Lula critica Eduardo Bolsonaro e afirma que deputado faz terrorismo nos EUA
5 min readLula critica Eduardo Bolsonaro e acusa deputado de praticar terrorismo nos EUA.
Presidente defende Alexandre de Moraes e STF contra ações internacionais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante pronunciamento realizado na terça-feira, 3 de junho de 2025, no Palácio do Planalto. Em declarações contundentes aos jornalistas presentes, Lula classificou a atuação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos como “terrorista” e afirmou que o Brasil vai defender o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal (STF) de possíveis ações do governo norte-americano. Eduardo Bolsonaro, que se licenciou da Câmara em março para se mudar para os Estados Unidos, tem se reunido com autoridades americanas para buscar, segundo ele próprio afirma, “sanções aos violadores dos direitos humanos”. O presidente brasileiro manifestou indignação com a postura do parlamentar, acusando-o de tentar interferir nas questões internas do país ao solicitar intervenção estrangeira na política brasileira. “É lamentável que um deputado brasileiro, filho do ex-presidente, esteja lá para convocar os Estados Unidos a se meter na política interna do Brasil. É isso que é grave, um ataque terrorista, antipatriota”, declarou Lula, acrescentando que o deputado “renuncia a seu mandato para lamber as botas do Trump”.
Durante seu pronunciamento, o presidente brasileiro foi enfático ao defender a soberania nacional e a independência das instituições brasileiras frente a tentativas de interferência externa. “É inadmissível que o presidente de qualquer país do mundo dê palpite sobre a decisão da Suprema Corte de outro país”, afirmou Lula, em clara referência às recentes manifestações do governo dos Estados Unidos sobre decisões do STF e particularmente do ministro Alexandre de Moraes. As tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos se intensificaram após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciar restrições de visto contra autoridades estrangeiras que seriam “cúmplices de censura a americanos”, sem mencionar diretamente o nome do ministro brasileiro. Rubio também declarou ao Congresso americano que haveria uma “grande chance” de os EUA aplicarem sanções contra o ministro do STF. Tais declarações foram interpretadas pelo governo brasileiro como uma ameaça à soberania nacional e à independência do Judiciário. Lula enfatizou que os Estados Unidos precisam compreender a importância do respeito à integridade de outros países. “Nenhum país pode ficar se intrometendo na vida do outro, querendo punir o outro país. Isso não tem cabimento”, destacou o presidente, reforçando que o Brasil não se intimidará diante de pressões externas e defenderá suas instituições. Anteriormente, no domingo, Lula já havia comentado que eventuais sanções seriam motivadas pela vontade do magistrado de punir um “brasileiro nos EUA fazendo coisa contra o Brasil”.
A polêmica envolvendo Eduardo Bolsonaro ganhou novos contornos após o deputado responder às acusações feitas pelo presidente Lula. Utilizando suas redes sociais, Eduardo rebateu as críticas afirmando que “ano que vem, ele (Lula) será aposentado da vida pública” e que “se Deus quiser, a gente vai ter um Bolsonaro de volta à presidência”, sem especificar a qual membro da família se referia. O filho do ex-presidente tem se apresentado como uma possível alternativa eleitoral para o Senado de São Paulo ou mesmo para a Presidência da República, considerando que seu pai, Jair Bolsonaro, encontra-se inelegível até 2023. Em sua defesa, Eduardo Bolsonaro alegou estar nos Estados Unidos “para defender a liberdade do povo brasileiro” e acusou a atual administração de Joe Biden de ter interferido nas eleições brasileiras, mencionando supostas declarações do ministro Luís Roberto Barroso quando presidia o Tribunal Superior Eleitoral. O deputado licenciado ainda classificou como “terrorismo” o que considera ser um aumento do narcotráfico no Brasil e criticou os preços dos alimentos no país. As investigações contra Eduardo Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, que apuram possível coação no curso de investigações sobre tentativas de golpe, também foram alvo de comentários do parlamentar, que afirmou acreditar que o inquérito tem como objetivo retirá-lo da corrida eleitoral. Esta declaração foi dada após o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias, depor à Polícia Federal no inquérito que investiga a atuação de Eduardo nos Estados Unidos.
O embate entre o presidente Lula e Eduardo Bolsonaro evidencia o acirramento das tensões políticas no Brasil a pouco mais de um ano das próximas eleições presidenciais, previstas para outubro de 2026. A atuação internacional do deputado licenciado, buscando articular pressões externas contra autoridades brasileiras, representa um novo capítulo na polarização política do país e levanta questões sobre os limites da diplomacia parlamentar e as fronteiras entre política interna e externa. Analistas políticos observam que a estratégia de Eduardo Bolsonaro de buscar apoio no exterior, especialmente junto ao governo de Donald Trump, pode estar relacionada à preparação do terreno para futuras candidaturas da família Bolsonaro, seja a sua própria ou a de outro membro do clã. O presidente Lula, por sua vez, ao defender enfaticamente o ministro Alexandre de Moraes e o STF, reafirma seu compromisso com a defesa das instituições democráticas brasileiras diante de pressões externas. “Pode ficar certo de que o Brasil vai defender não só o seu ministro, mas também a Suprema Corte”, garantiu o presidente. A postura firme de Lula em defesa da soberania nacional e das instituições brasileiras sugere que o governo não cederá a eventuais pressões internacionais sobre assuntos internos, especialmente aqueles relacionados ao funcionamento do Poder Judiciário. Nos próximos meses, será possível observar se este episódio representará um ponto de inflexão nas relações Brasil-Estados Unidos ou se permanecerá como mais um capítulo da polarização política que marca o cenário brasileiro nos últimos anos.
