Hacker preso por ameaçar Felca aprendeu técnicas pelo YouTube
8 min readHacker que ameaçou Felca usava YouTube para aprender invasão de sistemas.
Jovem preso em Olinda utilizava tutoriais online para práticas criminosas.
A Polícia Civil de Pernambuco prendeu, em Olinda, Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, após ameaças de morte ao humorista e youtuber Felca. A abordagem ocorreu na manhã do dia 25, enquanto Cayo estava acessando ilegalmente sistemas da Secretaria de Defesa Social do estado. As investigações apontam que o jovem dominava técnicas de invasão de dispositivos, obtidas em tutoriais no YouTube, e que mantinha informações sigilosas de órgãos públicos e dados de terceiros. O delegado Eronides Meneses, titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos, revelou que Cayo era membro destacado de uma organização criminosa virtual, conhecida por promover fraudes e comercializar credenciais oficiais através de grupos no Telegram. No momento da prisão, outro suspeito, Paulo Vinícius Oliveira Barbosa, compartilhava o espaço com o hacker, sendo responsável principalmente por negociar dados roubados. A ação policial foi resultado de uma investigação nacional, dado o impacto das invasões promovidas pelo grupo, que também atingiram sistemas do Poder Judiciário e polícias civis de diversos estados.
Rede criminosa comercializava informações sigilosas em plataformas digitais
Cayo Lucas Rodrigues dos Santos tornou-se alvo das autoridades após o envio de mensagens de ameaça ao youtuber Felca, referenciando denúncias contra o influenciador Hytalo Santos. Segundo o delegado Meneses, as ameaças — disparadas via e-mail — destacavam o risco à vida de Felca e a intenção clara de represália pelas denúncias públicas. O jovem hacker, ao ser abordado em sua residência, operava sistemas restritos do governo, utilizando credenciais adquiridas em esquemas digitais de venda e intercâmbio de informações, principalmente por meio do Telegram. Durante o depoimento, Cayo admitiu ampla capacidade de acesso a bancos de dados oficiais, incluindo informações judiciais e mandados de prisão, o que agravou o diagnóstico de periculosidade apresentado no caso. O envolvimento da quadrilha, batizada de “Country”, extrapolava a venda de credenciais, incluindo fraudes, exploração de dados sensíveis, e envolvimento em condutas ilícitas vinculadas à exploração digital de menores, segundo investigações da Polícia Civil de São Paulo. A atuação dos criminosos era marcada pela sofisticação, com rotinas de invasão e comercialização acontecendo em escala nacional e diária.
Investigação aponta desafios no combate ao cibercrime no país
O desenrolar da operação revelou não apenas a complexidade das técnicas empregadas pelo hacker, como também os impactos negativos para a segurança dos órgãos estatais. De acordo com os investigadores, Cayo dominou práticas de “hackeamento” ao consumir uma série de vídeos didáticos disponíveis publicamente no YouTube, utilizando os conhecimentos para manipular malotes digitais de instituições de alta relevância, como o Banco Nacional de Mandados de Prisão e a Receita Federal. Na casa do suspeito, foram encontrados diversos dispositivos eletrônicos com indícios da invasão e transações comerciais ilegais, além de elementos que ligam o grupo a crimes de exploração virtual. Especialistas ouvidos pelas equipes reforçam que a disseminação de instruções técnicas de invasão online colabora para a proliferação de novos delitos, dificultando a repressão imediata e elevando a necessidade de aprimoramento dos métodos de investigação digital. O Departamento Estadual de Investigações Criminais de São Paulo chegou a deslocar equipes para Olinda, diante da amplitude do esquema e da gravidade das ameaças registradas contra Felca.
Desdobramentos e perspectivas para repressão ao crime cibernético
Após a autuação em flagrante do suspeito e do comparsa, a Polícia Civil reforçou o pedido de prisão preventiva para manutenção da custódia, dada a gravidade dos crimes e o risco de continuidade das ações. A solicitação de transferência de Cayo para presídio paulista foi negada, em decorrência da prisão no ato da invasão aos sistemas pernambucanos. O caso expõe vulnerabilidades nas estruturas digitais do setor público e evidencia a necessidade de aprimoramento nas políticas de segurança e monitoramento cibernético no Brasil. O desfecho da investigação é aguardado com expectativa pelas autoridades, que apontam para uma maior integração entre órgãos de segurança estaduais e federais no enfrentamento à crescente onda de crimes digitais. O episódio serve de alerta para a sociedade e para as autoridades, destacando o poder destrutivo de técnicas disseminadas facilmente pela internet, especialmente em plataformas abertas como o YouTube. As evidências levantam a urgência de educar e monitorar o público jovem quanto ao uso ético e seguro da tecnologia, visando prevenir futuras ocorrências do gênero.
Derrite revela que preso por ameaçar Felca comercializava material infantil na internet
O homem preso por ameaçar o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, também comercializava fotos de crianças vítimas de estupro virtual, conforme informou o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite.
Felca ganhou notoriedade com um vídeo viral denunciando a “adultização” e a exploração de menores nas redes sociais, destacando o caso do influenciador Hytalo Santos. Derrite celebrou a prisão de Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 21 anos, em Pernambuco, na segunda-feira (25), em uma postagem nas redes sociais: “A Polícia Civil de São Paulo prendeu em Pernambuco um indivíduo que ameaçou Felca após suas denúncias. Um excelente trabalho de investigação que levou a esse criminoso, que, além das ameaças, vendia material infantil nas redes”, escreveu.
De acordo com a polícia, o suspeito lucrava com a venda de vídeos e fotos de vítimas de estupro virtual, o que motivou as ameaças contra Felca. A prisão de Cayo foi autorizada por uma decisão judicial urgente do Tribunal de Justiça de São Paulo, emitida em 17 de agosto, após Felca solicitar ao Google Brasil a quebra de sigilo de um e-mail que o ameaçava. A TV Globo tenta contato com a defesa do suspeito.
Felca relatou ter recebido ameaças de morte e falsas acusações de pedofilia após publicar o vídeo sobre “adultização”, o que representava um risco à sua segurança. O tribunal determinou que o Google fornecesse em 24 horas os dados de identificação do usuário do e-mail, incluindo IPs e informações cadastrais.
Cayo foi preso em sua residência em Olinda, acompanhado de outro homem. Durante a prisão, o computador do suspeito estava aberto na plataforma de Segurança Pública de Pernambuco, fato que, segundo a polícia, reforça a gravidade do caso e será investigado. Após a prisão, Cayo foi levado à delegacia para formalização dos procedimentos, enquanto o outro homem será apresentado à autoridade policial por suspeita de invasão de dispositivo informático, crime previsto no artigo 154-A do Código Penal.
Conteúdo dos e-mails
Os e-mails com ameaças, enviados em 16 de agosto, fazem referência ao vídeo em que Felca denunciou Hytalo Santos por exploração de menores. Em uma mensagem, às 5h30, o remetente escreveu: “Você acha que vai ficar impune por denunciar o Hytalo Santos”, seguido de ameaças como “Você tá enganado, você vai ferrar muito sua vida”, “prepara pra morrer” e “você vai pagar com a sua vida”. Outro e-mail, às 8h05, reforçou as ameaças.
Segurança reforçada
Em entrevista ao podcast PodDelas, Felca revelou que passou a usar carro blindado e seguranças em São Paulo, onde mora, para se proteger após as denúncias. Ele ficou conhecido por criticar influenciadores envolvidos com apostas esportivas (bets) e, no vídeo “Adultização”, denunciou Hytalo Santos, alertando sobre os perigos da exposição de menores nas redes.
“Estou recebendo muitas ameaças, de temas delicados. Comecei a andar com carro blindado e segurança. A questão das bets gerou muitas ameaças, e a da adultização também. Há ameaça de processos, mas é o lado da verdade. Se ninguém fala, ninguém vai falar”, disse Felca.
Ele contou que o vídeo, que levou um ano para ser produzido, incluiu uma entrevista com uma psicóloga especializada em crianças. “Mergulhei no lamaçal. Foi aversivo fazer esse vídeo. É terrível ver essas cenas, dá vontade de chorar, de vomitar. O que fazemos é uma gota no oceano, mas sem ela, o oceano seria menor”, destacou.
No vídeo de 50 minutos, Felca compilou denúncias contra influenciadores que exploram a imagem de crianças e explicou como algoritmos favorecem a disseminação desse conteúdo. A denúncia viralizou, reacendendo o debate sobre os direitos das crianças na internet.
“A gente mostra como o algoritmo favorece. O público dessas crianças não é de pessoas engajadas no conteúdo delas, mas de pedófilos. Nos comentários, há pessoas mandando corações e pedindo mais. Os pais incentivam isso por conta do mercado consumidor, já que os vídeos monetizam”, afirmou no PodDelas.
Uma juíza alertou que a exposição de crianças em redes sociais, mesmo em perfis fechados, facilita o acesso de predadores sexuais. Ela destacou o conceito de sharenting: “A imagem dos filhos pertence a eles, não aos pais. Não somos donos do conteúdo dos nossos filhos, e usá-lo só porque são pequenos é injusto.”
Quem é Felca
Natural de Londrina (PR) e residente em São Paulo, Felca tem mais de 5,23 milhões de inscritos em seu canal no YouTube, criado em julho de 2017, e 13,7 milhões de seguidores no Instagram. Ele ficou famoso por vídeos de reacts e conteúdos humorísticos. Em setembro de 2023, o g1 entrevistou o youtuber sobre lives NPC, após ele ganhar 1 milhão de seguidores no TikTok em apenas quatro dias.
Globo aposta em Felca, e influenciador participa de entrevista no ‘Conversa com Bial’
Felca conquista espaço na Globo após denúncias virais. Entrevistado por Serginho Groisman no Altas Horas e por Estevan Muniz no Fantástico, o youtuber agora é convidado de Pedro Bial no Conversa com Bial, que vai ao ar nesta terça-feira, 26. A chamada do programa destaca “uma conversa urgente sobre adultização com o influenciador que trouxe o tema à tona”.
Exibido de segunda a sexta após o Jornal da Globo, o programa de Bial apresenta Felca como “o responsável pelas denúncias que sacudiram a internet nas últimas semanas”. Seu vídeo, publicado no YouTube em 7 de agosto, já acumula 48 milhões de visualizações em pouco mais de duas semanas. Em 50 minutos, Felca compilou denúncias contra influenciadores que exploram a imagem de crianças, demonstrou como algoritmos direcionam esse conteúdo a pedófilos e entrevistou uma psicóloga especializada sobre os riscos da superexposição de menores nas redes sociais.
No vídeo, ele citou o caso do influenciador paraibano Hytalo Santos, de 28 anos, conhecido por exibir uma vida de luxo e sua rotina com crianças e jovens, chamados de “filhos”. Entre eles, está Kamylinha Santos, de 17 anos, exposta por Hytalo desde os 12. Felca classificou o conteúdo como um “circo macabro”.
Hytalo, que já era investigado pelo Ministério Público da Paraíba desde dezembro de 2024, foi preso após a repercussão do vídeo de Felca. Ele e seu marido, Euro, também detido, são alvos de investigações por suspeita de tráfico de pessoas, exploração sexual, trabalho infantil artístico irregular, produção de vídeos com menores para redes sociais e constrangimento de crianças e adolescentes.
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