Milhares vão às ruas após sanções dos EUA a Moraes
7 min readMilhares enchem ruas do Brasil após sanções dos EUA a Moraes.
Protestos reúnem apoiadores de Bolsonaro após medidas dos EUA.
Milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro ocuparam ruas em várias capitais do Brasil no domingo, reagindo ao anúncio recente das sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e à decisão americana de sobretaxar produtos brasileiros. Os protestos movimentaram cidades como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Belém, Goiânia, Porto Alegre e Salvador, predominando entre os manifestantes o uso das cores verde e amarela, além da presença marcante de bandeiras dos Estados Unidos e cartazes em agradecimento ao presidente americano Donald Trump. Principalmente na Avenida Paulista, em São Paulo, e na orla de Copacabana, no Rio, o clima era de indignação contra o que consideram arbitrariedades e censura, atribuídas pelo grupo tanto ao STF quanto ao governo brasileiro atual. Personalidades alinhadas ao bolsonarismo, como o senador Flávio Bolsonaro e o governador Cláudio Castro (PL), estiveram presentes e incentivaram o ato público. Jair Bolsonaro, impossibilitado de participar presencialmente em função das restrições judiciais, acompanhou a movimentação à distância, em registro divulgado por aliados.
Proibido pelo STF de usar redes sociais, sair de casa nos fins de semana e obrigado a usar tornozeleira eletrônica, o ex-presidente falou aos manifestantes por uma ligação para seu filho Flávio Bolsonaro, no Rio. “Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos, é pela nossa liberdade. Estamos juntos”, afirmou Bolsonaro. O áudio foi amplificado pelos alto-falantes em Copacabana, e a saudação foi gravada em vídeo e publicada no perfil oficial de Flávio.
O contexto dos protestos está diretamente ligado à tensão política entre diferentes poderes no Brasil e ao impacto internacional da decisão americana sobre temas sensíveis relacionados à democracia e liberdade de expressão. As sanções dos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes, acusado pelos manifestantes de promover censura e arbitrariedades, foram vistas como um “sinal verde” para fortalecer a mobilização política interna. O anúncio de sobretaxas de 50% sobre produtos brasileiros, feito pelo governo Trump, dividiu opiniões entre participantes: enquanto uns enxergam a medida como prejudicial à economia do país, outros classificam como um mal necessário para alcançar, segundo suas perspectivas, mudanças institucionais e políticas. O histórico de embates entre o STF, figuras bolsonaristas e autoridades americanas intensificou debates sobre os rumos da democracia no Brasil. Durante os atos, cartazes e discursos pediam “o fim das censuras” e a preservação das liberdades civis e políticas. Para muitos, a decisão americana trouxe esperança de apoio externo numa conjuntura interna que consideram desfavorável.
Enquanto Flávio Bolsonaro esteve no Rio, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) participou de atos em Belém (PA), fortalecendo as manifestações no Norte. Em São Paulo, apesar da presença do prefeito Ricardo Nunes (MDB), o pastor Silas Malafaia foi o principal orador. Ele chamou Moraes de “criminoso”, exigiu o arquivamento de ações contra bolsonaristas e pediu a Deus que quebrasse “a dureza, ambição e vaidade” de parlamentares e ministros do STF.
O desdobramento dos protestos vai além das manifestações públicas. As ações deste domingo mostraram uma base alinhada e mobilizada com reivindicações específicas, reforçando a polarização política nacional frente às decisões judiciais e aos recentes movimentos do governo dos Estados Unidos. Figuras públicas e lideranças religiosas, como o pastor Silas Malafaia, ressaltaram nas manifestações a necessidade de “recuperar a liberdade” e impedir o “avanço da censura”. Relatos de participantes indicam que a preocupação não é apenas com as sanções internacionais, mas com o futuro do sistema de direitos e garantias individuais no país. Apesar do impacto econômico negativo previsto pela sobretaxa americana sobre exportações, parte dos presentes nos protestos afirmou priorizar a luta política e institucional, mesmo diante dos sacrifícios temporários. Analistas políticos consideram que este cenário pode ampliar a pressão sobre o STF e influenciar o debate público nos próximos meses, dando novo fôlego às pautas bolsonaristas em meio às investigações envolvendo o ex-presidente e outros aliados.
Em Belo Horizonte, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) liderou o ato e provocou Moraes, dizendo: “Você é corajoso, mas sem toga não é nada. Sabemos que o STF não é dono do Brasil.”
Governadores alinhados a Bolsonaro, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ratinho Júnior (PSD), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Jorginho Mello (PL), não participaram dos atos em seus respectivos estados.
Futuro das manifestações e resposta política
O futuro desse movimento de apoio a Bolsonaro e de crítica ao STF e ao governo brasileiro permanece incerto, mas as manifestações deste domingo apontam para um cenário de prolongada tensão e mobilização nas ruas. A expectativa entre os líderes do movimento é de que as sanções dos Estados Unidos, vistas como endosso à sua causa, impulsionem outras mobilizações nacionais, especialmente em datas simbólicas para o grupo. Em paralelo, cresce a preocupação do setor econômico quanto ao impacto direto das novas tarifas americanas sobre as exportações brasileiras, tema que já repercute entre produtores e empresários. A relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos pode enfrentar um longo período de reavaliação, dependendo da evolução dos fatos e de possíveis desdobramentos judiciais. No campo político, a resposta do governo federal e do STF às manifestações e à pressão internacional servirá de termômetro para os próximos capítulos desse embate institucional. Enquanto isso, a sociedade civil observa atenta o desenrolar dos fatos, diante do risco de aprofundamento das divisões políticas e sociais no país.
Imprensa internacional destaca manifestações pró-Bolsonaro no Brasil, com críticas a Moraes e apoio de Trump
Manifestações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), realizadas no domingo (3/8) em várias cidades brasileiras, ganharam destaque na imprensa internacional.
A rede Al-Jazeera, do Catar, relatou que manifestantes em São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades carregavam bandeiras do Brasil e dos EUA, em referência ao apoio de Donald Trump a Bolsonaro. “Eles seguravam faixas com fotos de Bolsonaro e Trump enquanto gritavam palavras de ordem”, informou o site. A correspondente Monica Yanakiew destacou que muitos em São Paulo agradeciam Trump pelas sanções contra o Brasil. A Al-Jazeera também mencionou protestos contra Trump na sexta-feira, após os EUA aumentarem tarifas sobre produtos brasileiros, com manifestações em cidades como São Paulo e Brasília.
A agência Reuters destacou que os protestos de domingo miravam o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Apoiadores de Bolsonaro, vestindo camisas da seleção brasileira, gritaram ‘Magnitsky’ e insultaram Moraes e Lula”, referindo-se à lei usada pelos EUA para sancionar Moraes. Manifestantes exibiam cartões de banco, em provocação às sanções financeiras da Lei Magnitsky. A Reuters notou bandeiras e cartazes em apoio a Trump e informou que Bolsonaro, em prisão domiciliar, participou por videochamada no ato do Rio, via Flávio Bolsonaro. “Bolsonaro usa tornozeleira eletrônica e não pode sair de casa nos fins de semana e feriados, por ordem de Moraes”, afirmou.
A France Presse destacou que Bolsonaro, aos 70 anos, está impedido de participar de atos devido a ordens judiciais que o obrigam a ficar em casa à noite e nos fins de semana, além de proibir o uso de redes sociais durante seu julgamento. No ato da avenida Paulista, em São Paulo, estiveram presentes aliados como o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o pastor Silas Malafaia e o deputado Nikolas Ferreira (PL). O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado como possível candidato bolsonarista em 2026, não compareceu, alegando um procedimento médico. Michelle Bolsonaro, também citada como possível candidata em 2026, discursou em Belém, enquanto o governador do Rio, Claudio Castro (PL), falou no ato carioca.
Bolsonaro enfrenta julgamento no STF por suposta tentativa de golpe contra Lula, com possibilidade de prisão caso condenado ainda este ano. No último mês, Moraes impôs medidas cautelares a Bolsonaro, suspeitando que ele e Eduardo Bolsonaro, que reside nos EUA, colaboraram com autoridades americanas para interferir em questões brasileiras. Bolsonaro usa tornozeleira eletrônica e está proibido de contatar autoridades diplomáticas estrangeiras.
Na semana passada, Trump aplicou tarifas de 50% a produtos brasileiros e sanções financeiras contra Moraes, com base na Lei Magnitsky, usada contra corrupção ou violações de direitos humanos. Trump justificou as medidas como resposta a uma suposta “caça às bruxas” contra Bolsonaro.
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