ONS defende novas hidrelétricas e retorno do horário de verão
4 min readONS defende novas hidrelétricas e retorno do horário de verão no Brasil.
Plano do ONS propõe soluções energéticas para enfrentar aumento da demanda.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontou nesta semana a necessidade urgente de investir em novas hidrelétricas e retomar o horário de verão ainda em 2025 como resposta ao forte crescimento da demanda elétrica previsto para o Brasil nos próximos anos. O alerta foi emitido junto à divulgação do Plano da Operação Energética (PEN 2025), que detalha cenários e recomenda ações estratégicas para manter a segurança do fornecimento no país. Segundo o ONS, há estimativa de aumento de 14,1% na carga até 2029, impulsionada pela intensificação do uso de aparelhos de ar-condicionado, crescimento industrial, chegada de data centers e ampliação dos veículos elétricos. Todo esse contexto gera pressão sobre os sistemas de geração e transmissão, especialmente nos horários de pico, levando técnicos e especialistas do setor a alertarem para a necessidade de medidas coordenadas e urgentes na matriz elétrica nacional. O relatório também destaca a importância de garantir plena disponibilidade das hidrelétricas, bem como preparar o sistema para elevado despacho termelétrico, sobretudo durante os períodos de maior consumo, para evitar situações críticas de sobrecarga e déficit de potência no setor elétrico brasileiro.
ONS reforça papel estratégico das hidrelétricas e do horário de verão
O PEN 2025, apresentado pelo ONS, detalha como a combinação de expansão populacional, avanços em tecnologia e impactos do clima vêm alterando o padrão de consumo elétrico no Brasil, especialmente em regiões que enfrentam ondas de calor cada vez mais prolongadas. Conforme o relatório, a necessária expansão da oferta renovável – em especial solar e eólica – traz benefícios ambientais, mas aumenta o desafio de garantir estabilidade, já que essas fontes possuem menor controle de despacho em momentos críticos. Diante da maior imprevisibilidade dessas fontes, o órgão enfatiza o papel central das hidrelétricas, devido à sua capacidade de regular a oferta e garantir energia em horários de pico. O ONS reforça que reservas hídricas estratégicas, como a Usina de Tucuruí, serão cruciais para atender à demanda do segundo semestre de 2025, quando o risco de sobrecarga pode ser intensificado por fenômenos climáticos extremos e crescimento do consumo.
Especialistas analisam desafios e impactos para o setor elétrico brasileiro
As recomendações do ONS, que incluem a volta do horário de verão e a contratação anual de potência por meio de leilões, refletem a preocupação crescente com o déficit estrutural no atendimento energético nacional. O horário de verão, que reduz o pico noturno de consumo, desponta como ferramenta relevante para aliviar o sistema e evitar picos de demanda, principalmente durante o verão, quando o uso de ar-condicionado dispara. A adoção desse ajuste, associada ao reforço na construção de hidrelétricas e à modernização das ferramentas de monitoramento computacional, é vista como fundamental para evitar riscos de racionamento ou apagões. Segundo especialistas, o cenário é agravado pela dependência de fontes térmicas nos períodos secos, quando o despacho adicional dessas usinas será inevitável para manter a estabilidade, demandando políticas integradas e mecanismos de incentivo para modernizar e diversificar a matriz elétrica nacional. O PEN 2025 explicita ainda que o avanço das renováveis, embora positivo, deve ser suportado por soluções robustas que assegurem potência firme e atendimento contínuo à crescente demanda do país.
Matriz elétrica brasileira busca sustentabilidade e estabilidade diante de novos desafios
Com a projeção de forte crescimento da carga energética até 2029, a conclusão dos especialistas do ONS é clara: só será possível garantir a segurança do sistema com investimentos contínuos em hidrelétricas, ampliação da oferta termelétrica e a adoção de medidas administrativas eficazes, como o retorno do horário de verão. O relatório sustenta que, sem essas ações, o risco de déficit de potência e eventuais falhas no fornecimento tende a se intensificar, sobretudo diante de eventos climáticos atípicos e da crescente demanda provocada pela modernização dos setores produtivos. Para os próximos anos, o setor elétrico brasileiro terá como desafio principal o equilíbrio entre sustentabilidade ambiental, estabilidade operacional e atendimento às necessidades de consumo da população. A expectativa é de que o governo federal e o setor privado sigam as recomendações do ONS, implementando rapidamente as medidas sugeridas para evitar gargalos e assegurar o desenvolvimento econômico e social do país em bases sólidas.
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