março 7, 2026

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Visita de Lula à Favela do Moinho envolveu ONG ligada ao PCC

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Visita de Lula à Favela do Moinho foi organizada com ONG associada ao PCC, segundo portal.

A visita do presidente Lula (PT) e da primeira-dama Janja da Silva à Favela do Moinho, em São Paulo, no último mês, foi organizada após reuniões do governo com a Associação da Comunidade do Moinho, cuja sede foi usada para armazenar drogas do PCC, segundo documentos. A entidade é presidida por Alessandra Moja Cunha, irmã de Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”, apontado como ex-líder do tráfico na favela, preso em agosto de 2024.

O ministro Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência) visitou a associação dois dias antes de Lula para discutir a agenda presidencial. O Ministério Público de São Paulo aponta a favela como controlada pelo PCC, com acesso restrito a não moradores. Durante a visita, Lula anunciou a realocação de cerca de 900 famílias, com o terreno da União destinado a se tornar um parque. Cada família receberá até R$ 250 mil para compra de imóvel, com R$ 180 mil do governo federal e R$ 70 mil do estadual.

A associação, localizada na Rua Doutor Elias Chaves, 20, foi alvo de operação policial em 2023, que apreendeu cocaína, crack e maconha no mesmo endereço. Alessandra, condenada por homicídio em 2005, e outros familiares têm ligações com o PCC, segundo o MP-SP. Representantes do governo, incluindo a secretária-executiva Kelli Mafort, se reuniram ao menos cinco vezes com a entidade desde 2023.

Macêdo defendeu que as reuniões trataram apenas da solução habitacional, destacando a importância do diálogo com lideranças comunitárias para políticas de inclusão. A Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que a segurança da visita seguiu protocolos rigorosos, sem riscos identificados, e que a interlocução com a comunidade é prática essencial.

Moradores que aceitam a realocação enfrentam ameaças do grupo de Léo do Moinho, segundo o Metrópoles. O MP-SP acusa a família Moja de usar a ausência do Estado para manter práticas criminosas na favela. A desocupação do terreno será concluída apenas após a realocação total das famílias, conforme determinado por Lula.

Leia a íntegra da nota da Secom

“A agenda do Presidente da República na Favela do Moinho, em São Paulo, teve caráter institucional e público, voltado à escuta da comunidade e ao anúncio de políticas públicas em uma das regiões mais vulneráveis da cidade.

A interlocução com representantes comunitários é uma prática essencial de qualquer governo que atue com políticas públicas voltadas à inclusão, à moradia e à promoção da dignidade. Associações locais são formadas e escolhidas pelos próprios moradores e constituem pontos naturais de contato com o poder público.

Neste caso em específico, a interlocução com o presidente se deu por meio de Flavia Maria da Silva, liderança designada pela comunidade como porta-voz, com trajetória reconhecida e idônea.

A agenda do presidente consistiu em um ato na quadra poliesportiva da comunidade, uma visita à escola local, onde foi recebido por um coral de crianças, e a uma visita de cortesia à residência de Flavia da Silva.

A segurança do presidente, da primeira-dama e de toda a comitiva foi conduzida de forma rigorosa pelos órgãos competentes, conforme o protocolo adotado em qualquer agenda presidencial, não tendo sido identificado qualquer risco à integridade das autoridades presentes.

O governo federal reforça que atua com responsabilidade institucional, respeito às normas de segurança e compromisso com a promoção de políticas públicas voltadas à inclusão social e à melhoria das condições de vida da população.”

PCC teria extorquido famílias na Favela do Moinho em São Paulo

Moradores denunciam cobranças altas durante reassentamento

Famílias da Favela do Moinho, localizada na região central de São Paulo, relataram ter sido alvo de extorsão pela facção criminosa PCC, que teria exigido valores entre R$ 50 mil e R$ 100 mil para permitir a saída dos moradores durante os recentes processos de reassentamento. Segundo o Ministério Público de São Paulo, pelo menos 32 pessoas estariam envolvidas nesse esquema criminoso, que ocorreu ao longo das últimas semanas, afetando dezenas de famílias obrigadas a deixar suas casas. O comando da operação seria atribuído a um líder conhecido como “Leo do Moinho”, que, de acordo com as investigações do MPSP, operava um quartel-general na própria favela, coordenando não apenas o tráfico de drogas na área da Cracolândia, mas também o monitoramento das comunicações policiais com o auxílio de comparsas e de equipamentos tecnológicos. A onda de extorsões veio à tona quando moradores, pressionados a pagar as quantias solicitadas sob ameaça de represálias, buscaram apoio junto à Promotoria e a organizações de defesa dos direitos humanos. O objetivo das cobranças, conforme apontam autoridades, seria financiar atividades ilícitas da facção e garantir o silêncio das vítimas. A situação ganhou destaque em meio às negociações para o reassentamento das famílias, que envolveram diferentes órgãos do governo estadual e mobilizaram debate sobre o direito à moradia, expondo a vulnerabilidade social e a presença do crime organizado em áreas centrais da capital paulista.

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O contexto da Favela do Moinho é marcado por disputas territoriais, insegurança e alta vulnerabilidade social, fatores que tornaram seus moradores um alvo fácil para ações de facções criminosas. O processo de reassentamento, que pretendia garantir moradias dignas para as famílias residentes na última favela do centro histórico de São Paulo, acabou se tornando palco de ameaças e coerção. Pressionados não apenas pela necessidade de aceitar financiamentos habitacionais acima da capacidade financeira – situação já denunciada por lideranças locais –, muitos moradores passaram a ser abordados por integrantes do PCC, que, segundo as apurações, exigiam quantias vultosas em troca da autorização para deixar o local com seus bens e pertences. A atuação da facção, segundo relatos, envolvia abordagens diretas, ameaças veladas e monitoramento constante dos que tentavam resistir ou denunciar. O caso escancara um cenário onde o Estado enfrenta dificuldades para garantir a proteção efetiva da população mais pobre contra o crime organizado, sobretudo em processos delicados como o de remoção de comunidades urbanas tradicionais. Ao aprofundar as investigações, o Ministério Público detalhou que o dinheiro arrecadado seria parte de uma engrenagem criminal mais ampla, alimentando tanto o tráfico local quanto o sistema interno da facção, numa dinâmica de controle e medo sobre a comunidade.

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Desdobramentos das denúncias aprofundam debate sobre segurança

O avanço das denúncias e o início das investigações formais trouxeram novos elementos à discussão sobre segurança pública em São Paulo, especialmente em áreas vulneráveis marcadas pela presença do crime organizado. A Promotoria destacou que a arquitetura do esquema envolvia não só extorsão direta dos moradores, mas também a tentativa de garantir domínio territorial frente ao aumento da pressão policial e das iniciativas de urbanização. O comando de operações a partir da própria favela, identificado pelos promotores, demonstrou a complexidade das redes criminosas e a capacidade de atuar de forma estruturada, mesmo diante de ações do poder público para desmobilizar casas irregulares e transferir famílias para novos empreendimentos habitacionais. O clima de medo instaurado na Favela do Moinho dificultou a coleta inicial de provas, já que as vítimas receavam represálias não apenas contra si, mas também contra familiares que permaneceram na região. A situação também evidenciou lacunas no acompanhamento social dos reassentados e deficiências na articulação entre órgãos públicos, o que acabou fortalecendo ainda mais as redes de extorsão e controle social implementadas pelo PCC. Lideranças comunitárias reforçaram a necessidade de políticas de proteção reforçada, assistência psicossocial e transparência nos processos de negociação das remoções para evitar novos episódios de coerção e violência.

O impacto do caso vai além das fronteiras da Favela do Moinho, suscitando discussões sobre o papel do Estado no enfrentamento ao crime organizado e na proteção de populações em situação de risco. A articulação das facções em contextos de vulnerabilidade e desamparo social revela a necessidade de políticas públicas integradas que possam garantir segurança e moradia digna. A Promotoria já apresentou denúncias contra os acusados e anunciou novas diligências para identificar toda a cadeia de envolvimento na extorsão contra os moradores. O episódio fortalece os alertas para os desafios da urbanização de áreas periféricas e centrais, exigindo respostas rápidas e articuladas entre segurança pública, habitação, assistência social e justiça. Enquanto as famílias buscam recomeçar em novos lares, as cicatrizes do episódio permanecem como símbolo da urgência em combater a criminalidade organizada e criar redes de proteção para comunidades historicamente marginalizadas.

Perspectivas para segurança e moradia após escândalo de extorsão

O caso da Favela do Moinho, alvo de extorsão por parte da facção criminosa PCC durante o reassentamento, desencadeou uma série de iniciativas voltadas para o fortalecimento das políticas de proteção às comunidades vulneráveis em São Paulo. O Ministério Público e as autoridades locais prometeram ampliar o monitoramento das áreas em processo de urbanização, reforçar a presença policial e implementar programas integrados de apoio social aos reassentados. Movimentos sociais e organizações de direitos humanos reforçam a necessidade de participação efetiva dos moradores nas decisões sobre reassentamento e habitação, visando evitar que episódios semelhantes se repitam. A Prefeitura e o governo do estado foram pressionados a criar canais de denúncia mais acessíveis, oferecer suporte jurídico gratuito e promover acompanhamento psicológico para as vítimas de extorsão.

O episódio evidencia, mais uma vez, como a ausência do Estado em áreas historicamente negligenciadas permite que o crime organizado preencha o vácuo de poder, impondo regras próprias e submetendo a população carente a novas formas de violência. Diante dos desafios, especialistas em segurança pública apontam para a necessidade de investimentos estruturais em prevenção, educação e integração social, como caminhos para reduzir a influência de facções em comunidades urbanas. O futuro das famílias reassentadas dependerá, em grande parte, da efetividade das políticas públicas pós-remoção e da capacidade de garantir moradias seguras, livres do domínio do crime. A Favela do Moinho torna-se, assim, símbolo de luta por direitos e alerta para o enfrentamento de antigas desigualdades urbanas que ainda persistem nos grandes centros brasileiros.

Moradora da Favela do Moinho denuncia ameaças do PCC por troca de moradia pela CDHU

A Polícia Civil de São Paulo investiga ameaças do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra moradores da Favela do Moinho que optaram por receber apartamentos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Uma moradora relatou: “Estão nos ameaçando, dizendo ‘vou atrás de você e vou te achar’. Pedem R$ 70 mil a R$ 100 mil para deixarmos a favela e irmos para a moradia social.” Segundo o Metrópoles, traficantes, incluindo emissários de Leonardo Moja, o “Léo do Moinho”, preso em 2024, exigem parte do valor dos imóveis ou que os moradores vendam os apartamentos no futuro e dividam o lucro com a facção.

Traficantes, donos de imóveis alugados por até R$ 700, alegam que a realocação para habitações sociais descaracteriza suas propriedades, cobrando “multas” dos inquilinos. Pelo menos quatro famílias relataram extorsões, mas temem represálias e preferem o anonimato. Uma ex-moradora, em depoimento à Polícia Civil, confirmou as ameaças: “É com várias pessoas. Muitas mães têm medo, não dormimos à noite.” O caso é investigado pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que já apresentou seis denúncias contra líderes do PCC na favela.

Moradores relatam monitoramento por emissários do tráfico, que fotografam casas desocupadas para a mudança à CDHU. Com medo, 222 das 405 famílias que deixaram a favela recusaram a ajuda gratuita do governo para transporte de móveis, custeando a mudança por conta própria. Alguns abandonaram suas casas repentinamente.

Léo do Moinho, apontado como líder do PCC na região, é dono de dezenas de imóveis e foi condenado a mais de 25 anos por tráfico, organização criminosa e homicídio. O MPSP destaca que a família Moja explora a ausência do Estado para manter o controle do tráfico na Cracolândia, monitorando até comunicações policiais com apoio de guardas civis metropolitanos. A Operação Salus et Dignitas, de agosto de 2024, resultou na prisão de Léo.

O governo federal, em parceria com o estado, anunciou R$ 220 milhões para realocar as famílias, com subsídios de até R$ 250 mil por família (R$ 160 milhões da União e R$ 60 milhões do estado). A disputa política entre o presidente Lula (PT) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) marcou o processo. Lula criticou a ausência de Tarcísio na visita à favela, enquanto o governador destacou que a ação estadual motivou o envolvimento federal. Ambos defendem que a prioridade é resolver a questão habitacional, mas a tensão entre os governos persiste.



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