março 7, 2026

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3G Capital, de Paulo Lemann, adquire Skechers em negócio bilionário de US$ 9,4 bilhões

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3G Capital adquire Skechers em negócio bilionário de US$ 9,4 bilhões.

Trio de bilionários brasileiros expande investimentos no setor calçadista.

A 3G Capital, empresa de investimentos fundada pelos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, anunciou na segunda-feira (5) a aquisição da Skechers, terceira maior companhia de calçados do mundo, em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 9,4 bilhões (equivalente a R$ 53,1 bilhões). O acordo, aprovado por unanimidade pelo conselho de administração da Skechers, transformará a empresa de capital aberto em uma companhia privada, retirando suas ações da bolsa de valores de Nova York (NYSE). Segundo comunicado oficial divulgado pela empresa de calçados, a transação representa “uma oportunidade transformadora de parceria de longo prazo”, com a expectativa de que a equipe de gestão atual da Skechers, liderada pelo presidente e CEO Roberto Greenberg, continue à frente do negócio durante a transição, trabalhando em conjunto com a gestora brasileira. Pelos termos do acordo, a 3G Capital pagará US$ 63,00 (R$ 356,08) por ação em dinheiro por todas as ações em circulação da Skechers, com a opção para acionistas atuais receberem US$ 57,00 (R$ 322,26) em dinheiro e uma unidade de capital não listada e intransferível em uma empresa privada recém-formada que, após a conclusão da transação, será a controladora da companhia de calçados. As ações da Skechers responderam positivamente ao anúncio, registrando uma valorização superior a 20% até o meio da tarde da segunda-feira.

A aquisição da Skechers representa a entrada estratégica da 3G Capital no mercado global de calçados, um setor que projeta atingir US$ 503,83 bilhões até 2028, conforme indicam pesquisas da Mordor Intelligence. A Skechers, que iniciou suas operações no Brasil em 2007 e atualmente mantém 15 lojas no país, possui uma presença global robusta com cerca de 5 mil estabelecimentos ao redor do mundo, sendo que dois terços de sua receita provêm de mercados fora dos Estados Unidos. A empresa norte-americana adota um modelo de expansão baseado em franquias e crescimento gradual, em vez de abrir rapidamente operações próprias em novos mercados. A estratégia tem se mostrado bem-sucedida em mercados emergentes, com executivos da companhia afirmando que a marca já superou a gigante Nike em presença na Índia. A América Latina, junto com a Ásia, está entre as prioridades de crescimento da Skechers para os próximos anos, reforçando a importância geoeconômica da aquisição pela gestora brasileira. A transação deverá ser concluída no terceiro trimestre de 2025, sendo financiada por uma combinação de recursos próprios da 3G Capital e financiamento de dívida comprometido pelo JPMorgan Chase Bank, conforme divulgado em comunicado oficial.

A compra da fabricante de calçados segue um padrão já conhecido no histórico de aquisições da 3G Capital: investir em empresas familiares lideradas por fundadores experientes e com marcas consolidadas no mercado. Em 2022, o grupo adotou abordagem semelhante ao adquirir a fabricante de persianas Hunter Douglas, mantendo o filho do fundador à frente do negócio e permitindo que a família conservasse 25% da empresa. Criada em 2004, a gestora do trio de bilionários brasileiros construiu um portfólio diversificado de investimentos ao longo dos anos, tendo sido sócia da Kraft Heinz ao lado do megainvestidor Warren Buffett, além de participar do controle da AB InBev (controladora da Ambev) e ser acionista da Restaurant Brands International, proprietária da rede de fast-food Burger King. No entanto, nem todos os investimentos da 3G Capital mantiveram performance consistente ao longo do tempo. Na Kraft Heinz, por exemplo, a aposta perdeu fôlego: desde a fusão realizada em 2015, as ações da empresa alimentícia caíram 33%, levando a 3G a deixar o negócio em 2023. O trio também enfrenta desafios como acionista da Americanas, varejista que entrou em recuperação judicial no início de 2023 após revelar uma fraude contábil bilionária, configurando-se como um dos maiores escândalos corporativos da história recente do Brasil. A aquisição da Skechers ocorre em um momento de complexidade geopolítica para o setor de calçados esportivos, com os Estados Unidos aplicando tarifas de 46% sobre produtos vietnamitas em abril, representando mais um capítulo na guerra comercial com países asiáticos – justamente onde a Skechers fabrica grande parte de seus produtos.

Analistas do mercado sugerem que as negociações para o acordo de aquisição da Skechers pela 3G Capital podem ter sido aceleradas pelo ambiente macroeconômico volátil, marcado por tensões comerciais entre Estados Unidos e China, imposição de tarifas e enfraquecimento da confiança do consumidor. Tom Nikic, analista da Needham, indicou que a empresa pode ter optado por enfrentar esses desafios sem estar sob o escrutínio constante de Wall Street, o que explica a decisão de fechar o capital após 26 anos de listagem em bolsa. A China é responsável pela maior parte das importações para as operações da marca nos Estados Unidos, e a empresa já havia retirado suas previsões de resultados anuais em abril, alertando sobre as consequências das tarifas de importação de 145% impostas pelo presidente americano Donald Trump sobre produtos chineses. Mesmo com esses desafios, os Estados Unidos continuam sendo o principal mercado da Skechers, representando 38% das vendas globais da companhia. Após a conclusão da transação, a Skechers continuará sendo dirigida por Robert Greenberg, seu atual diretor executivo. “A Skechers é uma marca icônica, liderada por um fundador com histórico de criatividade e inovação. Temos uma enorme admiração pelo negócio que esta equipe construiu e estamos ansiosos por apoiar o próximo capítulo da empresa”, afirmou a 3G Capital em comunicado oficial sobre a aquisição. O movimento demonstra a contínua estratégia de expansão global dos investidores brasileiros, que agora adicionam o setor calçadista ao seu diversificado portfólio de investimentos, buscando capturar oportunidades de crescimento em um mercado que, apesar dos desafios geopolíticos atuais, apresenta perspectivas positivas de expansão nos próximos anos, especialmente em mercados emergentes.

Expansão estratégica em meio a desafios globais

A aquisição da Skechers pela 3G Capital representa não apenas a entrada da gestora brasileira em um novo segmento de mercado, mas também demonstra sua capacidade de identificar oportunidades mesmo em cenários de incerteza econômica e tensões comerciais internacionais. Com um histórico de transformação de empresas tradicionais em negócios globalmente competitivos, o trio de investidores Lemann, Telles e Sicupira parece apostar no potencial de crescimento da terceira maior fabricante de calçados do mundo, especialmente em mercados emergentes como América Latina e Ásia. A expectativa dos analistas é que a 3G Capital aplique sua conhecida metodologia de gestão, focada em eficiência operacional e expansão estratégica, para fortalecer a presença global da Skechers, enquanto mantém a identidade da marca e a liderança de seu fundador. Ao mesmo tempo, a saída da empresa da bolsa de valores permitirá implementar transformações de longo prazo sem a pressão de resultados trimestrais, potencialmente posicionando a Skechers para um crescimento mais sustentável em um mercado global cada vez mais competitivo e afetado por tensões geopolíticas.

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