Desembargador propõe mudança nas urnas em áreas de risco para garantir segurança do voto
4 min readDesembargador propõe retirada de urnas de áreas ameaçadas no Rio.
Desafios de segurança impulsionam mudança na votação eletrônica.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro avalia realizar uma mudança significativa nos locais de votação para as eleições de 2026, especialmente em áreas consideradas de risco na capital fluminense e região metropolitana. A proposta, liderada pelo corregedor regional eleitoral, desembargador Cláudio Mello Tavares, surge em resposta direta ao crescente temor dos eleitores diante das ameaças impostas por traficantes e milicianos nessas comunidades. Segundo o magistrado, a preocupação dos moradores dessas áreas é legítima, pois o processo eleitoral precisa garantir a liberdade de escolha e a segurança dos votantes e colaboradores do pleito. A discussão ganhou força após experiências recentes, como no pleito de 2024, quando pelo menos 50 locais de votação só receberam urnas eletrônicas graças à escolta do Caveirão, o veículo blindado da Polícia Militar no estado. Para o TRE-RJ, situações em que o eleitor pode ser coagido ou ter sua decisão influenciada pela presença intimidadora de criminosos põem em risco a legitimidade e a transparência do processo eleitoral. Portanto, transferir as urnas eletrônicas para locais fora dessas zonas perigosas, mas ainda próximos da residência dos eleitores — limite de até 1,5 km —, tornou-se a principal proposta para as próximas eleições.
O debate sobre possíveis alterações de zonas eleitorais ocorre num contexto de desafios históricos envolvendo a segurança pública e a fragilidade institucional em certas partes do Rio de Janeiro. O estado enfrenta há décadas a atuação paralela de traficantes e milicianos, estruturas criminosas conhecidas tanto pela imposição do medo quanto pelo uso da força para controlar territórios, inclusive secundando práticas que podem influenciar processos democráticos locais. Não raramente, agentes do Estado e membros da Justiça Eleitoral se veem forçados a negociar operações especiais para o transporte seguro das urnas, como foi o caso do uso de veículos blindados em 2024. Além da questão logística, há um componente político-institucional crucial: o TRE-RJ mobilizou forças de inteligência de diferentes esferas, com representantes das polícias Civil, Militar, Federal, Ministério Público estadual e Procuradoria da República participando ativamente das discussões. O objetivo é identificar candidatos e financiadores ligados ao crime organizado e barrar a infiltração criminosa no poder eleitoral local, partindo da máxima de proteger o voto enquanto instrumento inegociável da democracia. A proposta de mudança evidencia o compromisso institucional de enfrentar as pressões externas ao ambiente eleitoral, reforçando a necessidade de proteger mesários, fiscais e toda a infraestrutura envolvida na votação.
Os desdobramentos dessa iniciativa podem ser profundos e influenciar tanto o formato das eleições de 2026 quanto a percepção pública sobre a resiliência das instituições democráticas no Rio de Janeiro. Ao priorizar a segurança do eleitor e dos trabalhadores da Justiça Eleitoral, o TRE-RJ busca também afastar qualquer dúvida quanto à validade dos resultados em áreas vulneráveis a coações criminosas. Discussões internas indicam preocupação com a implementação prática: é preciso garantir que eleitores das áreas transferidas não sejam privados do voto por barreiras logísticas, exigindo ações de comunicação e transporte eficientes para que todos possam exercer seu direito sem impedimentos. Especialistas alertam para a necessidade de monitoramento permanente, coleta de indicadores sobre o impacto das mudanças e eventual extensão da medida para outros municípios ou estados com realidades semelhantes. A estratégia passa também por um trabalho preventivo de inteligência para mapear riscos, identificar tentativas de influência por parte de grupos criminosos e fortalecer parcerias entre órgãos públicos. Diante desse cenário, a iniciativa reflete uma adaptação necessária à dinâmica da segurança pública carioca e sua interface com o calendário eleitoral.
Impactos futuros das ações para proteger o voto no Rio
A adoção dessa medida pelo TRE-RJ sinaliza um esforço contínuo para garantir processos eleitorais cada vez mais íntegros e seguros, mesmo diante das complexidades apresentadas pela realidade fluminense. No horizonte das eleições de 2026, a expectativa é de que as eventuais mudanças logísticas contribuam para o aumento da confiança do eleitor na lisura e tranquilidade do pleito. Caso a proposta de realocação das urnas se concretize, será preciso monitorar detalhadamente sua eficácia e impactos, inclusive quanto à presença nos locais transferidos, engajamento do eleitorado e eventual necessidade de ajustes. A experiência poderá servir de referência para outras regiões do país que enfrentam desafios semelhantes, tornando o Rio de Janeiro um laboratório de boas práticas para ambientes de risco e elevado índice de criminalidade. Ao manter o diálogo interinstitucional e investir em inteligência e proteção de todos os envolvidos, a Justiça Eleitoral reitera seu compromisso central: assegurar que o direito ao voto seja exercido sem medo, violência ou pressão. Portanto, com o apoio da sociedade civil e das forças de segurança, a movimentação do TRE-RJ pode consolidar um ciclo virtuoso de fortalecimento da democracia, superando obstáculos históricos e permitindo que a voz das urnas permaneça soberana e livre em qualquer território do estado.
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