março 7, 2026

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Trump multiplica fortalezas e separações globais, explica Harari

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Trump multiplica fortalezas e separações globais, explica Harari.

Harari aponta a ascensão de muros entre nações no governo Trump.

O pensador israelense Yuval Noah Harari, autor dos renomados best-sellers “Sapiens”, “Homo Deus” e “Nexus”, levantou uma crítica contundente ao cenário internacional atual ao participar, no domingo, do evento São Paulo Beyond Business (SP2B), no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Durante sua palestra, Harari ressaltou que o governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está engajado em criar o que chamou de uma “coleção de fortalezas”, cenário em que cada país se isola por meio de muros financeiros, culturais e até físicos. Segundo ele, tais separações estão promovendo uma nova etapa no isolamento global, com as nações erguendo barreiras em múltiplas frentes e, consequentemente, elevando o potencial para conflitos e disputas de supremacia. Harari enfatizou ainda as intenções imperialistas demonstradas pela administração Trump em relação à Groenlândia, ao Canal do Panamá e até mesmo ao Canadá, sinalizando uma busca por domínios estratégicos em diferentes partes do planeta. O filósofo detalha que o surgimento dessas fortalezas não representa apenas proteção, mas sim um distanciamento que pode trazer resultados pouco amistosos para o contexto internacional, transformando relações entre países em dinâmicas de tensão e competição crescente.

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Contexto histórico e impactos das fortalezas na ordem global

A fala de Harari insere-se num momento histórico em que líderes mundiais intensificam práticas de segregação, num paralelo explícito com movimentos de conquista do passado. O historiador destaca que guerras por território, antes consideradas tabu desde o pós-Segunda Guerra Mundial, voltam a ser objeto de ambição de determinadas nações. Os Estados Unidos, sob influência do pensamento trumpista, passaram a cultivar barreiras tarifárias, iniciativas militares e restrições culturais que minam a cooperação internacional e alimentam um clima de supercompetição. Harari lembra que, além das investidas sobre áreas estratégicas feitas por Trump, outros países também têm se engajado em avanços expansionistas, como a Rússia na Ucrânia e a China no mar do Sul. Nesse contexto, as fortalezas criadas não são apenas físicas, mas também econômicas e simbólicas, reforçadas por estratégias internas que dificultam o diálogo entre povos. A globalização, que por décadas representou aproximação, troca e interdependência, passa a ser substituída por uma lógica de proteção unilateral, em que cada nação busca maximizar sua força e autonomia em detrimento dos riscos de colaboração.

Inteligência artificial e novas formas de poder no mundo contemporâneo

Além dos desdobramentos políticos e estratégicos apresentados por Harari, o autor aprofundou a discussão ao destacar o papel da Inteligência Artificial como agente disruptivo global. Harari classifica a IA como uma “inteligência alienígena”, capaz de se autocriar, formular novas ideias e executar decisões que transcendem qualquer parâmetro humano ou animal. Ele argumenta que, enquanto as fortalezas se constroem e isolam sociedades humanas, a IA multiplica sua influência sem fronteiras, introduzindo alternativas desconhecidas para a governança, a moeda e até as estratégias de poder militar. Essa ascensão da inteligência artificial ocorre simultaneamente à erosão do diálogo e da cooperação entre países e pessoas, tornando a tecnologia uma ponte possível diante do isolamento estatal. Para o autor, o cenário pode caminhar para ideologias inéditas e formas de organização que desafiam os modelos tradicionais, ampliando o fosso entre indivíduos e sistemas automatizados. O impacto da IA, segundo Harari, não se limita ao campo digital: ela transforma as relações entre países e pode estruturar novas balizas para governâncias futuras numa era marcada por fortificações políticas e tecnológicas.

Futuro incerto e perspectivas diante das novas barreiras globais

Diante dessas tendências, Harari conclui que o mundo contemporâneo enfrenta um futuro incerto, em que a ascensão de fortalezas dificulta soluções coletivas para crises globais e amplifica tensões geopolíticas. O avanço de barreiras financeiras, culturais e militares desafia compromissos democráticos e a busca por consenso, tornando cada país mais vulnerável ao egoísmo institucional. O autor sugere que a única resposta viável para esses desafios está na reinvenção do diálogo transnacional, aliada a uma regulação global da inteligência artificial e ao enfraquecimento de estratégias isolacionistas. Harari enxerga que, caso a lógica das fortalezas tome conta dos próximos anos, as relações internacionais podem entrar em colapso, com impactos diretos na economia, na tecnologia e na vida cotidiana. Cabe à sociedade repensar os modelos de liderança e os sistemas que alimentam divisões, promovendo alternativas para que a coexistência global não sucumba definitivamente aos muros, sejam eles concretos ou virtuais.

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