Zelensky e Milei proferem discursos marcantes na ONU, enquanto Bukele explica ausência no evento
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Zelensky e Milei marcam presença em dia histórico na ONU.
Líderes reforçam apelo por paz e cooperação internacional.
Na última quarta-feira (24), a sede das Nações Unidas em Nova York foi palco de pronunciamentos marcantes durante a 80ª Assembleia Geral. Entre os discursos mais aguardados estavam os do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e do argentino Javier Milei, que abordaram temas que envolvem segurança global, conflitos em curso e os desafios do cenário internacional. Zelensky destacou as consequências da guerra em seu país, reforçando a urgência de medidas diplomáticas para proteger civis e garantir a recuperação das áreas afetadas. Milei, por sua vez, levou ao púlpito pautas sobre democracia, migrantes e desenvolvimento econômico, buscando fortalecer relações multilaterais e dar voz ao continente latino-americano em debates que envolvem a transformação geopolítica do mundo. Ambos líderes escolheram a tribuna da ONU para trazer apelos por paz, cooperação e renovação das práticas diplomáticas internacionais, em contexto marcado por episódios tensos e complexos conflitos armados.
O contexto desses discursos adiciona uma dimensão importante e estratégica à Assembleia Geral, que neste ano celebra oito décadas de existência. Zelensky enfatizou não apenas os impactos devastadores do conflito com a Rússia, como também os riscos para outros países caso a comunidade internacional não reaja com firmeza. Ele sublinhou a importância de alianças e armamentos como garantias de segurança, citando o apoio de parceiros tradicionais e a necessidade de ampliar exportações de defesa. Milei, estreando sua participação como presidente da Argentina, trouxe ao debate questões de deslocamentos populacionais e a valorização da democracia como instrumento para avanços sociais e econômicos na região. Os momentos finais de cada discurso destacaram pedidos claros para que líderes mundiais assumam postura ativa em busca de soluções que impliquem em responsabilidade compartilhada e maior diálogo global.
Como desdobramento dos discursos, o clima nas negociações bilaterais foi influenciado pelo teor de cooperação e apelo internacional dos líderes presentes. Zelensky, inclusive, sinalizou aproximação com o Brasil e outros parceiros latino-americanos, visando reconstruir parcerias que possam fortalecer iniciativas de paz e ampliar investimentos econômicos que envolvam exportação de tecnologia militar e assistência humanitária. Milei aproveitou a ocasião para reforçar a posição argentina na pauta de segurança global, atentos aos desafios enfrentados pelos países periféricos em contextos de crise migratória, pobreza e instabilidades regionais. O encontro também trouxe repercussões nos corredores diplomáticos, com debates sobre sanções, acordos comerciais e defesa dos direitos humanos, temas constantemente mencionados por ambos presidentes em suas manifestações. Especialistas avaliam que a Assembleia deste ano exemplificou a relevância dos discursos como instrumento de pressão e articulação internacional, especialmente diante de um cenário de tensões crescentes e demandas por maior protagonismo latino-americano nas decisões multilaterais.
Líderes enfatizam a busca por estabilidade e novas alianças na Assembleia Geral
A conclusão da 80ª Assembleia Geral da ONU reforça perspectivas para o futuro das relações internacionais e o papel dos discursos em definir rumos diplomáticos. Os pronunciamentos de Zelensky e Milei, ao destacarem questões de paz, segurança e cooperação, abriram espaço para debates mais profundos sobre o papel dos países periféricos e emergentes na arquitetura global. A expectativa é que as ações propostas por ambos signatários também incentivem maior articulação entre grupos regionais, colaborando para o enfrentamento de crises e a formulação de políticas mais efetivas voltadas à resolução de conflitos. Especialistas projetam que aproximações estratégicas, como as mencionadas por Zelensky, podem representar avanços nas negociações de paz e reconstrução da Ucrânia. Milei, por sua vez, vislumbra ampliar a inserção da Argentina no cenário diplomático, valorizando parcerias econômicas e políticas de integração regional. Com a ONU atuando como plataforma para diálogo e pressão internacional, a Assembleias Gerais se destaca mais uma vez como espaço de convergência para a busca coletiva por estabilidade, segurança e desenvolvimento sustentável.
Zelensky vincula paz global a poder militar e destaca importância de aliados em discurso na ONU
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou na quarta-feira (24), durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, que a paz global está diretamente ligada ao poderio militar e à posse de armas. “Mesmo que uma nação deseje paz, precisa produzir ou comprar armas. É triste, mas é a realidade”, declarou, destacando que a segurança de um país depende de “aliados poderosos”.
Zelensky reiterou que um cessar-fogo na Ucrânia não foi alcançado porque “os russos recusam um acordo” e questionou por quanto tempo os reféns ucranianos permanecerão sob custódia russa. Ele mencionou incidentes como a invasão do espaço aéreo polonês por drones russos e uma violação semelhante que levou a Estônia a acionar o Conselho de Segurança da ONU.
O líder ucraniano alertou que “armas decidem quem sobrevive” e que o avanço tecnológico, incluindo o uso de inteligência artificial em armamentos, está superando as defesas nacionais. Ele descreveu o conflito atual como “a mais destrutiva guerra armamentista da história” e defendeu a criação de regras globais para regular o uso de IA em armas. Zelensky destacou que a Ucrânia foi forçada a lutar e passou a fabricar drones, anunciando que o país começará a exportar armas “testadas em uma guerra real”.
Atribuindo a responsabilidade pelo conflito exclusivamente à Rússia, Zelensky acusou Vladimir Putin de tentar expandir a guerra e afirmou que deter o líder russo agora é “mais barato do que continuar se defendendo”. Ele mencionou uma “ótima reunião” com o presidente americano, Donald Trump, na véspera, e expressou confiança de que, com o apoio dos EUA e da Europa, a guerra pode ser encerrada.
Milei defende Trump e critica ONU em discurso na Assembleia Geral
O presidente da Argentina, Javier Milei (La Libertad Avanza), discursou na quarta-feira (24) durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Em pouco mais de 15 minutos, criticou a organização, elogiou as políticas de Donald Trump (Partido Republicano) nos EUA e reiterou a reivindicação argentina sobre as Ilhas Malvinas.
Milei acusou a ONU de abandonar seu modelo original de promoção da paz e cooperação entre Estados, adotando uma governança supranacional conduzida por “burocratas internacionais” que impõem um modo de vida às populações. Ele propôs quatro reformas para a ONU: priorizar a paz e segurança como missão central, com outras funções sendo complementares; intervir apenas quando problemas superarem as capacidades nacionais; realizar auditorias, eliminar programas ineficazes, reduzir departamentos e adotar metas para financiamento; e evitar que a cooperação internacional prejudique o crescimento econômico.
O líder argentino alertou que a atual política da ONU pode levar a uma “catástrofe global”, especialmente impactando os EUA. Ele elogiou as medidas de Trump contra a imigração ilegal e pelo fortalecimento do comércio global, criticando “facções de esquerda” que, segundo ele, bloqueiam essas reformas. “Uma catástrofe nos EUA é uma catástrofe global”, afirmou.
Milei também se alinhou a Trump ao exigir a libertação imediata dos reféns mantidos pelo Hamas em Gaza e condenou o que chamou de “escalada de violência política” promovida pela esquerda globalmente. Por fim, criticou a inação da ONU na disputa pelas Ilhas Malvinas, controladas pelo Reino Unido, e pediu a retomada de negociações bilaterais, conforme a Resolução 2065 da Assembleia Geral.
Bukele explica ausência na Assembleia da ONU: ‘Inútil’ e ‘perda de tempo’
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, aliado de Donald Trump, justificou no sábado (27) sua ausência na Assembleia-Geral da ONU em Nova York, classificando o evento como “inútil”. Em postagem no X/Twitter, Bukele afirmou que não quis “perder tempo” com a reunião e ironizou: “Não fui à Assembleia Geral da ONU este ano. Achei inútil, mas você pode assistir ao meu discurso de 2024 se quiser perder tempo como eu”.
A mensagem incluiu um vídeo com trechos de sua fala na ONU em 2024, quando criticou a “perda de liberdade” no mundo, apontando que ruas estariam dominadas por gangues, crime organizado e drogas, e que redes sociais enfrentam censura imposta por governos.
Bukele, próximo aos Estados Unidos, é elogiado por Trump, que também criticou a ONU recentemente. O presidente salvadorenho mantém alta popularidade em El Salvador por sua política de repressão às gangues, que reduziu significativamente a violência no país, historicamente um dos mais violentos do mundo.
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