Governo e BC rejeitam bitcoin como reserva internacional
7 min readGoverno e Banco Central rejeitam a inclusão do Bitcoin nas reservas internacionais do Brasil: saiba as razões.
Autoridades reforçam posição contrária ao bitcoin como reserva.
O governo federal e o Banco Central do Brasil retiraram a possibilidade de incluir o bitcoin entre os ativos que compõem as reservas internacionais do país, numa decisão anunciada em 21 de agosto de 2025 durante audiência pública na Câmara dos Deputados. O subsecretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Daniel Leal, assegurou que a natureza volátil das criptomoedas é incompatível com os critérios de segurança e estabilidade exigidos para a composição dessas reservas, que tradicionalmente são formadas por ativos líquidos, estáveis e amplamente aceitos, como títulos do Tesouro de economias desenvolvidas e ouro. O posicionamento oficial do Banco Central, endossado por seu chefe do Departamento de Reservas Internacionais, Luís Guilherme Siciliano, reforçou que, segundo as regras do Fundo Monetário Internacional, o bitcoin é classificado como ativo de capital, e não de reserva, o que prejudica seu enquadramento institucional. De acordo com a análise apresentada, a experiência internacional recente e relatórios da OMFIF (Official Monetary and Financial Institutions Forum) também indicam que a alta volatilidade dos criptoativos é considerada inadequada para políticas conservadoras típicas dos bancos centrais, especialmente em momentos de tensão no sistema financeiro global, quando a proteção de valor das reservas se torna ainda mais crucial. O debate foi motivado por projetos legislativos propostos por parlamentares que defendem a criação de uma reserva estratégica baseada em bitcoin, mas o consenso entre as principais autoridades econômicas é de reprovação.
‘“As reservas não existem para gerar ganhos especulativos, mas para garantir estabilidade e confiança. E o Bitcoin, pela sua natureza, não se enquadra nesse perfil”, afirmou o subsecretário.
“O Bitcoin não oferece a previsibilidade e a liquidez exigidas de uma reserva internacional. Ele se comporta, na prática, como um ativo de risco, especialmente em momentos de turbulência global”, disse o representante do BC.’
Contexto sobre a rejeição do bitcoin nas reservas nacionais
O contexto do posicionamento governamental envolve discussões recentes sobre o papel de ativos digitais nos portfólios das autoridades monetárias, impulsionadas pela crescente popularidade das criptomoedas em mercados globais. Nos últimos anos, diferentes países avaliaram a possibilidade de alocar parte de suas reservas internacionais em criptoativos como bitcoin, especialmente em meio à digitalização de instrumentos financeiros e à busca por alternativas diante de cenários geopolíticos instáveis. No Brasil, esse movimento resultou na apresentação de iniciativas legislativas, sobretudo na Câmara dos Deputados, onde se debateu a proposta de criação de uma reserva estratégica de bitcoin. Contudo, segundo Daniel Leal e Luís Guilherme Siciliano, as reservas internacionais são fundamentais para garantir liquidez imediata ao país em momentos críticos, preservar a confiança de investidores estrangeiros e estabilizar o câmbio, objetivos que exigem ativos de risco extremamente baixo. Na audiência, os representantes do Tesouro Nacional e do Banco Central salientaram que a introdução de ativos altamente voláteis nas reservas poderia comprometer a credibilidade da política cambial brasileira, gerar pressões políticas em caso de desvalorização do ativo e aumentar o risco sistêmico. Além disso, especialistas apontaram para a necessidade de uma legislação clara e específica, caso o tema avance, devido à complexidade técnica e à falta de padronização internacional sobre o tratamento de criptomoedas em reservas oficiais.
Experiências internacionais
El Salvador: pioneirismo sob crítica
El Salvador tornou-se, em 2021, o primeiro país a adotar o Bitcoin como moeda legal e a incluí-lo em suas reservas. Contudo, a iniciativa enfrenta críticas de instituições como o FMI, que apontam riscos de instabilidade fiscal e endividamento.
Estados Unidos: ativos digitais confiscados
Nos EUA, a chamada “reserva estratégica” de criptoativos é composta majoritariamente por moedas digitais apreendidas em operações contra crimes financeiros, não sendo formalmente parte das reservas internacionais.
Europa e Suíça: resistência à adoção
O Banco Central Europeu (BCE) e o Banco Nacional Suíço rejeitam a inclusão do Bitcoin em suas reservas, citando falta de segurança, transparência e estabilidade.
Por que o Bitcoin é arriscado para reservas?
Volatilidade elevada
O Bitcoin apresenta fortes oscilações de preço, com ganhos rápidos, mas também quedas abruptas, o que contraria o propósito de estabilidade das reservas internacionais.
Correlação com ativos de risco
Apesar de ser comparado ao “ouro digital” por alguns, estudos indicam que o Bitcoin tende a cair em momentos de crise global, alinhando-se a ativos de risco, em vez de atuar como refúgio seguro.
Liquidez restrita
O mercado de criptomoedas, embora crescente, é menos líquido que os mercados de moedas tradicionais ou títulos soberanos, dificultando operações de grande volume sem impactos significativos nos preços.
Debate global: criptoativos nas reservas?
Embora haja resistência, discussões globais exploram a possibilidade de criptoativos nas reservas de bancos centrais. Alguns defendem que, com a maturação do mercado, o Bitcoin pode ter um papel complementar. Outros, porém, apostam nas moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) como alternativa mais viável.
Perspectivas para o Brasil
No Brasil, o Banco Central e o Tesouro adotam cautela, descartando a inclusão do Bitcoin nas reservas no curto e médio prazo. A posição alinha-se a países desenvolvidos e segue recomendações de organismos internacionais, mas o avanço do mercado cripto deve manter o tema em debate no Congresso e em fóruns globais.
Implicações da exclusão do bitcoin das reservas brasileiras
A rejeição da adoção do bitcoin como parte das reservas internacionais do Brasil traz implicações relevantes do ponto de vista econômico e institucional. Para os representantes do governo e do Banco Central, a medida reforça o compromisso com uma gestão prudente e conservadora das reservas, elemento considerado central para a proteção contra choques externos e para a credibilidade da economia brasileira no cenário internacional. O bitcoin, apesar de representar inovação financeira, ainda registra oscilações de preço imprevisíveis e falta de liquidez em larga escala quando comparado a instrumentos tradicionais, fatores que podem aumentar o custo de oportunidade e limitar a capacidade de resposta do Brasil diante de crises de balanço de pagamentos. As análises oficiais apontam que a prioridade da política monetária segue sendo preservar ativos sólidos, reconhecidos por órgãos multilaterais, que garantam, além da segurança patrimonial, flexibilidade operacional em intervenções de mercado. Em paralelo, a decisão também sinaliza precaução em meio à crescente febre em torno das criptomoedas globalmente, evitando riscos futuros associados a eventuais rupturas ou transformações abruptas no setor de criptoativos. O debate sobre a modernização das reservas nacionais, porém, deve evoluir à medida que tecnologias financeiras sejam mais amplamente avaliadas, especialmente quanto à sua estabilidade e aceitação mundial.
Como funcionam as reservas internacionais do Brasil?
As reservas internacionais do Brasil, que superam US$ 350 bilhões, são compostas majoritariamente por ativos de alta liquidez e baixo risco, incluindo:
- Títulos soberanos de economias desenvolvidas;
- Depósitos em moedas fortes, como dólar, euro e iene;
- Ouro, utilizado como proteção em momentos de crise.
O foco das reservas não é obter altos retornos, mas garantir segurança, confiança para investidores e credores, e estabilidade macroeconômica. A inclusão de ativos voláteis, como o Bitcoin, poderia ameaçar esse equilíbrio.
Projeto de lei para incluir Bitcoin nas reservas
O debate sobre o Bitcoin nas reservas surgiu a partir de um projeto de lei do deputado Eros Biondini (PL-MG), que propõe alocar até 5% das reservas internacionais em criptomoedas, com ênfase no Bitcoin.
Argumentos do parlamentar
Biondini argumenta que a medida traria:
- Diversificação dos ativos do Tesouro Nacional;
- Proteção contra riscos geopolíticos e variações cambiais;
- Oportunidade para o Brasil se destacar como pioneiro em tecnologias financeiras.
Para o deputado, desconsiderar o crescimento do mercado de criptoativos seria uma postura excessivamente conservadora, que poderia deixar o Brasil atrás de outras nações.
Perspectivas futuras para ativos digitais e reservas internacionais
Embora o governo e o Banco Central afastem categoricamente a inclusão do bitcoin nas reservas internacionais brasileiras neste momento, a discussão sobre ativos digitais e transformações financeiras globais deve permanecer em pauta nos próximos anos, impulsionada pelo avanço tecnológico e pelo interesse de parlamentares e parte da sociedade civil. A dinâmica das moedas digitais, a evolução regulatória internacional e a integração de novas tecnologias financeiras nos mercados emergentes tendem a influenciar futuros debates sobre alternativas de diversificação para as reservas oficiais. Ainda assim, a tendência majoritária entre especialistas e autoridades é de manutenção dos critérios atuais de segurança, liquidez e estabilidade, limitando a atuação institucional no universo dos criptoativos. O governo reitera que as reservas brasileiras seguirão compostas prioritariamente por ativos reconhecidos e aceitos internacionalmente, enquanto propostas inovadoras passarão por rigorosa análise técnica, institucional e legislativa antes de qualquer possível mudança de paradigma. Nos próximos anos, o cenário deve seguir pautado por prudência e acompanhamento atento das tendências globais, preservando a solidez da política monetária nacional.
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