Gregório Duvivier ironiza ao ser espionado por governo Bolsonaro
6 min readGregório Duvivier transforma espionagem do governo Bolsonaro em ironia.
Humorista reage com sarcasmo ao ser vigiado por estrutura paralela da Abin.
O ator e humorista Gregório Duvivier tornou-se um dos nomes mais comentados dos últimos dias após revelar, com ironia e bom humor, que foi vítima de monitoramento ilegal promovido pela chamada “Abin paralela” durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal divulgou recentemente que uma rede clandestina de espionagem foi utilizada para investigar pessoas consideradas adversárias do antigo governo, entre elas Duvivier, identificado por seus posicionamentos críticos. Segundo a investigação, o monitoramento ocorreu entre 2018 e 2021 e envolveu uso de recursos públicos e tecnológicos para produzir dossiês e buscar informações comprometedoras contra alvos selecionados. Ao ser confrontado com a notícia de ter sido espionado, Gregório não perdeu o tom sarcástico e declarou que encara o acontecimento como uma “medalha”, destacando o descaso e a falta de competência dos agentes, que, mesmo após dois anos de vigilância, não encontraram nada que pudesse incriminá-lo. A reação do humorista rapidamente viralizou nas redes sociais e gerou debates sobre os limites da atuação de órgãos de inteligência, o uso político de ferramentas estatais e a liberdade de expressão no Brasil, colocando o episódio no centro das discussões sobre abuso de poder e perseguição política.
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Investigação revela detalhes de estrutura clandestina e motiva reação pública
As informações vindas à tona indicam que o esquema de espionagem, coordenado por integrantes da Agência Brasileira de Inteligência vinculados ao núcleo político do governo anterior, era alimentado não só pelo objetivo de monitorar adversários, mas também por interesses pessoais da família Bolsonaro. De acordo com relatórios da Polícia Federal e documentos do Supremo Tribunal Federal, investigações usaram programas de geolocalização como o First Mile para rastrear a rotina de figuras públicas, jornalistas, membros do Judiciário e lideranças do Legislativo, incluindo Duvivier. O humorista, conhecido por sua atuação no Porta dos Fundos e por declarações contundentes sobre a política nacional, foi colocado sob vigilância devido ao seu posicionamento crítico à administração federal. As estratégias dos espiões envolviam coletas de dados pessoais, rastreamento de atividades digitais e tentativas de criar dossiês comprometendo reputações. Gregório satirizou esses métodos ao comparar a estrutura de espionagem a uma “Loucademia de Polícia” e destacou a falta de profissionalismo dos envolvidos, ressaltando que o episódio evidencia a má gestão do aparato estatal para fins privados e o desperdício de recursos públicos.
Repercussão e impactos no debate sobre abuso de poder e uso de inteligência estatal
O caso envolvendo Gregório Duvivier serviu como catalisador para discussões profundas sobre transparência, controle institucional e limites éticos na utilização de organismos de inteligência do Estado. A revelação do monitoramento ilegal levantou questionamentos sobre a extensão das práticas adotadas e a forma como interesses políticos particulares foram priorizados em detrimento da legalidade e da proteção de direitos fundamentais. Especialistas e lideranças políticas avaliam que a exposição desse tipo de conduta fortalece a necessidade de mecanismos de fiscalização e responsabilização de agentes públicos, além de evidenciar a urgência de reformar as estruturas de inteligência para garantir que suas atividades estejam estritamente alinhadas aos preceitos constitucionais e ao interesse coletivo. Para Duvivier, o episódio confirma o papel do humor e da crítica como instrumentos de resistência, reforçando o valor da liberdade de expressão diante de tentativas de cerceamento. A repercussão internacional também destaca o impacto negativo desse tipo de prática para a imagem do Brasil, mostrando que o uso indevido de órgãos estatais para vigiar, intimidar e perseguir críticos do governo não é compatível com regimes democráticos.
Desdobramentos e o futuro da fiscalização sobre órgãos de inteligência
O episódio do monitoramento ilegal de Gregório Duvivier reitera a importância de ações rígidas e transparentes no combate ao desvio de finalidade nas estruturas estatais de inteligência. O andamento das investigações conduzidas pela Polícia Federal e as deliberações do Supremo Tribunal Federal devem servir de referência para a implementação de novos protocolos de controle, evitando que casos semelhantes voltem a ocorrer. Há expectativa de que os responsáveis pelas violações sejam devidamente responsabilizados e que a estrutura da Abin passe por uma reestruturação assegurando mecanismos de transparência e accountability. Para Duvivier e outros alvos do esquema, a revelação fortalece o compromisso na defesa das liberdades democráticas e do Estado de Direito. O episódio permanece como sinal de alerta para a sociedade, incentivando o escrutínio público sobre a atuação de servidores e autoridades, visando um ambiente político mais ético e comprometido com os valores republicanos. Enquanto isso, Gregório mantém seu tom crítico, transformando a experiência em material humorístico, como forma de reafirmar seu papel na sociedade.
PF conclui que Abin espionou homônimo de Alexandre de Moraes por engano em operação ilegal
A Polícia Federal (PF) concluiu que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante o governo de Jair Bolsonaro, monitorou ilegalmente um homônimo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por engano. A informação está no relatório final da investigação do caso “Abin Paralela”, que indiciou cerca de 30 pessoas, incluindo Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente. O sigilo do documento foi levantado em 18 de junho por Moraes, relator do caso.
Segundo a PF, Bolsonaro e Carlos integraram uma organização criminosa que conduzia espionagem clandestina contra opositores. Jair Bolsonaro não foi indiciado neste caso, pois já responde por uso ilegal da Abin em outra ação penal no STF, relacionada à trama golpista.
Erro na espionagem
O relatório aponta que, em 19 de maio de 2019, o agente de inteligência Thiago Gomes Quinalia realizou três buscas pelo nome “Alexandre de Moraes Soares” no sistema Firstmile. A PF considera que a pesquisa, direcionada a um homônimo do ministro, foi um erro do esquema. “A utilização de sistemas ilegais de consulta resultava, por vezes, em associações erradas de alvos. A busca por homônimo é um erro plausível”, diz o documento.
Entre os alvos monitorados ilegalmente estão o ministro Alexandre de Moraes, os ex-deputados Jean Wyllys, Rodrigo Maia e Joice Hasselmann, o ex-governador João Doria e os jornalistas Leandro Demori e Mônica Bergamo. A PF destaca que a busca coincide com a abertura do inquérito das fake news no STF, em março de 2019, relatado por Moraes e instaurado por Dias Toffoli, então presidente do Supremo. Em 14 de maio de 2019, um recurso para suspender o inquérito foi disponibilizado para julgamento.
O agente Quinalia, responsável pela pesquisa, abandonou o cargo público e foi demitido em 2024. Seu paradeiro é desconhecido.
Defesa de Carlos Bolsonaro
Após o indiciamento, Carlos Bolsonaro usou as redes sociais para sugerir que a investigação tem motivação política. “Alguém duvidava que a PF do Lula faria isso comigo? Justificativa? Creio que já sabem: eleições de 2026? Acho que não! É só coincidência!”, afirmou.
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