o presidente Lula e o embaixador do Brasil na Itália. “O senhor se expressou pela manutenção da minha prisão após pressão do presidente Lula e do embaixador”, afirmou.

Divulgada nas redes sociais pela defesa, a carta acusa o Ministério da Justiça italiano de apoiar grupos e regimes autoritários, como o Hamas, o tráfico de drogas, o terrorismo, o Irã, a Venezuela e Cuba. Zambelli também mencionou sanções do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, alegando que ele foi sancionado por perseguições políticas e que a decisão italiana se baseia em uma ordem injusta de Moraes.

Zambelli, condenada pelo STF a 10 anos de prisão, deixou o Brasil em maio após obter uma licença de 127 dias do mandato, que terminou na semana passada. Em junho, a Câmara bloqueou seus vencimentos, conforme decisão do Supremo. Presa na Itália em julho, após inclusão na lista da Interpol, a deputada aguarda a decisão sobre sua extradição.

Lula, na Itália, afirma que Carla Zambelli “pagará pelo que fez”

Nesta segunda-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, após um evento contra a fome na Itália, que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) “vai pagar pelo que fez”, no Brasil ou no exterior. Questionado por jornalistas se o nome da bolsonarista foi discutido em reuniões, Lula afirmou que “nem lembrava desse nome” e desconhecia sua presença no país. “Para mim, ela não merece o respeito de uma democracia”, disse.

Zambelli está detida na Itália desde 29 de julho, após ser considerada foragida e incluída na lista vermelha da Interpol. A deputada foi condenada por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos e 8 meses de prisão, além da perda do mandato, por invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Zambelli foi eleita deputada federal em 2018 pelo PSL, na onda bolsonarista, e reeleita em 2022 pelo PL, sendo a segunda mais votada em São Paulo.

Da condenação à fuga

Em 15 de maio, a Primeira Turma do STF confirmou a condenação de Zambelli. Em coletiva, ela alegou problemas de saúde, afirmando que, segundo relatórios médicos, não sobreviveria à prisão. Em 23 de maio, sua defesa apresentou embargos declaratórios contra a sentença. Dois dias depois, em 25 de maio, Zambelli deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina, em Foz do Iguaçu (PR). Em 3 de junho, já no exterior, confirmou em entrevista ao canal Auriverde, no YouTube, que saiu do país para um tratamento médico, sem detalhar local ou tipo de procedimento. Presa na Itália em 27 de julho, ela aguarda decisão sobre sua extradição para o Brasil.

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