Eduardo critica negociação de Tarcísio com EUA sobre tarifas
6 min readEduardo Bolsonaro critica negociação de Tarcísio com EUA e chama atitude de desrespeito.
Crise interna na direita repercute após tentativa de diálogo sobre tarifas
A disputa política entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ganhou novos contornos na segunda-feira (14), após declarações contundentes de Eduardo Bolsonaro. O deputado licenciado classificou como um “desrespeito” a iniciativa de Tarcísio em dialogar diretamente com autoridades norte-americanas para tentar reverter a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Segundo Eduardo, a decisão tomada pelo governador paulista ocorreu sem consulta prévia ao núcleo mais próximo de Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, e com uma articulação considerada “lateral” pelos bolsonaristas. O episódio evidenciou desentendimentos quanto a estratégias de enfrentamento à medida anunciada pelo governo Donald Trump, que começa a valer em 1° de agosto e promete impactos significativos para a economia nacional, especialmente no agronegócio paulista. A crítica de Eduardo agregou ainda mais tensão ao ambiente político, expondo fraturas internas em um momento em que a direita busca demonstrar coesão diante dos embates diplomáticos e comerciais que envolvem o país.
O pano de fundo do episódio é a nova política comercial da administração Trump, que surpreendeu o governo brasileiro ao anunciar um tarifário agressivo sobre produtos do Brasil. Em resposta, Tarcísio de Freitas optou por se reunir com o chefe da embaixada norte-americana em Brasília, buscando produzir um acordo que pudesse mitigar o impacto das sanções econômicas. Este movimento foi visto por aliados do ex-presidente como um afastamento da estratégia de pressão internacional encampada pelo círculo bolsonarista, que tenta associar a tarifação à “falta de diálogo” com os norte-americanos e à atuação do Supremo Tribunal Federal. Desde que o anúncio do tarifaço foi formalizado, Tarcísio adota o discurso da necessidade de “esforços conjuntos” e de uma postura pragmática frente ao comércio exterior, enquanto Eduardo Bolsonaro defende protagonismo do campo alinhado ao ex-presidente para condução das negociações externas. Outros líderes políticos, como Romeu Zema, optaram por criticar as tarifas sem, contudo, adotar contornos pessoais na disputa.
Os desdobramentos deste racha refletem não só diferenças estratégicas, mas também os desafios de coalizão dentro da base conservadora. O isolamento de Tarcísio junto à ala mais ideológica ficou evidente após as críticas públicas de Eduardo, que ressaltou a importância de manter pressão sobre o STF e sobre o governo federal como prioridade “estratégica” mesmo frente a possíveis prejuízos econômicos. O governador, por sua vez, procurou mostrar abertura para o diálogo e se distanciar de qualquer articulação política que não colocasse o interesse econômico acima de questões eleitorais. Para observadores do cenário político, as divergências deixaram claro que o campo da oposição ao governo Lula vive um momento de redefinição de papéis, com disputas internas sobre quem deve liderar as costuras diplomáticas e sobre como enfrentar medidas que afetam diretamente o setor produtivo nacional. A rivalidade entre lideranças chegou a ser explorada por analistas, que viram na postura de Tarcísio uma tentativa de se posicionar como alternativa de centro à direita de olho nas próximas eleições presidenciais.
Eduardo Bolsonaro publica vídeo pedindo a Trump sanções contra Moraes e políticos brasileiros
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) divulgou, no domingo (13), um vídeo nas redes sociais solicitando ao presidente dos EUA, Donald Trump, que aplique a Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e outros políticos brasileiros. A legislação permite sanções econômicas a acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos.
No vídeo, Eduardo acusa lideranças do PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de tentarem prendê-lo devido à sua atuação nos EUA. Ele exibiu uma foto do vice-presidente Geraldo Alckmin em evento no Irã, ao lado de líderes do Hamas e Hezbollah, insinuando que o Brasil não é mais uma democracia e que o governo atual tem ligações com grupos terroristas do Oriente Médio. “Peço humildemente ao presidente Trump e ao secretário Marco Rubio que apliquem a Lei Magnitsky contra essas pessoas. Elas não são políticos comuns, são criminosos. Façam isso para resgatar nossa democracia”, declarou.
O parlamentar também alegou que o Brasil não é democrático devido à “perseguição judicial” contra sua família, afirmando que “quase todos” enfrentam “julgamentos injustos”. A Lei Magnitsky, criada no governo Obama e posteriormente modificada, permite o bloqueio de bens e contas bancárias nos EUA, cancelamento de vistos e proibição de entrada no país para estrangeiros que violaram direitos humanos. Para sair da lista, é necessário provar inocência, responder judicialmente ou demonstrar mudança significativa de comportamento.
As sanções exigem que o presidente dos EUA apresente provas ao Congresso, onde o Partido Republicano, de Trump, detém maioria na Câmara e no Senado. Bolsonaristas miram Moraes como principal alvo, a quem Eduardo chamou de “ministro maluco” no vídeo.
Eduardo está nos EUA desde março, após pedir licença parlamentar não remunerada de 122 dias para não perder o mandato. Ele afirma estar no país para combater ameaças à liberdade de expressão no Brasil.
Futuro das negociações acirra disputa política no campo da direita
A crise entre Eduardo Bolsonaro e Tarcísio de Freitas deve repercutir nos próximos meses, com impactos diretos nas articulações para 2026 e nas medidas de defesa comercial do Brasil diante dos Estados Unidos. Tarcísio sinalizou que continuará apostando no pragmatismo de diálogo institucional e na busca por acordos que possam beneficiar os produtores e exportadores do país, mesmo sob críticas de parte da própria base. Eduardo, em contraponto, tende a aprofundar o discurso de que somente aliados próximos ao ex-presidente têm legitimidade para tentar negociar com autoridades americanas, reforçando a narrativa de que o enfrentamento político deve vir antes de qualquer trégua econômica. O Palácio do Planalto e o governo paulista seguem em rivalidade para liderar as discussões sobre as tarifas, demonstrando que o tema permanece central tanto na pauta econômica quanto na disputa interna das direitas brasileiras. Diante da escalada das tensões, os próximos capítulos do embate prometem influenciar tanto o ambiente político quanto os rumos das exportações nacionais, colocando em xeque até onde vão o pragmatismo e a fidelidade dentro das fileiras conservadoras.
Paulo Figueiredo critica Tarcísio por negociar tarifas e defende anistia aos condenados do 8 de Janeiro
Em 11 de julho de 2025, o jornalista Paulo Figueiredo usou seu perfil no X para criticar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmando que ele “atrapalha sem nem saber” ao tentar negociar com Gabriel Escobar, encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, a redução das tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Figueiredo argumentou que as negociações de Tarcísio são ineficazes, pois o governador estaria dialogando com “um burocrata seis escalões abaixo de Trump, que nunca o viu”. Para o influenciador, a única solução para reverter as tarifas seria uma “anistia ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro, apoiando a taxação americana como pressão para esse objetivo.
“Enquanto acharem que Tarcísio será o Salvador da Pátria em um acordo com os EUA, não considerarão a anistia, a única solução real”, escreveu. Ele reconheceu os impactos das tarifas, mas afirmou que “será necessário choro e ranger de dentes” para que a “realidade bata à porta”. Figueiredo também previu que “os próximos meses serão movimentados” e que a situação “vai piorar antes de melhorar”.
Réu na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado, Figueiredo é acusado de espalhar desinformação para incitar militares a pressionar os ex-comandantes do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, e da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista Júnior, a apoiar o plano golpista. Mesmo refugiado nos EUA para evitar a Justiça brasileira, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, declarou em 30 de julho que Figueiredo foi notificado da denúncia, destacando que o blogueiro tem “pleno conhecimento” do processo e publicou vídeos com trechos da ação nas redes sociais.
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