Brasil pode dificultar avanço da IA com regras de direito autoral, alerta OpenAI
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Regulação ameaça avanços da inteligência artificial no Brasil.
OpenAI alerta para impacto da legislação sobre IA.
O debate sobre a inclusão dos direitos autorais na regulação da inteligência artificial se intensificou durante a Rio Innovation Week, evento realizado na terça-feira, 12, no Rio de Janeiro. Nicolas Andrade, diretor de políticas da OpenAI para América Latina e Caribe, destacou que a proposta em discussão no Congresso pode criar obstáculos “caríssimos” para a operação da empresa no país. Segundo a OpenAI, a maneira como o Brasil pretende incorporar direitos autorais à nova legislação de IA pode resultar em custos elevados e afetar negativamente o desenvolvimento de modelos de linguagem. Andrade alertou que, caso prevaleçam regras mais restritivas, modelos de IA terão menor acesso a dados essenciais para treinamentos, acentuando a disparidade tecnológica entre o Brasil e países que já adotam abordagens consideradas mais flexíveis, como Estados Unidos, Japão e Singapura. O posicionamento foi compartilhado durante painéis no evento, reforçando preocupações sobre o ritmo do avanço tecnológico no país e apontando para o risco de estagnação em setores que dependem diretamente de soluções impulsionadas por IA. Com o Brasil se destacando como um dos principais mercados para plataformas como o ChatGPT, o debate ganha relevância nacional e internacional.
Direito autoral esbarra no avanço da inteligência artificial
O contexto de regulação de IA no Brasil ocorre em meio ao crescimento acelerado do uso de ferramentas baseadas em inteligência artificial. No cenário internacional, países como EUA e membros da União Europeia apresentam diferentes abordagens para a proteção de dados e direitos autorais envolvendo o treinamento de algoritmos. Nos Estados Unidos, existe uma aplicação do conceito de *fair use*, permitindo que grandes empresas explorem conteúdos diversos sem barreiras excessivas para criar modelos avançados. Em contrapartida, a legislação europeia introduz restrições que vêm provocando insatisfações no setor, como foi reconhecido durante os debates na Rio Innovation Week. No Brasil, a proposta atual de regulação levanta dúvidas sobre o acesso legal a conteúdos digitais usados na formação de sistemas de IA, o que pode inibir o desenvolvimento de soluções customizadas, especialmente na língua portuguesa. Segundo a OpenAI, a participação do Brasil, destaca-se por ser grande contribuidor de conteúdo online em português, é fundamental para que a tecnologia represente adequadamente o país, empresas e usuários nacionais.
Desdobramentos da regulação da IA e possíveis entraves econômicos
A análise dos possíveis desdobramentos da inclusão do direito autoral na regulação da inteligência artificial revela preocupações profundas para o futuro da inovação no Brasil. Empresas do setor tecnológico temem que a necessidade de remuneração aos titulares de dados crie uma espécie de pedágio, dificultando o acesso ao universo de informações cruciais para o aprimoramento dos algoritmos. A gerente de Políticas Públicas da OpenAI, Josiara Diniz, ressaltou em debate recente no 5º Congresso Brasileiro de Internet que a restrição dos dados limitará severamente o desenvolvimento de modelos de linguagem treinados em português, podendo comprometer não apenas os negócios locais, mas também projetos voltados para educação digital, agropecuária e outras áreas estratégicas. O Brasil figura entre os países que mais utilizam ferramentas como o ChatGPT, o que intensifica o impacto potencial dessas mudanças. Além da OpenAI, outras empresas e startups nacionais que desenvolvem soluções baseadas em IA para diferentes setores veem a regulação excessiva como um risco à competitividade e à formação de novos negócios, podendo prejudicar o posicionamento do país como agente inovador no mercado global de inteligência artificial.
Perspectivas futuras para IA e direito autoral no Brasil
O avanço da regulação da inteligência artificial no Brasil ganhou contornos estratégicos e continuará sendo pauta prioritária para empresas, governo e sociedade civil. A expectativa do setor é que o Congresso busque equilíbrio entre a proteção aos autores e a promoção da inovação, inspirando-se em legislações internacionais bem-sucedidas, mas sem perder de vista o contexto nacional. Especialistas defendem que transparência, documentação e consulta pública devem orientar as próximas etapas da discussão, visando garantir segurança jurídica e evitar que interpretações restritivas do direito autoral bloqueiem o progresso tecnológico. À medida que o Brasil se consolida como player relevante no consumo de IA, com alta participação de usuários, há consenso de que decisões equivocadas podem gerar perdas para indústria, cultura e educação, afastando investimentos e tornando o mercado menos atrativo. O desafio central permanece: viabilizar regulamentação que fomente a criatividade e o avanço científico sem impor barreiras desproporcionais ao desenvolvimento tecnológico. O setor acompanha atento, enquanto novas rodadas de negociação devem marcar o segundo semestre.
Chefe da OpenAI no Brasil alerta que Marco da IA pode atrasar avanço tecnológico
Com mais de 140 milhões de mensagens diárias enviadas ao ChatGPT, o Brasil se consolidou como um dos principais mercados da OpenAI fora dos EUA, destacando o potencial para a aplicação da inteligência artificial (IA) no país. Esse cenário motivou a empresa a designar, em 2023, Nicolas Andrade como seu primeiro funcionário na América Latina. Baseado em Brasília, Andrade, responsável pelas políticas da OpenAI na região, participou do Rio Innovation Week na semana passada, discutindo o papel do Brasil no cenário global da IA.
Formado pela Universidade de Oxford, Andrade chegou ao Brasil em 2014, trabalhou em projetos como as Olimpíadas do Rio 2016 e em empresas como a Meta antes de assumir o cargo de diretor de políticas para América Latina e Caribe na OpenAI. Em entrevista ao Estadão, ele abordou a relevância do público brasileiro, os desafios de uma IA democrática e segura, e os impactos do Marco da IA, em tramitação no Congresso, no desenvolvimento tecnológico do país.
Como tem sido seu trabalho na OpenAI no Brasil?
“Foram quase dois anos de grande impacto. A missão da OpenAI de democratizar a IA alinha-se com a criatividade e a receptividade dos brasileiros à tecnologia. Aqui, a IA é usada não só por early adopters, mas para promover desenvolvimento social e econômico, com soluções criativas que vão além do esperado.”
Qual a importância do Brasil para a OpenAI?
“O Brasil se destaca pelo número de usuários e desenvolvedores utilizando nossa API para criar soluções. A adoção da IA é acelerada, especialmente em regiões como Tocantins, Amazonas e Paraíba, que lideram o uso do ChatGPT fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília-Minas. Isso mostra que a tecnologia está alcançando além das grandes capitais e classes médias, democratizando o acesso.”
Quais as oportunidades da OpenAI no Brasil?
“A maior oportunidade é tornar a IA acessível a todos. Programas como o FavelaGPT, no Rio e São Paulo, oferecem o ChatGPT Plus gratuitamente, enquanto o AmazonasGPT, em parceria com a UFAM, foca em conservação ambiental. Empresas e governos também estão explorando a IA para oferecer serviços mais eficientes.”
Há planos de investimento em infraestrutura, como data centers, no Brasil?
“O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) acerta ao priorizar infraestrutura, mas a OpenAI não tem planos de construir data centers no Brasil atualmente. Nosso projeto OpenAI for Countries apoia parcerias com governos interessados em infraestrutura, mas ainda estamos em fase de diálogo.”
Como avalia o PBIA?
“O PBIA é robusto e destaca projetos de IA no Brasil, com a OpenAI liderando em número de iniciativas. No entanto, o PL 2338, em tramitação no Congresso, não dialoga com o PBIA. É essencial alinhar esses documentos para garantir que os objetivos de desenvolvimento nacional sejam alcançados.”
Qual a posição da OpenAI sobre o Marco da IA?
“O PL 2338 precisa de ajustes. Há confusão entre ‘modelos’ e ‘sistemas’ de IA, que são conceitos distintos, como motor e carro. Além disso, é crucial entender a cadeia de valor da IA, onde quem desenvolve o modelo raramente é quem implementa a solução. As categorias de risco devem ser técnicas e alinhadas a legislações globais, envolvendo desenvolvedores no debate para evitar entraves à inovação.”
A regulação pode frear a inovação?
“Não vejo regulação como pró ou contra-inovação. É possível proteger direitos e mitigar riscos sem bloquear o desenvolvimento. O Brasil tem uma comunidade de desenvolvedores única, e a regulação deve permitir que ela prospere, como já ocorre, atraindo atenção de líderes globais.”
A OpenAI planeja acordos com jornais brasileiros, como fez nos EUA e Europa?
“Estamos abertos a parcerias com a imprensa brasileira, como fizemos globalmente, exibindo resumos de notícias com links para os jornais. Tenho conversado com o setor jornalístico na América Latina, mas ainda não fechamos acordos.”
Como a OpenAI previne desinformação, especialmente para as eleições de 2026?
“Nossos padrões de comunidade e salvaguardas impedem a geração de conteúdo que viole nossas regras. Em eleições, focamos em mitigar riscos em canais de comunicação massiva. Por exemplo, permitimos que figuras públicas solicitem a exclusão de suas imagens de ferramentas de geração de mídia, reduzindo o risco de manipulação.”
O que é Inteligência Artificial Geral (AGI) e por que ela importa?
“AGI é um modelo com inteligência comparável à humana em tarefas e raciocínio. A definição evolui, mas na OpenAI acreditamos que a AGI deve ser acessível e útil para todos, transformando economias e mercados de trabalho. Nosso foco é garantir que todos possam se beneficiar dessa revolução tecnológica.”
OpenAI promoveu evento no Brasil unindo IA e criatividade para imaginar futuros
A OpenAI realizou seu primeiro evento oficial no Brasil (12/8), chamado “Amanhãs Possíveis”, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A iniciativa transformou o espaço em um cenário de integração entre inteligência artificial, arte e imaginação coletiva, reunindo artistas, criadores de conteúdo e profissionais criativos para idealizar futuros promissores para o Brasil e o mundo.
Fruto de uma parceria entre a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, o Museu do Amanhã e a startup brasileira Flint, focada em educação para criadores, o evento desafiou os participantes a responderem: “Qual é o amanhã que você deseja ver?” As respostas foram convertidas em prompts para o ChatGPT e o Sora, ferramentas de IA da OpenAI, que geraram narrativas visuais projetadas nas paredes do museu, criando uma experiência imersiva que destacou o poder da IA em potencializar a criatividade humana.
Christian Rôças, CEO da Flint, enfatizou a sinergia entre humanos e IA: “Discutir o futuro é refletir sobre o presente. Ferramentas como ChatGPT e Sora não substituem a criatividade, mas expandem suas possibilidades.” Uma análise das ideias revelou que 28,6% eram “Propositivas”, abordando temas como educação inclusiva, igualdade de gênero e saúde universal; 20% eram “Visionárias”, imaginando mundos conectados; 12,9% eram “Técnicas”, focadas em avanços em IA e robótica; e 8,6% eram “Contemplativas”, com poesia e imagens abstratas. Sustentabilidade, inovação, equidade social e cultura foram os temas mais mencionados.
Nicolas Robinson Andrade, Head de Políticas para América Latina e Caribe da OpenAI, destacou a inclusão digital: “A IA deve ser acessível a todos. Estimular a imaginação coletiva nos ajuda a construir um futuro inclusivo.” Cristiano Vasconcelos, diretor do Museu do Amanhã, reforçou: “Arte, ciência e tecnologia sempre inspiraram visões de futuro. A IA deu forma a esse potencial criativo.”
Para quem não esteve presente, uma plataforma online foi lançada, permitindo visualizar os trabalhos e enviar ideias para serem transformadas em vídeos por IA, ampliando o impacto do evento. O “Amanhãs Possíveis” marcou a consolidação da OpenAI na América Latina, evidenciando o potencial da IA generativa não apenas em aplicações técnicas, mas como uma ferramenta para reflexões coletivas sobre o futuro que queremos.
Mais notícias sobre o tema podem ser encontradas em Portal Rádio London e na editoria Economia.
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