Esforço persistente marca resgate de brasileira em vulcão na Indonésia
6 min readDrama e esperança marcam buscas por brasileira em vulcão na Indonésia.
Equipes intensificam operação e família aguarda respostas.
O terceiro dia de buscas pela brasileira Juliana Marins, que sofreu um grave acidente durante uma trilha no vulcão Rinjani, na Indonésia, intensificou o clima de preocupação e mobilização internacional nesta segunda-feira. Juliana, de 26 anos, foi dada como desaparecida após escorregar e cair por cerca de 300 metros em uma área de difícil acesso do parque nacional localizado na ilha de Lombok. As tentativas de resgate, iniciadas imediatamente após o acidente, continuam enfrentando enormes desafios, como condições climáticas severas, neblina intensa e a grande distância do terreno acidentado. Familiares, em contato direto com autoridades e equipes de resgate, relatam angústia diante da lentidão da operação e da ausência de informações consistentes sobre o paradeiro e o estado de saúde da jovem, que está há mais de 60 horas sem auxílio direto, segundo relatos. O Ministério das Relações Exteriores acompanha de perto o caso e reforça o compromisso com a busca por soluções rápidas, enquanto a comoção cresce nas redes sociais e aumenta a pressão por esclarecimentos e resultados mais concretos.
A ocorrência do acidente com Juliana Marins ganhou destaque internacional, evidenciando não apenas os riscos associados ao turismo de aventura em áreas remotas e de geografia hostil, mas também as limitações estruturais das operações de resgate em alguns cenários asiáticos. O vulcão Rinjani, famoso por atrair visitantes do mundo todo, é conhecido tanto por suas trilhas desafiadoras quanto pelos perigos ocultos em meio à sua paisagem montanhosa e instável. Após a queda, equipes de resgate locais e voluntários se mobilizaram, enfrentando dificuldades como a insuficiência de equipamentos, especialmente cordas de alcance limitado, e paralisações inevitáveis provocadas pela baixa visibilidade e condições meteorológicas adversas. O relato dos familiares indica que houve tentativas frustradas e informações desencontradas, incluindo a divulgação de vídeos que posteriormente foram desmentidos, ampliando o sentimento de incerteza quanto ao verdadeiro progresso das buscas. Enquanto a operação segue suspensa periodicamente por conta do mau tempo, cresce o questionamento sobre a preparação local para enfrentar emergências desse porte e o acesso rápido a recursos adequados em situações críticas.
As buscas ganharam novos contornos nesta segunda-feira, quando equipes de montanhistas experientes e profissionais de resgate passaram a avaliar táticas alternativas, como a mudança da base de operações para um ponto mais baixo e próximo do local onde Juliana foi avistada pela última vez, agora mais distante da trilha principal. A movimentação estratégica visa ampliar as chances de acesso da equipe até a vítima, já que os equipamentos disponíveis até então não foram suficientes para atingir o local exato da queda, estimado em cerca de 500 metros abaixo do nível da trilha. Relatos vindos diretamente da ilha apontam para o reforço na equipe, com especialistas em escalada e cordas longas se unindo ao esforço já em andamento, ampliando as esperanças por um desfecho positivo. Apesar das paralisações temporárias impostas pelas intensas chuvas e neblina, a dedicação dos envolvidos permanece firme e, embora a situação de Juliana continue indefinida, a mobilização demonstra resiliência diante das adversidades, evidenciando solidariedade e trabalho conjunto entre voluntários, montanhistas locais e órgãos oficiais.
Guia relata espera de três minutos antes de notar queda de brasileira na Indonésia: ‘Não a abandonei’
O guia que acompanhava Juliana Marins em uma trilha no Monte Rinjani, em Lombok, Indonésia, negou ter deixado a publicitária sozinha antes do acidente. Em entrevista ao GLOBO, publicada nesta segunda-feira (23), Ali Musthofa explicou que sugeriu a Juliana um momento de descanso enquanto seguia à frente. Segundo ele, permaneceu apenas “três minutos” adiantado e voltou a procurá-la ao perceber que ela não chegava ao ponto combinado.
“Na verdade, não a deixei. Esperei três minutos à frente dela. Passados 15 ou 30 minutos, ela não apareceu. Procurei-a no último ponto de descanso, mas não a achei. Havia dito que a esperaria adiante e que ela podia descansar. Só percebi o ocorrido quando vi uma lanterna a cerca de 150 metros de profundidade e ouvi Juliana pedindo ajuda. Disse que iria socorrê-la”, relatou Musthofa, guia na região desde novembro de 2023.
Ele contou que contatou a empresa onde trabalha para reportar o incidente e pedir apoio de resgate. “Liguei para a organização, pois era impossível ajudar a 150 metros de profundidade sem equipamentos. Eles repassaram os detalhes da queda de Juliana à equipe de resgate, que agiu rapidamente para preparar o material necessário”, afirmou ao GLOBO.
Musthofa informou que Juliana pagou 2.500.000 rúpias indonésias pelo pacote — cerca de R$ 830 na cotação atual — e prestou depoimento à polícia no domingo.
Turistas relatam condições severas em trilha onde brasileira sumiu na Indonésia
A paisagem ao redor do vulcão Rinjani, na Indonésia, é chamada de “de outro mundo” por turistas: solo de cascalho, nuvens densas e a vista do lago Sinara Anak. Contudo, essa beleza de uma trilha de dois dias foi ofuscada pelo drama de Juliana Marins, 26 anos, de Niterói (RJ), graduada em publicidade pela UFRJ, nadadora e praticante de pole dance. Em uma jornada solo pela Ásia — após visitar Filipinas, Vietnã e Tailândia —, ela chegou à Indonésia em fevereiro e se juntou a cinco turistas e um guia para escalar o Monte Rinjani, com mais de 3 mil metros.
A italiana Federica Matricardi, que cruzou com Juliana um dia antes, relembrou a subida exaustiva, marcada por neblina que escondia a vista, e a retomada da trilha às 5h15, em meio a um frio cortante. “Foi muito difícil. Caminhávamos juntas, mas alguns foram mais rápido”, disse. Federica seguiu à frente com outros, enquanto Juliana ia com o guia. O francês Antoine Le Gac descreveu as condições: escuridão, baixa visibilidade e terreno escorregadio, iluminado apenas por lanternas. “No acidente, eu estava na frente. Ela estava com o guia, mas era cedo, com visão precária e solo traiçoeiro”, afirmou.
Autoridades locais indicam que Juliana caiu cerca de 300 metros da trilha, próximo ao topo. Horas depois, outro grupo a encontrou com um drone, presa em uma fenda rochosa, com dificuldade de se mover. Vestia calça jeans, camiseta, luvas e tênis — sem casaco, apesar do frio, e sem óculos, essenciais por sua miopia de cinco graus. A notícia chegou ao Brasil na sexta (20) por redes sociais, e a irmã, Mariana Marins, reconheceu Juliana pelas roupas e rosto nas imagens.
A família busca respostas, enfrentando obstáculos para informações confiáveis. Segundo fontes do parque, Juliana, exausta, pediu uma pausa, mas o guia prosseguiu. “Ela entrou em pânico e acabou caindo. Quando o guia voltou, já a encontrou lá embaixo”, relatou Mariana. Falsas esperanças surgiram com um vídeo de suposto resgate, desmentido depois, causando emoção e frustração. O embaixador brasileiro na Indonésia admitiu erros iniciais em dados, baseados em relatos imprecisos, e confirmou que resgatistas chegaram ao local, mas Juliana não estava mais lá. Buscas com drones térmicos foram paralisadas por neblina.
Mobilização continua para resgate e expectativas permanecem
O cenário permanece delicado para o desfecho do resgate de Juliana Marins, enquanto as equipes, familiares e voluntários mantém as esperanças por um resultado positivo, apesar dos enormes desafios impostos pelo ambiente hostil do Monte Rinjani. O caso expôs a necessidade de melhorias nos protocolos de resgate em ambientes naturais extremos e suscitou discussões sobre a importância do preparo, da comunicação clara e do emprego de tecnologia adequada em missões críticas. Enquanto turistas continuam percorrendo as trilhas do parque, a família de Juliana compartilha a aflição de três dias sem notícias concretas e pede maior agilidade e apoio internacional nas buscas. Persiste a expectativa de que, com as novas estratégias adotadas e a intensificação dos esforços, a jovem seja finalmente localizada e retirada com segurança nos próximos dias. A tragédia, além de comover o Brasil, lança luz sobre a importância de políticas globais de proteção a turistas em destinos de alto risco, promovendo o debate sobre segurança e resposta rápida em situações de emergência como esta, que ainda se desenrola sob os olhares atentos da comunidade internacional.
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