março 7, 2026

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Protestos contra anistia e PEC da Blindagem reúnem 42,4 mil na Paulista e 41,8 mil em Copacabana

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Manifestação na Paulista rejeita PEC da Blindagem.

População ocupa Avenida Paulista contra propostas no Congresso

Em um domingo marcado por forte mobilização social, 42,4 mil pessoas lotaram a Avenida Paulista, no coração de São Paulo, para protestar contra a chamada PEC da Blindagem e o projeto de anistia em discussão no Congresso Nacional. O ato, realizado em 21 de setembro, foi convocado por movimentos sociais como as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, contando com presença expressiva de sindicatos, artistas, estudantes, partidos de esquerda e de centro-esquerda, além de organizações populares como MST e MTST. Mesmo diante de chuva no fim da tarde, manifestantes ocuparam quarteirões inteiros ao lado do MASP para expressar repúdio à proposta que prevê necessidade de autorização prévia do Congresso para processar parlamentares criminalmente, e à tentativa de anistia aos que participaram de tentativas recentes de desestabilização do Estado democrático de direito. O evento, considerado um dos maiores do tipo no ano, teve como principais demandas a rejeição à blindagem de políticos e o recado direto à classe política de que os brasileiros não aceitam retrocessos.

Os protestos deste domingo representam uma escalada de insatisfação popular com projetos em tramitação na Câmara e no Senado que buscam ampliar a proteção parlamentar diante de processos judiciais e justificar anistia em casos de condenações recentes. O Monitor do Debate Político no Meio Digital da USP, responsável pela contagem dos participantes, observou que, além de São Paulo, outras 32 cidades brasileiras registraram manifestações, incluindo todas as capitais estaduais. Relatos de participantes e lideranças apontam que a mobilização foi além das expectativas, mobilizando desde trabalhadores rurais até estudantes e representantes culturais. Sindicatos e entidades estudantis destacaram que a massiva presença aponta para uma rejeição transversal às tentativas de impedir investigações de parlamentares. Também houve referências críticas a políticos já condenados, e muitos cartazes pediam responsabilização exemplar para figuras políticas diretamente envolvidas com casos investigados.

Analistas políticos avaliam que o impacto da manifestação poderá influenciar diretamente os próximos passos do debate legislativo em Brasília. Apesar da aprovação da PEC na Câmara dos Deputados, a receptividade no Senado tem sido baixa, com o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) já declarando seu parecer contrário. Parlamentares ouvidos durante o evento classificaram o protesto como um divisor de águas, especialmente em relação à pressão das bases sociais sobre seus representantes. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) declarou que a mobilização foi uma “sinalização clara de repúdio” e poderá enterra definitivamente a proposta no Congresso. Outro aspecto destacado foi a dimensão nacional das manifestações, que também aconteceram em cidades como Rio de Janeiro — com concentração em Copacabana — e no exterior, em Lisboa, Londres e Paris, demonstrando articulação transnacional em defesa da integridade das instituições democráticas e contra mecanismos que possam enfraquecer o controle social sobre a classe política.

O recado das ruas, portanto, ecoa não apenas no cenário atual, mas deverá nortear debates e articulações políticas nas próximas semanas, com expectativa de que novos atos possam ocorrer caso o Senado avance na análise da PEC da Blindagem e das propostas de anistia. A mobilização sinaliza o fortalecimento do campo progressista e evidencia a crescente organização dos movimentos sociais em resposta a pautas consideradas ameaças à correção do sistema político e à aplicação igualitária da justiça. A perspectiva é que os desdobramentos desse episódio incentivem um maior engajamento cívico e pressionem o Congresso a dialogar com as demandas populares, mantendo o acompanhamento intenso da sociedade civil sobre propostas polêmicas. Com a aproximação de novos embates no Legislativo, o movimento deixa a mensagem de vigilância ativa e resistência coletiva pelas ruas do país.

Mobilização popular aumenta pressão sobre o Congresso

O desfecho deste ato histórico na Avenida Paulista acirra o debate legislativo e amplia o protagonismo da sociedade civil na luta contra propostas consideradas danosas à democracia e à justiça. O clima político tende a se aquecer ainda mais nas próximas semanas, visto que entidades organizadoras prometem manter a pressão, acompanhando de perto a tramitação das matérias no Senado. Com isso, a expectativa é que novos capítulos e protestos mantenham o tema em evidência, estimulando reflexões profundas sobre a importância do engajamento social na defesa das garantias democráticas. O domingo de 21 de setembro entra para a história recente como demonstração clara da força coletiva diante de iniciativas vistas como tentativas de retrocesso institucional, indicando que a mobilização popular segue sendo uma ferramenta central para influenciar decisões políticas e assegurar transparência e responsabilidade no cenário nacional.

Manifestantes fazem ato contra a PEC da Blindagem na Avenida Paulista, região central de São Paulo. Foto: Fábio Vieira/Estadão

Imprensa europeia elogia protestos massivos contra PEC da Blindagem e PL da Anistia no Brasil

A imprensa europeia repercutiu amplamente, nesta segunda-feira (22), os protestos realizados no domingo (21) em cidades brasileiras contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia — propostas que poderiam ampliar a imunidade de parlamentares e beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão no início do mês por tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022. Veículos como Le Figaro, The Guardian e Le Monde classificaram as manifestações como “massivas” e a maior mobilização da esquerda desde as eleições de 2022, com o presidente Lula apoiando o movimento em postagem nas redes sociais: “As manifestações demonstram que a população não quer a impunidade, nem a anistia.

O site do jornal francês Le Figaro destacou que centenas de milhares de pessoas saíram às ruas, marcando um renascimento do ativismo progressista. Já o Le Monde, em análise de seu correspondente no Rio de Janeiro, Bruno Meyerfeld, celebrou o Brasil por “dar uma bela lição de democracia” ao condenar Bolsonaro, mas alertou que o ex-presidente ainda “dispõe de várias cartas” para evitar cumprir a sentença, incluindo as iniciativas legislativas em tramitação.

O britânico The Guardian publicou reportagem de seu correspondente no Rio, Tom Philipps, que descreveu os atos como uma resposta direta à “tentativa de ajudar o ex-presidente a escapar da sentença”. O jornal lembrou o contexto da condenação de Bolsonaro por “tentar se agarrar ilegalmente ao poder” e enfatizou o impacto dos protestos, que lotaram avenidas nas maiores cidades do país. Destaque para a participação simbólica de artistas que resistiram à Ditadura Militar, como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil, reforçando o caráter histórico da mobilização.

Mobilizações ecoam na Europa

Brasileiros expatriados também tomaram as ruas em capitais europeias, como Paris, Londres e Berlim, em atos solidários. O jornal português Público cobriu a manifestação em Lisboa, onde foi lançado um abaixo-assinado liderado por acadêmicos e intelectuais. O documento alerta que “o Brasil conquistou respeito e protagonismo no cenário mundial como democracia sólida”, mas adverte que “qualquer medida de anistia a atos que atentaram contra a Constituição e a ordem democrática não apenas fragiliza a confiança interna, mas coloca em risco a credibilidade do país no exterior”.

Os protestos, que reuniram dezenas de milhares na Avenida Paulista e em Copacabana, sinalizam uma resistência crescente contra retrocessos institucionais. Analistas europeus veem neles um teste para a solidez da democracia brasileira em meio a pressões políticas internas e internacionais.

Manifestacao na praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Pedro Kirilos/Estadão

Atos contra anistia e PEC da Blindagem reúnem artistas icônicos e multidões em capitais

Artistas, políticos e movimentos sociais lotaram as ruas de capitais brasileiras neste domingo (21) em protestos contra a PEC da Blindagem — que amplia imunidades a parlamentares — e o PL da Anistia, que beneficiaria condenados pela tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sentenciado a 27 anos de prisão. Os maiores atos ocorreram em São Paulo e Rio de Janeiro, com cartazes chamando o Congresso de “inimigo do povo” e exigindo o cumprimento integral das penas. Promovidos pela Frente Brasil Popular, os eventos também pressionaram por pautas sociais, como taxação de super-ricos e fim da escala 6×1.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, manifestantes desfraldaram uma enorme bandeira do Brasil como contraponto ao símbolo americano exibido por bolsonaristas em ato pró-anistia em 7 de setembro. O Monitor do Debate Público da USP estimou 42,4 mil participantes — quase o mesmo número do evento bolsonarista (42,2 mil). O protesto, iniciado às 14h, contou com falas do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), que criticou a “anistia light” aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro: “Não tem meio termo”. O coordenador nacional do MTST, Gilmar Mauro, reforçou a necessidade de barrar as propostas e avançar em reformas populares. O músico Jota.pê, da periferia, destacou: “É importante virmos aqui para mostrar a importância da política para os jovens”. Já o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) prometeu luta contra a “impunidade dessa PEC”.

Em Copacabana, no Rio de Janeiro, o público chegou a 41,8 mil (contra 42,7 mil no ato pró-anistia de 7 de setembro), segundo o Monitor da USP. Bonecos infláveis de Bolsonaro como presidiário e de Donald Trump com o cartaz “Epstein list” — aludindo à amizade do presidente americano com o condenado Jeffrey Epstein — marcaram o cenário. Cartazes gritavam “Congresso, vergonha nacional!”, “Os piores deputados da História” e “Não à PEC da Bandidagem”. O ato transformou-se em show com Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan, Marina Sena, Ivan Lins, Maria Gadú, Paulinho da Viola e Lenine. Caetano Veloso, atuando como mestre de cerimônias, chamou Geraldo Azevedo para “Bicho de Sete Cabeças” e “Dia Branco”, adaptada para “Pro que der e vier comigo, sem anistia”. Em seguida, proclamou: “Sem anistia e com democracia. Este é o Brasil bonito”. Chico e Gil entoaram “Cálice”, hino contra a ditadura.

Manifestações em outras capitais

Em Brasília, o ato começou às 10h com críticas ao Congresso e a Bolsonaro, além de menções ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Faixas pediam “Sem perdão para golpistas” e estimativas de 30 mil participantes saíram do caminhão de som, sem confirmação oficial. O ex-ministro José Dirceu (PT) disparou: “Temos que tomar consciência de que para mudar este País, temos que mudar o Congresso Nacional”. Apresentações de Chico César e Djonga animaram o público.

Salvador viu uma caminhada do Farol ao Cristo, puxada por Daniela Mercury em trio elétrico. A cantora postou nas redes: “Estamos na rua! Contra a PEC da Bandidagem e da Anistia. Salvador dando exemplo de luta pela democracia”. Wagner Moura subiu ao palco: “Aqui, a extrema direita não se cria”. Lan Lanh e Nanda Costa também participaram.

Em Belo Horizonte, o protesto na Praça Raul Soares, às 9h, ecoou gritos de “Bom dia, sem anistia para golpista!”. Bandeiras do Brasil com “Brasil soberano é o povo no poder” e da Palestina marcaram o ato, ao lado de cartazes contra a “PEC da bandidagem”. Fernanda Takai, do Pato Fu, foi uma das atrações.

Em Belém, manifestantes saíram do Theatro da Paz até a Estação das Docas, com shows locais e a presença do ator Marco Nanini.

A cantora Daniela Mercury puxa o trio elétrico durante manifestacao contra a PEC da Blindagem em Salvador. Foto: @DanielaMercury via X

Contexto: PEC e PL em debate no Congresso

A PEC da Blindagem, aprovada na Câmara em 16 de setembro com apoio massivo do PL e 12 votos do PT (dois mudaram na segunda rodada), restringe prisões de parlamentares a flagrantes inafiançáveis, amplia o foro privilegiado e limita investigações sem aval congressional. Agora no Senado, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) sinaliza rejeição.

O PL da Anistia, rebatizado de “PL da Dosimetria” por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ganhou urgência em 17 de setembro e segue na Câmara sob presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB). Críticos veem nas propostas um risco à accountability, especialmente após a condenação de Bolsonaro por golpe.

Os atos sinalizam uma esquerda unida contra retrocessos, com ecos internacionais e pressão para que o Congresso priorize pautas democráticas.

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