Trump diz que Argentina não precisa de resgate em encontro com Milei
6 min readTrump elogia Milei e diz que Argentina não precisa de novo resgate.
Encontro entre líderes reforça laços e posicionamento econômico.
Em um encontro realizado em Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu com o presidente argentino Javier Milei em um momento decisivo para a economia da Argentina. O encontro, que reuniu holofotes internacionais, foi marcado por elogios mútuos e declarações contundentes sobre a política econômica vigente no país latino-americano. Trump destacou que, em sua visão, a Argentina não precisa de um novo resgate financeiro, elogiando Milei por seu comprometimento com reformas econômicas e cortes nos gastos públicos. Milei, por sua vez, ponderou que seu governo tem se esforçado para estabilizar a economia após anos de crise, enfatizando o apoio recebido de Washington. O diálogo entre os líderes ocorreu em um cenário de grande pressão para a Argentina, que enfrenta inflação em queda mas ainda elevada, além de protestos internos contra as medidas de austeridade implementadas desde o início da gestão Milei. O posicionamento de Trump busca evidenciar afinidade política e, ao mesmo tempo, transmitir confiança aos mercados internacionais em meio às discussões sobre empréstimos e apoio externo.
O respaldo dos Estados Unidos, especialmente sob a liderança de Donald Trump, se mostrou fundamental para que a Argentina negociasse novos financiamentos e garantisse fôlego temporário frente à crise cambial e à fuga de capitais. Nos últimos meses, Milei promoveu uma política austera de corte profundo nos gastos públicos, incluindo a redução de subsídios, salários e programas de assistência social, buscando colocar fim ao histórico ciclo inflacionário argentino e redirecionar o papel do Estado na economia. A estratégia implementada encontrou resistência significativa no Congresso argentino e nas ruas, onde manifestantes acusam perdas de direitos e empobrecimento generalizado. Mesmo assim, Milei manteve o discurso de que reformas duras eram necessárias para evitar um colapso econômico maior. Por outro lado, o governo norte-americano reforçou o papel da Argentina como aliado estratégico no continente, reconhecendo sua relevância no equilíbrio geopolítico sul-americano e oferecendo suporte, seja por meio de swap cambial, aquisição de dívida ou acesso a linhas especiais de liquidez, demonstrando que a cooperação vai além da esfera política e impacta diretamente o ambiente financeiro internacional.
O protagonismo de Trump e Milei neste episódio sinaliza um alinhamento ideológico sobre políticas econômicas liberais e a defesa do corte no tamanho do Estado. O ex-presidente norte-americano, ao afirmar que a Argentina não precisa de um novo resgate, indica ao mercado global que há confiança na condução fiscal e nas reformas de Milei, apesar dos cenários turbulentos vivenciados pelo país. Por outro lado, analistas internacionais observam que a dependência de apoio externo e o endividamento argentino ainda representam ameaças ao plano de estabilização, colocando à prova a capacidade do governo em manter o ritmo de reformas impopulares diante do desgaste político interno. O apoio público de Trump, em meio a disputas eleitorais e à crescente influência chinesa na América Latina, também serve como recado estratégico para investidores e parceiros comerciais sobre o posicionamento dos Estados Unidos na região. A repercussão desse encontro reverberou entre setores do agronegócio e mercados internacionais, enquanto protestos persistem na Argentina, onde parte significativa da população questiona os rumos do país diante do aumento do desemprego e da pobreza.
Desafios econômicos persistem e futuro argentino permanece incerto
O cenário argentino apresenta, nos próximos meses, um grande desafio para a administração Milei: manter o avanço das reformas diante do desgaste social e do isolamento político crescente. Apesar do apoio declarado de Trump e dos mecanismos emergenciais de auxílio financeiro, analistas apontam que a vulnerabilidade externa e as incertezas internas continuam a limitar as chances de uma recuperação sustentável. Especialistas destacam que, mesmo com a recente redução da inflação, os indicadores de desemprego, queda industrial e crescimento da pobreza podem comprometer a governabilidade e ameaçar a continuidade do projeto liberal defendido pela atual presidência. O alívio pontual promovido pelos acordos e promessa de suporte internacional tende a ser apenas paliativo se não acompanhado por estabilidade política e credibilidade junto ao Congresso e à sociedade argentina. Resta a Milei o desafio de equilibrar um programa austero e até agora impopular, mantendo o diálogo com os setores mais afetados e demonstrando resultados mais concretos para a população. O aval de Trump, embora importante para a imagem externa do governo, não substitui a necessidade de soluções estruturais que permitam à Argentina superar décadas de instabilidade macroeconômica.
Para acompanhar novos desdobramentos sobre política internacional e economia, visite o Portal Rádio London e acesse também a seção de notícias internacionais.
EUA avaliaram lançar salva-vidas financeiro à Argentina de Milei, aliado de Trump
EUA ofereceram apoio à economia argentina em meio a crise enfrentada por Milei
Na última segunda-feira (22), o Tesouro dos Estados Unidos anunciou estar disposto a “fazer tudo o necessário” para apoiar a economia da Argentina, em um momento em que o presidente Javier Milei buscava estabilizar os mercados financeiros, abalados por reveses políticos. O ultraliberal Milei, aliado do presidente americano Donald Trump, enfrentou a desvalorização do peso e precisou vender reservas de divisas após derrotas nas eleições da província de Buenos Aires e no Congresso.
Milei se reuniu na terça-feira (23) com Trump e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Bessent declarou no X que os EUA estavam prontos para ajudar a Argentina, com medidas que poderiam incluir linhas de intercâmbio, compras de divisas e aquisição de dívida governamental em dólares. Milei agradeceu o “apoio incondicional” ao povo argentino.
O chanceler argentino, Gerardo Werthein, negou especulações de um empréstimo de US$ 30 bilhões (cerca de R$ 160 bilhões), afirmando à Radio Mitre que a cifra seria menor. Kristalina Georgieva, do FMI, elogiou o apoio americano às políticas de estabilização da Argentina. Em abril, o país já havia assinado um acordo de US$ 20 bilhões (R$ 113 bilhões na época) com o FMI, sendo o maior devedor do organismo.
Para conter a crise cambial, Milei eliminou temporariamente impostos sobre exportações de grãos, carne bovina e de frango, visando atrair divisas do setor agropecuário, um dos maiores do mundo. A medida, válida até 31 de outubro, foi publicada no diário oficial e buscava incentivar vendas antes das eleições legislativas de 26 de outubro. O mercado reagiu positivamente, com o peso fechando a 1.430 por dólar, uma queda de 5,9% em relação à sexta-feira anterior.
A derrota eleitoral por 14 pontos no início de setembro e a reversão de um veto presidencial pelo Congresso, que garantiu mais fundos para pessoas com deficiência, enfraqueceram Milei. A área de assistência a deficientes está sob investigação judicial por suspeita de propinas, envolvendo Karina Milei, irmã e secretária-geral da Presidência. O Congresso também debate a derrubada de outros vetos para financiar saúde e educação, desafiando o ajuste fiscal de Milei.
A desvalorização do peso e a venda de mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) em reservas pelo Banco Central na última semana elevaram o índice de risco-país do JP Morgan acima de 1.400 pontos, revisado para 300 pontos percentuais na segunda-feira. Em julho, o governo já havia reduzido impostos sobre exportações de soja, de 33% para 26% para grãos e de 31% para 24,5% para derivados.
Nicolás Pino, da Sociedade Rural Argentina, criticou a natureza temporária da medida, defendendo a eliminação permanente de impostos sobre exportações, em entrevista ao canal LN+.
“`
