Carla Zambelli é detida na Itália sob acusação de invasão ao CNJ
5 min readCarla Zambelli é presa por autoridades italianas após condenação no Brasil.
Deputada brasileira detida em Roma após decisão judicial.
A deputada federal Carla Zambelli foi presa na tarde de terça-feira, 29 de julho de 2025, em Roma, na Itália, segundo confirmação da Polícia Federal brasileira em conjunto com as autoridades italianas. A detenção ocorreu após informações repassadas às autoridades italianas pelo deputado Angelo Bonelli, que indicou o endereço onde Zambelli estaria hospedada na capital italiana. Após a identificação da parlamentar, a polícia italiana efetuou a detenção e encaminhou Zambelli a uma delegacia na cidade. A deputada estava foragida do Brasil desde meados de maio, após ter sido condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento em ataques cibernéticos ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A operação internacional contou com o suporte das polícias federais do Brasil e da Itália e representa um marco na cooperação jurídica entre os dois países para o cumprimento de decisões judiciais condenatórias.
O caso de Zambelli ganhou projeção nacional e internacional quando foi deflagrado o cumprimento da ordem de prisão definitiva expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinando o imediato recolhimento da deputada em regime fechado e a perda de seu mandato parlamentar. A condenação foi consequência de investigações que apontaram a contratação de um hacker, por parte da parlamentar, com o objetivo de invadir o sistema informatizado do Judiciário e inserir documentos falsos, facilitada pela estrutura de seu gabinete. Após a sentença, Zambelli deixou o território brasileiro, sendo considerada foragida pela Justiça. A atuação da polícia italiana foi possível graças à troca de informações com as autoridades brasileiras, e o processo agora aguarda análise por parte do Judiciário italiano, que decidirá pelo destino legal da deputada, levando em conta tratados de cooperação e extradição firmados entre Brasil e Itália.
A detenção de Carla Zambelli desencadeou amplo debate nos meios políticos e jurídicos acerca das consequências do caso sobre o Parlamento brasileiro e sobre a própria condução de processos judiciais relacionados a crimes virtuais cometidos por detentores de mandato. Juristas destacam que a prisão cria um precedente em relação à cooperação internacional na execução de penas e à necessidade de cumprimento de decisões transitadas em julgado, mesmo quando o condenado busca refúgio em outros países. O caso também reacendeu discussões sobre o impacto das ações políticas e dos crimes cibernéticos envolvendo representantes eleitos, além de levantar questionamentos acerca de eventuais recursos ou medidas cautelares que a defesa de Zambelli ainda pode apresentar perante autoridades italianas ou órgãos internacionais de direitos humanos. O governo brasileiro acompanha de perto o desenrolar da situação, monitorando as próximas etapas do procedimento judicial na Itália.
Expectativas para o futuro do caso na Justiça italiana
Agora, caberá às autoridades judiciais italianas decidir, em até 48 horas, qual medida aplicar em relação à detida: a extradição para o Brasil, a concessão de prisão domiciliar em solo italiano ou a eventual liberação enquanto prosseguem os trâmites legais. A decisão pode abrir discussões quanto à efetividade de tratados de extradição entre os países e à pressão internacional diante de casos envolvendo figuras públicas de destaque. Enquanto o processo tramita, cresce a expectativa de pronunciamentos oficiais do Parlamento brasileiro e da defesa de Zambelli, que pode pedir medidas protetivas ou buscar recursos na Justiça italiana para evitar sua extradição. A comunidade internacional observa atentamente o caso, que pode servir de exemplo para situações similares no futuro. Autoridades do Brasil e da Itália reforçam o compromisso com o cumprimento das determinações judiciais e a cooperação para evitar a impunidade, independente de fronteiras nacionais, dando continuidade à implementação plena dos acordos bilaterais em vigor.
Moraes garante à Itália que Zambelli não sofrerá tortura caso seja extraditada
Em 29 de julho de 2025, a jornalista Mônica Bergamo, em matéria publicada pela Folha de S.Paulo, revelou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes garantiu ao governo italiano que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) não será submetida a tortura ou tratamentos desumanos e degradantes caso seja extraditada para o Brasil. A garantia foi formalizada em documento enviado ao Ministério da Justiça, que conduz o pedido de extradição por canais diplomáticos, após Zambelli fugir para a Itália em junho, logo após o STF determinar sua prisão definitiva.
No documento, Moraes detalha os compromissos do Estado brasileiro, assegurando que Zambelli não sofrerá maus-tratos, não será submetida a penas perpétuas, não enfrentará processos por fatos anteriores ao pedido de extradição e não terá sanções agravadas por motivações políticas. A manifestação está relacionada ao caso que culminou na condenação da deputada, em maio, por decisão unânime da Primeira Turma do STF. Zambelli foi sentenciada a dez anos de prisão em regime fechado e multa de dois mil salários-mínimos, enquanto o hacker Walter Delgatti, que agiu sob suas ordens, recebeu pena de oito anos e três meses de reclusão, também em regime fechado, e multa de 480 salários-mínimos.
Sâmia Bomfim sugere título de cidadão brasileiro honorário a deputado italiano que denunciou Zambelli
Nesta quarta-feira, 30 de julho de 2025, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) apresentou na Câmara dos Deputados um pedido para conceder o título de cidadão honorário da República Federativa do Brasil ao parlamentar italiano Angelo Bonelli. A iniciativa reconhece o papel de Bonelli ao denunciar às autoridades italianas o paradeiro da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que estava foragida há dois meses. Segundo Sâmia, o deputado italiano teve uma atuação firme e essencial na colaboração entre as instituições italianas e brasileiras, contribuindo para a responsabilização de Zambelli, apontada como uma das principais articuladoras de tentativas de subversão da ordem democrática no Brasil. A deputada destacou que Bonelli pressionou desde o início as autoridades italianas para capturar e extraditar Zambelli, garantindo que ela respondesse por seus crimes perante a Justiça brasileira.
No início de junho, Bonelli questionou formalmente o governo italiano sobre a permanência de Zambelli no país, apresentando uma interpelação parlamentar que solicitava com urgência a extradição e a revogação de sua cidadania italiana. Na terça-feira, 29, outro reconhecimento ao italiano foi proposto na Câmara: a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) sugeriu uma moção de louvor a Bonelli, enfatizando, em publicação no X, que “o mundo precisa de pessoas mais comprometidas com a democracia”.
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