Governador de SC propõe “fechar a fronteira” e separar o Sul do restante do Brasil
4 min readGovernador de SC reacende debate separatista com fala polêmica.
Governador provoca reação ao brincar sobre novo país no Sul.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), causou repercussão nacional após fazer uma brincadeira durante um evento realizado em Curitiba, Paraná, na última quinta-feira (12). Na ocasião, o chefe do executivo catarinense, acompanhado dos governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, sugeriu de forma descontraída que, caso a situação no restante do Brasil não esteja favorável, seria possível “passar uma trena” e fundar “o país do Sul”. A declaração foi dada em meio a risos da plateia e dos próprios colegas de painel, depois de Mello mencionar que ambos são considerados presidenciáveis. Seu comentário faz alusão direta ao movimento separatista “O Sul é o Meu País”, que defende a independência dos três estados do Sul, e rapidamente viralizou nas redes sociais, reacendendo o debate sobre o separatismo regional.
O movimento separatista mencionado por Jorginho Mello não é novidade e já conta com adeptos desde os anos 1990, quando foi criado por grupos que buscavam maior autonomia política e administrativa para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A referência feita pelo governador ocorre em um contexto de crescente insatisfação de parte do eleitorado do Sul com políticas nacionais e demandas específicas da região, como investimentos em infraestrutura, segurança e desenvolvimento econômico. Durante o evento, realizado para discutir temas da construção civil, Mello também fez menção à recente redefinição de fronteiras entre Paraná e Santa Catarina, episódio que resultou na incorporação de uma área equivalente a 500 campos de futebol ao território catarinense, numa correção cartográfica que também serviu de mote para piadas entre os presentes.
O comentário do governador gerou diversos desdobramentos nas redes sociais e foi amplamente repercutido por veículos de comunicação, além de provocar análises sobre o impacto dessas falas diante do atual cenário político nacional. Especialistas avaliam que, embora feita em tom de brincadeira, a declaração evidencia sentimentos regionais de autonomia e reforça discussões sobre federalismo e distribuição de recursos públicos. Ao mencionar “dois candidatos à presidência” ao lado dos colegas de painel, Mello também sinalizou a crescente projeção dos governadores sulistas no cenário eleitoral brasileiro, levantando questões sobre o papel da região nas próximas eleições e a vitalidade de correntes políticas que buscam maior protagonismo no Sul. Apesar de tratar o tema de maneira descontraída no evento, a repercussão demonstra que questões de identidade regional continuam presentes no debate público.
A fala de Jorginho Mello encerra mais um capítulo na longa história de manifestações separatistas no Brasil e evidencia como temas regionais podem emergir mesmo em eventos técnicos, assumindo rapidamente dimensões nacionais devido ao alcance das redes sociais e à sensibilidade das questões políticas atuais. Diante da repercussão, fica o questionamento sobre como lideranças políticas abordarão demandas regionais daqui para frente e qual influência esse tipo de declaração pode ter no debate sobre o federalismo. O episódio reforça a necessidade de diálogo democrático e de atentos aos sinais de insatisfação e identidade das diferentes regiões do país, destacando que mesmo em tom de brincadeira, as palavras de governadores repercutem e moldam discussões sobre o futuro do Sul e do próprio Brasil.
Possíveis repercussões após fala repercutida nacionalmente
O episódio protagonizado pelo governador de Santa Catarina reforça como a questão separatista, apesar de não ser uma pauta institucionalizada, volta e meia surge no debate público, principalmente diante de manifestações de líderes regionais. O impacto da declaração, mesmo feita em tom de brincadeira, serve de alerta para as lideranças nacionais quanto à percepção de distanciamento entre as necessidades específicas da região Sul e as políticas do governo federal. Analistas consideram que o fato ganhou destaque não apenas pelo contexto do evento, mas pelo atual momento político, marcado por pré-campanhas e discussões intensas sobre representatividade regional. No horizonte, permanece o desafio de construir pontes e fortalecer o pacto federativo, ao mesmo tempo em que se respeita a diversidade de demandas e identidades regionais presentes no Brasil.
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